A França observa, atônita, um número nefasto que não para de crescer: esta semana foi registrado o 25º suicídio entre funcionários da France Telecom, no ápice de uma onda incontrolável de suicídios que começou em fevereiro do ano passado.
A história assumiu contornos de um problema eminentemente administrativo porque se tornou parte do ritual dos suicidas procurar a morte no próprio local do trabalho ou deixar uma carta evidenciando a relação de suas condições na empresa à decisão de recorrer a este ato extremo.
Alguns chegam mesmo a mencionar, em seus bilhetes de despedida, a intenção de fazer parte desta onda suicida que assola a empresa.
Ameaças de demissão, demissões de fato, mas principalmente a mudança forçada de setor, de cidade ou de horário de trabalho, muitas vezes depois décadas de estabilidade em uma mesma rotina, são alguns dos fatores citados pelos funcionários para o stress extremo em que relatam viver.
No centro da questão está a mínima margem de autonomia garantida a cada unidade local da empresa.
Reengenharias mirabolantes desenhadas pela presidência da empresa são impostas de cima para baixo, deixando as gerências locais sem qualquer margem de manobra.
Todos os dias ouve-se nas rádios testemunhos de funcionários de setores técnicos que foram transferidos ao telemarketing do dia para noite, à revelia de suas chefias diretas.
Os sindicatos fazem coro sobre as condições difíceis dos funcionários, o que ganha contornos força diante de um presidente de empresa mal-preparado para gerenciar a crise.
Em uma conferência de imprensa, Didier Lombard chegou a classificar de "moda de suicídios" a situação sem precedentes pela qual a empresa atravessa.
Sob fogo cerrado da imprensa francesa, o chefe da maior empresa de telefonia do país tem procurado assumir uma nova postura há cerca de quinze dias.
De "moda" ele passou a classificar a crise como uma "espiral infernal", propondo um plano que cria cargos e congela completamente os remanejamentos de postos, com vistas a um ganho de satisfação no ambiente de trabalho.
Os analistas localizam as causas da crise em 1998, quando o governo francês quebrou o monopólio da telefonia e a gigante telefônica francesa foi obrigada a encarar a luta pela concorrência.
Ao contrário das concorrentes estrangeiras e locais, que partem de estruturas enxutas, a France Telecom carrega consigo toda a sua população de funcionários, impregnada de know-how mas também dos vícios de quem sempre trabalhou sem conhecer a livre concorrência.
Toda mudança de rotina foi profundamente mal vivida pelo corpo de funcionários da empresa que, sem um acompanhamento administrativo e psicológico adequado, respondeu com quadros depressivos, sucessivas licenças para tratamento de saúde e, mais recentemente, o desespero mais completo levando a vinte e cinco suicídios - e incalculáveis tentativas.
Paradoxalmente - e talvez por isso mesmo - a empresa vai bem financeiramente.
Aliás, nunca esteve tão bem desde a privatização. Quem não vai nada bem são os homens e mulheres que construiram este resultado.
Fonte: Carolina Nogueira é jornalista e mora há dois anos em Paris, de onde mantém o blog Le Croissant
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Administração suicida
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Marcadores: Saúde, Saúde Mental
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Dois sindicatos aceitam proposta da CPTM; 2.500 continuam em greve
Fonte:Folha Online
Dois dos quatro sindicatos que representam os trabalhadores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) aceitaram nesta segunda-feira a proposta de reajuste salarial oferecida pela companhia. Os outros dois sindicatos não aceitaram as condições e mantiveram a greve decretada na sexta (16). As informações são da CPTM.
O Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana e o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias da Central do Brasil, que, segundo a companhia, representam cerca de 4.000 dos seus 6.500 empregados, aceitaram os 4,65% de reajuste salarial para este ano.
Na proposta, a CPTM também se comprometeu a criar um sistema de remuneração variável, que pode aumentar o salário dos funcionários. O acordo será assinado nesta terça (20).
A decisão sobre o dissídio negociado com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de São Paulo e com o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, que não aceitaram a proposta, deve ser tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região na quarta-feira (21).
Greve
Os funcionários decidiram entrar em greve por tempo indeterminado após assembleia realizada na noite de sexta (16). No processo de negociação, os sindicatos pediam um reajuste de 10% --4,22% da inflação mais um aumento real. A CPTM começou oferecendo 4,5%, mas fechou nos 4,65%.
No sábado e domingo, quando ocorreu o GP Brasil de F-1 em São Paulo, a companhia montou um esquema especial para evitar que a greve comprometesse o transporte dos torcedores. Segundo a CPTM, não foram registrados problemas.
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Marina Lapietra
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INSS tem 3,2 milhões de benefícios sob suspeita
INSS tem 3,2 milhões de benefícios sob suspeita
Fonte: Juca Guimarães do Agora
Cerca de 3,2 milhões de benefícios ativos do INSS estão sob suspeita de irregularidade ou fraude, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), que fez uma auditoria no dados cadastrais dos beneficiários do instituto e no valor dos pagamentos.
Considerando o valor médio de R$ 996 dos benefícios, a despesa com essas irregularidades pode alcançar a cifra de R$ 3,2 bilhões por mês.
Até o final de dezembro, o INSS terá que investigar os benefícios sob suspeita. Se for um problema de cadastro, o caso será resolvido com uma atualização dos dados. No entanto, se for um golpe, o fraudador será processado e terá que devolver a grana.
A investigação feita pelo TCU começou em 2005 e um relatório com 21 tipos de pendências foi encaminhado ao INSS. Neste mês, o tribunal fez um monitoramento nas regularizações e identificou que cinco tipos de pendências, envolvendo 3,2 milhões de benefícios, ainda não haviam sido resolvidas.
Além disso, o INSS ainda não cumpriu a recomendação do TCU para que fossem feitas auditorias nos 22 postos com concessão de benefícios temporários por incapacidade com valores acima da média.
Cadastro incompleto
Segundo as investigações do TCU, existem 2 milhões de benefícios ativos sem identificação do CPF do favorecido.
Também foram identificados 1,2 milhão de beneficiários com o nome abreviado no cadastro do INSS.
A falta de CPF e o nome abreviado podem, de acordo com o TCU, facilitar fraudes e pagamentos em duplicidade.
Outra irregularidade que ainda persiste no cadastro do INSS é a concessão de três ou mais benefícios para um único CPF. O que pode significar, segundo o TCU, o acúmulo indevido de pagamentos. Foram identificados 31.285 casos desse tipo no relatório.
Quando iniciou o levantamento, em 2005, o TCU identificou que haviam 20.297 pensões ativas em nome de pensionistas mortos. No monitoramento das pendências, o tribunal descobriu que este número caiu para 1.827.
O último ponto pendente na auditoria feita pelo TCU é o pagamento de benefícios com valor acima do teto do INSS, hoje em R$ 3.218,90. O tribunal identificou cerca de 3.700 pagamentos suspeitos. No entanto, o próprio TCU reconhece que podem ser benefícios concedido de acordo com leis específicas --que permitiam valores acima do teto, por exemplo, a ex-combatentes. Mesmo assim, o TCU recomendou a investigação do caso.
O INSS não comentou o relatório de pendências do TCU, mas informou que vai responder ao órgão. Se for preciso, o tribunal pode prorrogar o prazo para solução das pendências. Se o INSS não fizer nada, será aplicada uma multa de até R$ 34 mil por caso pendente.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Sindicatos pressionam por aumento acima da inflação
Fonte:CLAUDIA ROLLI FÁTIMA FERNANDES da Folha de S.Paulo
A recuperação da economia se transformou em argumento de pressão dos trabalhadores para conseguir reajustes de salários com ganhos reais (acima da inflação) neste semestre.
A atuação dos sindicatos em 2008, principalmente entre setembro e dezembro, quando o país sentiu de forma mais intensa os efeitos da crise, foi para manter o emprego. Nas campanhas salariais deste ano, o foco dos sindicatos já é recuperar o poder de compra dos salários.
Bancários e metalúrgicos que trabalham em montadoras, categorias com forte poder de mobilização, já conquistaram de 1,5% a 3% de aumento real, além de abonos salariais de R$ 1.500 a R$ 2.800 e participação nos lucros e resultados.
Essas negociações abrem espaço para que outras categorias negociem aumentos reais que variam de 5% a 10% --caso dos químicos, gráficos, trabalhadores do setor de alimentação e dos petroleiros. Para os trabalhadores, as empresas voltaram a produzir --e a faturar-- neste ano e têm condições de arcar com maiores reajustes.
"Os efeitos da crise foram brandos no Brasil. As indústrias retomaram a produção, e as lojas, as vendas. Sempre que tem retomada da economia o quinhão dos trabalhadores tem de aparecer. Se o mercado interno está forte e aquecido, é possível criar melhores empregos e salários", afirma Vagner Freitas, secretário de administração e finanças da CUT.
No primeiro semestre deste ano, 93% dos 245 acordos coletivos analisados pelo Dieese tiveram reajustes iguais ou acima da inflação (INPC). No mesmo período do ano passado, o percentual foi de 87%.
A tendência neste semestre é que os reajustes se mantenham acima da inflação. "Quem negociou no primeiro semestre negociou em plena crise e, mesmo assim, obteve bons resultados. Neste semestre, as categorias negociam em um cenário melhor. A perspectiva é que o país cresça entre 4% e 5% e já houve melhora no emprego e na produção, especialmente no caso de setores que receberam incentivos fiscais e subsídios do BNDES", afirma José Silvestre de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese.
Os aumentos reais de salários também estão mais robustos porque a inflação está em queda. "Fica bem mais fácil para o empresário dar ganho real de salário com inflação anual entre 4% e 4,5% do que próxima de 7%. A inflação é peça fundamental nas negociações salariais", diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores.
Para o advogado trabalhista Luis Carlos Moro, os sindicatos tiveram de assumir uma posição mais "ofensiva" após constatarem que a crise não atingiu o país na proporção esperada. "As empresas se preparam para demissões, suspensão de contratos de trabalho e arrocho salarial. Quando o lucro de várias companhias foi divulgado e se constatou que chegava à casa de bilhões de reais, os sindicatos reagiram e retomaram a bandeira do aumento real."
Em setores que ainda não reagiram, como o têxtil, as discussões salariais serão mais difíceis. Trabalhadores do setor têxtil de São Paulo pedem aumento real de 5%, mais a correção da inflação. "Não vai chegar nem perto disso. Em 2008, demos 0,8% de aumento real, que já foi maior do que podíamos", afirma Rafael Cervone, presidente do Sinditêxtil, sindicato da indústria têxtil.
Os químicos de São Paulo já preparam paralisações para conseguir negociar aumento salarial. "O faturamento do setor cresceu, em média, 7% nos últimos dez anos. Se negociamos medidas no início do ano para evitar a demissão, agora as empresas se recuperaram e têm condições de nos atender", diz Sergio Luiz Leite, presidente da Fequimfar (federação dos químicos), que representa 100 mil trabalhadores no Estado.
"Como a economia vai crescer até o final do ano, se não houver aumento real de salário, haverá um festival de greves", diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Situação de professores no Brasil é preocupante, afirma consultor da Unesco
Fonte: Agência Brasil
Problemas na formação continuada dos professores e até mesmo na formação inicial, além da baixa remuneração, compõem um cenário "preocupante", de acordo com o consultor em educação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Célio da Cunha.
Ao comentar o estudo "Professores do Brasil: Impasses e Desafios", lançado pela Unesco na semana passada, Cunha lembrou que os professores representam o terceiro maior grupo ocupacional do país (8,4%), ficando atrás apenas dos escriturários (15,2%) e dos trabalhadores do setor de serviços (14,9%). A profissão supera, inclusive, o setor de construção civil (4%).
O especialista destaca, entretanto, que é preciso "elevar o status" do professor no Brasil. A própria Unesco, ao concluir o estudo, recomenda a necessidade de "uma verdadeira revolução" nas estruturas institucionais e de formação. Dados da pesquisa indicam que 50% dos alunos que cursam o magistério e que foram entrevistados disseram que não sentem vontade de ser professores. Outro dado "de impacto", segundo Cunha, trata dos salários pagos à categoria --50% dos docentes recebem menos de R$ 720 por mês.
O estudo alerta para um grande "descompasso" entre a formação teórica e a prática do ensino. Para Cunha, a formação do docente precisa estabelecer uma espécie de "aliança" entre o seu conteúdo e um projeto pedagógico, para que o professor tenha condições de entrar em sala de aula.
Como recomendações, a Unesco defende a real implementação do novo piso salarial e a política de formação docente, lançada recentemente. Cunha acredita que esses podem ser "pontos de partida" para uma "ampla recuperação" da profissão no Brasil.
"Se houver continuidade e fazendo os ajustes necessários que sempre surgem, seguramente, daqui a alguns anos, podemos ter um cenário bem mais promissor do que o atual", disse, ao ressaltar que sem professores bem formados e com uma remuneração digna não será possível atingir a qualidade que o Brasil precisa para a educação básica. "Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada."
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Manifestantes fazem "nu pedagógico" em protesto no Dia dos Professores em SP
Fonte: ANDRÉ MONTEIRO
da Folha Online
Atualizado às 16h11.
Professores de cinco entidades representativas fizeram um protesto inusitado na tarde desta quinta-feira na cidade de São Paulo. Os profissionais promoveram um "nu pedagógico" na praça da República (centro), em frente à Secretaria Estadual de Educação.
Situação de professores no Brasil é preocupante, diz Unesco
Nova prova do Enem vai custar R$ 31,9 milhões
Mas, ao invés de tirar a roupa, eles vestiram uma espécie de avental de cor bege com silhuetas de um corpo nu desenhadas na frete e no verso.
"Tiramos a roupa metaforicamente para colocar à nu a educação praticada em São Paulo", disse Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto, presidente da Udemo (sindicato que inclui diretores e coordenadores de educação). A manifestação acontece na data em que é lembrado o Dia do Professores.
As entidades reivindicam, entre outras coisas, um reajuste salarial de 27,5% para os professores da rede estadual de ensino, revisão do plano de carreira da categoria, e a retirada do projeto de lei complementar número 29 que, segundo os manifestantes, congela os salários dos professores. O projeto já está pronto para ser votado na Assembleia Legislativa, e a expectativa é que entre em pauta na próxima terça-feira (20).
Cerca de 10 mil professores eram esperados para o protesto, mas os organizadores afirmam que a chuva e a impossibilidade de deixar as salas de aula impediram a participação de grande parte dos manifestantes. Policiais militares estimam que cerca de 400 pessoas estiveram no local --o protesto foi pacífico.
Participam do protesto integrantes do Udemo (Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo), Apase (Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo), CPP (Centro do Professorado Paulista), Afuse (Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação do Estado de São Paulo), e da Apampesp (Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo).
Para sinalizar o que chamaram de "luto pela educação", os manifestantes soltaram cerca de 2.000 balões de cor preta no final do protesto, por volta das 16h.
Outro lado
A Secretaria Estadual de Educação informou que não comentaria o protesto nem as reivindicações dos professores.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Política Nacional de Saúde do Trabalhador
Sobre a Saúde do Trabalhador
Fonte: Site Portal da Saúde / Ministério da Saúde
Em vigor desde 2004, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde visa à redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, mediante a execução de ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de saúde.
Suas diretrizes, descritas na Portaria nº 1.125 de 6 de julho de 2005, compreendem a atenção integral à saúde, a articulação intra e intersetorial, a estruturação da rede de informações em Saúde do Trabalhador, o apoio a estudos e pesquisas, a capacitação de recursos humanos e a participação da comunidade na gestão dessas ações.
A Renast é uma das estratégias para a garantia da atenção integral à saúde dos trabalhadores. Ela é composta por Centros Estaduais e Regionais de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) - ao todo, até setembro de 2008, 173 unidades espalhadas por todo o País - e por uma rede de 500 serviços sentinela de média e alta complexidade capaz de diagnosticar os agravos à saúde que têm relação com o trabalho e de registrá-los no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN-NET).
Os Cerest recebem recursos financeiros do Fundo Nacional da Saúde, de R$ 30 mil para serviços regionais e R$ 40 mil para as unidades estaduais, para realizar ações de prevenção, promoção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e vigilância em saúde dos trabalhadores urbanos e rurais, independentemente do vínculo empregatício e do tipo de inserção no mercado de trabalho.
Além disso, em esfera interinstitucional, o Ministério da Saúde desenvolve uma política de ação integrada com os ministérios do Trabalho e Emprego e da Previdência Social, a Política Nacional sobre Saúde e Segurança do Trabalho (PNSST), cujas diretrizes compreendem:
I - Ampliação das ações, visando a inclusão de todos os trabalhadores brasileiros no sistema de promoção e proteção da saúde;
II - Harmonização das normas e articulação das ações de promoção, proteção e reparação da saúde do trabalhador;
III - Precedência das ações de prevenção sobre as de reparação;
IV - Estruturação de rede integrada de informações em Saúde do Trabalhador;
V - Reestruturação da formação em Saúde do Trabalhador e em segurança no trabalho e incentivo à capacitação e à educação continuada dos trabalhadores responsáveis pela operacionalização da política;
VI - Promoção de agenda integrada de estudos e pesquisas em segurança e Saúde do Trabalhador.
Saiba mais
3ª Conferência Nacional de ST
O que é a Renast?
O que é a Rede Sentinela?
O que é o Cerest?
Por que notificar? Dados de notificações
Publicações
Legislação relacionada
Área para profissionais e gestores
Rede Escola Continental em ST
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
ATENÇÃO: NOVA SEDE NACIONAL DO DIESAT
A nova Sede Nacional do DIESAT está em novo endereço, a 600 mts. da Estação Brigadeiro do Metro, Linha Verde, na Avenida Paulista:
DIESAT
Rua Mário Amaral, 210 - Paraíso
São Paulo / SP
CEP: 04002-020
Tel/Fax: (11) 3399-5673
email: diesat@diesat.org.br
Pedimos a gentileza que qualquer solicitação, convite e comunicação em geral sejam enviadas para o novo endereço ou através de email para a devida análise da coordenação técnica e administrativa.
Exibir mapa ampliado
Esperamos sua visita.
Utilize o transporte público.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Fetee-Sul divulga pesquisa sobre a saúde de trabalhadores técnicos e administrativos do ensino privado
Fetee-Sul divulga pesquisa sobre a saúde de trabalhadores técnicos e administrativos do ensino privado
Fonte: FeteeSul
Na tarde de hoje, dia 30 de setembro, a direção da Federação dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino Privado do RS (Fetee/Sul), realizou uma coletiva de imprensa para divulgar os resultados da pesquisa intitulada “Condições de Trabalho e Saúde dos trabalhadores técnicos e administrativos das instituições de ensino privado do Rio Grande do Sul”. O trabalho foi realizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat).
O objetivo da iniciativa foi identificar a qualidade do ambiente de trabalho e mapear doenças ocupacionais (físicas e emocionais) destes profissionais, para posteriormente subsidiar os sindicatos na implementação de campanhas de prevenção e negociação de cláusulas para a Convenção Coletiva de Trabalho.
Dos 19.217 mil trabalhadores deste setor no Rio Grande do Sul, a pesquisa, iniciada em abril de 2008, ouviu 2.800 pessoas − 14,5% da categoria −, abrangendo todas as regiões do Estado. O estudo foi efetuado em duas etapas: a primeira por meio de entrevistas pessoais e a segunda através de questionários.
“Os dados obtidos indicam que a situação é muito pior do que a nossa sensibilidade percebia. A maior surpresa está nos altos números, pois não pensávamos que havia, por exemplo, tantas pessoas trabalhando com dor”, comenta o Diretor de Saúde e Educação da Fetee-Sul e diretor de Administração do Sindicato dos Trabalhadores em Administração Escolar no Rio Grande do Sul (SintaeRS)
Para o coordenador técnico da pesquisa, Wilson Campos, do Diesat, não é possível tratar o adoecimento no local de trabalho como algo individual, mas deve ser abordado como uma questão coletiva. “Isso demanda uma atenção dos estabelecimentos de ensino e da comunidade escolar, pois os números evidenciam que o sofrimento físico, através das dores, atinge 76% da amostra. E 63% identificaram algum tipo de sofrimento mental relacionado ao trabalho.”
Perfil do trabalhador em escolas
Os trabalhadores técnicos e administrativos das instituições de ensino são todos aqueles que não exercem a docência. Alguns deles são: bibliotecários, orientadores escolares, pedagogos, secretárias, assistentes sociais, profissionais de limpeza e manutenção, eletricistas, etc. A população é predominantemente feminina (61%), sendo a maioria com até 35 anos.
Contatos para entrevistas
- Luiz Gambim – Diretor de Saúde e Educação da Fetee-Sul e diretor de Administração do Sindicato dos Trabalhadores em Administração Escolar no Rio Grande do Sul (SintaeRS)
Contatos | (51) 8188.0392 e gambim@sintaers.com.br
- Wilson Campos – DIESAT - Coordenador Técnico da Pesquisa - Psicólogo pela USP, especialista em Saúde Coletiva pela Unifesp
Contatos | (11) 3399-5673/8181-0023 e wilson@diesat.org.br
Entidades filiadas à Fetee-Sul | Sindicato dos Trabalhadores em Administração Escolar no Rio Grande do Sul (SintaeRS), Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar de São Leopoldo e Região (SAAESL), Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar de Caxias do Sul e Região (SAAE Caxias), Sindicato dos Trabalhadores de Estabelecimentos de Ensino (SINTEE Norte-RS) e Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado (Sinteep – Noroeste-RS).
Jornalista Dóris Fialcoff
Verbo Impresso – Agência de Comunicação
(51) 9606.0155 | verboimpresso@terra.com.br
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Entrevista: Pressão em excesso faz mal
Entrevista: Pressão em excesso faz mal
Fonte: Jornal Extra Classe - Edição Especial / Sinpro/RS
Wilson Cesar Ribeiro Campos é psicólogo pela USP, especialista em saúde coletiva pela Unifesp e pesquisador do Diesat, que coordenou toda a pesquisa com os docentes no Rio Grande do Sul. Nesta entrevista ao Extra Classe, ele analisa e esclarece alguns pontos do trabalho e faz paralelos das principais queixas levantadas pelos professores, como falta de tempo para a devida preparação das tarefas docentes, aumento do cansaço devido à extensa jornada e ao número de atividades extraclasse, o grande número de atividades sem remuneração adicional e exercidas fora do horário da jornada e a excessiva pressão sofrida no trabalho. A pesquisa comprova que este quadro vem se agravando nos últimos anos, e o pesquisador destaca a queda significativa nas condições de trabalho e saúde no ensino privado.
Foto: René Cabrales
EC – Quais as principais características identificadas em relação ao assédio moral no ensino privado?
Wilson César Campos – O assédio moral no trabalho pode ser definido como qualquer conduta abusiva, como gestos, palavras, comportamentos ou atitudes, que atente, por sua repetição, contra a dignidade ou a integridade física ou psíquica de uma pessoa. A pesquisa apontou que 33% dos professores sentem-se assediados moralmente no trabalho por alunos. As chefias imediatas e as chefias superiores aparecem como fonte de assédio moral no trabalho para 31% dos professores. É importante ressaltar que este é um alto índice se comparado com outras pesquisas realizadas em outras atividades profissionais. Uma particularidade que gostaria de chamar a atenção é para o grande número de professores que indicam outros colegas professores como fonte de assédio moral no trabalho. Nesta situação encontram-se 23% dos professores. Podemos chamar de assédio moral horizontal, este exercido entre os próprios colegas, e que parece estar colocando em perigo a atividade do professor que sempre teve por base o espírito solidário e a tarefa de propiciar o crescimento conjunto.
EC – Estariam os professores sucumbindo à cultura da competitividade?
Campos – Esta conduta não-somente não é coibida pelas chefias e empresas, como em alguns casos, parece ser estimulada. Ou seja, este tem sido um mecanismo utilizado de forma indireta pelas escolas para manter o professor atento, buscando “trazer novos alunos”, “ vestir a camisa”, ficando sempre disponível, etc. Alguns podem até considerar que este tipo de ambiente colabora para aumentar a “produtividade” docente, mas somente levam a uma piora nas condições de trabalho e saúde. Primeiro temos que questionar esta lógica da produtividade quando aplicada à Educação, dentre outras razões, por somente estimular a reprodução de uma lógica que tem por base a exploração máxima e o desrespeito aos limites físicos e mentais. Há 30 anos, os sindicatos de trabalhadores se reuniram para criar o Diesat afirmando o lema que permanece atual: saúde não se troca por dinheiro.
É necessário advertir que a conduta do assédio moral é a base para o sofrimento físico e mental em larga escala, que passa a atingir a todos levando a uma deterioração ainda maior das relações e da organização do trabalho.
EC – É comum aparecer em outras profissões um índice tão alto (41%) de trabalhadores que têm outra fonte de renda?
Campos – É importante relacionar este alto índice com o grande número de professores que exercem atividades docentes sem remuneração adicional. A pesquisa indica que 74% dos docentes exercem mais de 4 horas por semana nestas atividades, sendo que 44% dos professores acabam por dedicar mais de 8 horas semanais em atividades sem remuneração adicional. Outro fator relacionado a este aspecto revelado pela pesquisa é que 33% dos professores entrevistados alegaram ter enfrentado algum tipo de dificuldade financeira grave nos últimos três meses.
Embora nos últimos anos trabalhadores de diversos setores econômicos tenham conseguido certa recuperação em sua renda, no caso do professorado há que se salientar uma imensa demanda por aprimorar constantemente sua formação, muitas vezes acadêmica, e sua bagagem cultural, o que demanda um grande e constante investimento. Além disso, é importante salientar que este alto índice aponta para outra fragilidade do trabalho docente, a necessidade de complementar sua remuneração exercendo outras funções.
Foto: René Cabrales
EC – Como você avalia o elevado percentual de trabalho extraclasse?
Campos – As instituições de ensino tem se utilizado, cada vez mais, da tecnologia de comunicação como ferramenta para ampliar o número de atividades e manter o professor sempre conectado. Estas ferramentas se por um lado aparentam facilitar o trabalho docente, por outro acabam por induzir e exigir que o professor assuma atividades adicionais. Algumas destas atividades eram antes exercidas por outros profissionais, outras são novas, que vêm ser adicionadas à extensa lista de funções do professor. Uma das características deste modelo é poder ser realizado a qualquer hora e em qualquer lugar, seja na própria instituição de ensino, no horário de intervalo, após o final das aulas, ou mesmo à distância, diretamente da casa do professor, à noite ou aos finais de semana. Lembro-me de algumas frases que traduzem bem esta realidade: “o professor é 24 horas por dia professor”, “o professor tem que estar sempre à disposição da instituição, dos alunos, dos pais, da chefia, a todo o momento, em qualquer hora”, ou “chego em casa e mal falo com meus filhos, vou direto para o computador, responder email, inserir notas, fazer relatório”. Os impactos deste excesso de atividades para a saúde física e mental são evidentes e eles se manifestam nas relações familiares e sociais, na ausência de tempo para lazer, para estudo, para descanso. A pesquisa indica que 70% dos professores frequentemente exercem tarefas docentes fora de seu horário de trabalho, sendo que quase 30% acabam por também exercer tarefas que estão além de sua função.
EC – Como pode ser explicada a grande incidência de problemas alérgicos?
Campos – O esgotamento físico e mental é um dos fatores que contribui para uma queda da capacidade imunológica, que está relacionada com a capacidade do organismo de enfrentar agentes alérgicos. Existem vários sintomas que indicam o surgimento de alergias como os resfriados constantes, espirros, dores de cabeça, coceiras e coriza, dentre outros. Os fatores ambientais tradicionais como poluição e poeira são potencializados, no caso dos professores, por um agudo quadro de cansaço físico e mental que contribui para o surgimento de quadros alérgicos.
EC – Qual a relação existente entre os 78% de professores que apontaram cansaço e esgotamento frequentes nos últimos seis meses com a atividade docente?
Campos – Este cansaço e esgotamento físico e mental estão diretamente relacionados ao trabalho destes profissionais, sobretudo se recordarmos as queixas de excesso de trabalho, de tarefas e atividades extraclasse, a pressão e o assédio moral no trabalho. Além disso, em vários momentos durante as entrevistas os professores deixaram claro alguns períodos ao longo do ano letivo onde este cansaço e esgotamento são intensificados, como ao final do ano letivo, período de avaliações e fechamento de notas. Cerca de 45% dos professores entrevistados apresentaram algum problema de saúde física ou mental relacionado ao seu trabalho, sendo que 39% precisou se ausentar do trabalho por ao menos um dia em razão destas doenças.
EC – Como é avaliado o índice de utilização de medicamentos (20%)?
Campos – Com extrema preocupação. Sobretudo porque a medicalização parece estar sendo utilizada para manter o professor em atividade, ou seja, o professor que está adoecendo e sofrendo por conta de seu trabalho passa a utilizar estimulantes e antidepressivos para poder manter-se trabalhando, ao passo que utilizam calmantes ou outros tipos de medicamentos para poder descansar e dormir. É importante notar que em outras atividades profissionais este mesmo expediente perigoso é utilizado, talvez o mais conhecido seja o “rebite”. Levantamos que os professores têm recorrido a medicamentos estimulantes, calmantes ou tranquilizantes, antidepressivos, para memória e para auxiliar no sono. Em alguns dos casos, recorrendo à automedicação, o que constitui um risco ainda maior.
EC – A sensação de não dar conta de tudo que se tem para fazer no dia pode estar diretamente ligado aos distúrbios do sono?
Campos – O acúmulo crescente de tarefas e atividades que são colocadas sob responsabilidade do professor leva a um aumento significativo da sensação de não ser capaz de dar conta de tudo o que se tem para fazer no dia de trabalho, o que é relatado como frequente por 42% dos entrevistados. Os problemas e dificuldades relacionados ao sono atingiram 59% dos entrevistados nos últimos seis meses, sendo que esta frequência tem sido maior em razão de preocupações em 36% dos professores entrevistados. Estes problemas mantêm relação direta com a quantidade excessiva de atividades e tarefas e a sensação de impotência para dar conta destas. Nas entrevistas, os professores relataram a preocupação crescente e angustiante com esse volume de tarefas. É importante também adicionarmos a capacidade de manter concentração naquilo que faz. Quase a metade dos professores tem sentido dificuldades de concentração em tarefas mais do que usualmente.
EC – Em que momentos pode ser identificada a Síndrome de Burnout nesta pesquisa?
Campos – Dois aspectos principais devem ser observados quando falamos de Síndrome de Burnout. Em primeiro lugar, ela tenta descrever o processo de esgotamento psíquico no trabalho que fica evidente quando 47% dos professores afirmam se sentir constantemente esgotados e sob pressão mais do que o habitual, sendo que este número sobe para 78% quando considerados os últimos seis meses. Em segundo lugar, o processo de aumento significativo de irritação e impaciência que 41% dos professores alegam sentir frequentemente. É justamente esse o quadro descrito pelo que chamamos Síndrome de Burnout, ou seja, um sentimento de exaustão, de perda de enorme energia e de impotência para ação. É um processo lento que vai sendo desenvolvido vagarosamente, sobretudo através de uma situação de trabalho que o trabalhador não suporta mais, mas que também da qual não pode desistir.
EC – E os 17% que admitem sofrer violência na escola?
Campos – Muito preocupante, pois professores vivenciando ou presenciando violência na escola é um fator que vem se somar em um processo de desgaste físico e mental, de ruptura de relações no trabalho e de um mal-estar do trabalho docente que formam um conjunto complexo. Em um contexto de trabalho que agrava a saúde dos professores, situações de violência tendem a dificultar ainda mais este quadro. Este é um debate que deve ser aprofundado, seria a violência vivenciada na escola totalmente desconectada do contexto de sofrimento no trabalho dos professores? Considero que esta e outras questões devam ser respondidas coletivamente.
EC – O professor do ensino privado costuma trabalhar com dor?
Campos – Trabalhar sentindo algum tipo de dor parece ser uma constante na atividade docente. No caso dos professores do ensino privado gaúcho, encontramos que a grande maioria dos docentes que foram entrevistados alega que já trabalharam sentindo algum tipo de dor. Os docentes dizem que as regiões mais afetadas pelas dores são costas, cabeça, pernas e pés, ombros e braços. Outro fator que chama a atenção é que 44% dos entrevistados possuem diagnóstico de algum tipo de doença relacionada aos músculos, ossos ou articulações onde se destacam as tendinites, bursites e artrites.
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