segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Comissão rejeita gratificação por tempo de serviço na CLT

Da Agência Câmara
Em Brasília
A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio rejeitou, na última quarta (17), a inclusão da gratificação por tempo de serviço na remuneração do empregado vinculado ao regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

A medida está prevista no Projeto de Lei 440/07, da deputada Sandra Rosado (PSB-RN). O relator na comissão, deputado Guilherme Campos (DEM-SP), defendeu a rejeição da proposta por considerar que ela aumentaria o custo do emprego no Brasil.

Tributos extorsivos

Segundo ele, “da perspectiva do empresário, a implementação da medida representa aumento das obrigações trabalhistas e encargos sociais que já recaem sobre os salários”. Ele ressalta que a carga tributária sobre o salário, no Brasil, é uma das maiores do mundo.

Guilherme Campos acrescenta que os trabalhadores também poderiam ser prejudicados com a possível redução dos postos de trabalho. “Empresas com dificuldades de honrar seus compromissos poderiam demitir os trabalhadores mais antigos, cujos salários detivessem participação maior na folha de pagamentos”, disse.

Tramitação

A proposta foi aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Públcio. Ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votada pelo Plenário

Túnel para mineiros presos

está perto de ser concluído

na Nova Zelândia

Equipes de resgate na Nova Zelândia esperam concluir nesta segunda-feira (22) a perfuração de um túnel de 160 metros para chegar até o local onde se imagina que estejam os 29 trabalhadores presos desde sexta-feira em uma mina de carvão.


Por volta das 7h30 (hora de Brasília), estimava-se que o túnel estivesse a apenas 20 metros do local onde estariam os mineiros. O plano é enviar pelo túnel, de 15 centímetros de diâmetro, uma sonda para checar os níveis de toxicidade do ar e sinais de vida.

Será também enviado um robô do Exército neozelandês capaz de captar imagens e viajar por até 2,5 km.

O premiê do país, John Key, disse que os homens podem estar vivos, embora responsáveis pelas operações de resgate tenham afirmado estar preparados para qualquer cenário, inclusive "possíveis perdas de vidas".

Dificuldade

Os trabalhadores da mina Pike River, próxima à cidade de Greymouth, na Ilha Sul, têm idades entre 17 e 62 anos. Vinte e quatro deles são neozelandeses, dois são australianos, dois são britânicos e um é sul-africano. Desde a explosão, as equipes de resgate não conseguiram captar nenhum sinal de vida deles.

No domingo, parentes dos trabalhadores visitaram o local do acidente para ver os equipamentos usados e entender as dificuldades da operação.


Segundo especialistas, os altos níveis de gases tóxicos no local tornam arriscada demais qualquer tentativa de entrar na mina, mas as autoridades dizem ainda estar confiantes de que encontrarão os trabalhadores com vida.

O presidente da Pike River, Peter Whitthall, disse que a mina é relativamente pequena e que os mineiros estariam trabalhando perto um dos outros.

Cada mineiro levava um suprimento de 30 minutos de oxigênio, o suficiente para que chegassem até depósitos de oxigênio que durariam vários dias.

Whittall disse ainda que há água na mina e que a temperatura lá seria de 25 graus. Acredita-se que os mineiros estejam a cerca de 160 metros de profundidade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Contratação rápida eleva gravidade de acidentes no local de trabalho

Valor Econômico - 28/10/2010
Marta Watanabe | De São Paulo


As empresas tiveram mais dias de trabalho perdidos em 2009 por conta de acidentes de trabalho. Também houve elevação do custo médio de cada acidente. Os dois dados indicam que aumentou a gravidade dos acidentes.
Essa é uma das conclusões de levantamento da Marsh Risk Consulting, em pesquisa com 86 empresas, 540 locais de trabalho e um total de 193,7 mil trabalhadores. Segundo o estudo, em 2009, o conjunto das empresas pesquisadas perdeu 31.894 dias por conta de afastamento de trabalhadores por acidentes no local de serviço. O número significa alta de 35% em relação ao ano anterior.
Para Sergio Duarte Cruz, consultor responsável pela pesquisa, o dado é preocupante. "O crescimento foi maior do que o acréscimo de 30,5% no número de trabalhadores pesquisados, " diz.
O levantamento foi realizado com empresas das áreas de metalurgia, alimentos, papel, varejo, além de fabricantes de produtos químicos e têxteis. A pesquisa leva em consideração acidentes no local do trabalho e de trajeto. Não entraram na contabilização as doenças ocupacionais.
Com o aumento no número de dias afastados, houve elevação no custo médio de cada acidente. No ano passado, o desembolso estimado por acidente foi de R$ 3,9 mil, o que significa um aumento de 68,5% em relação a 2008. No ano passado, foram registrados 2.213 acidentes, o que significa alta de 11% em relação ao ano anterior.
Para Cruz, a elevação de gravidade está relacionada ao aumento dos acidentes de trajeto e também com a necessidade de rápida contratação por causa do mercado aquecido.
Isso, explica o consultor, aumenta o nível de terceirização e reduz o tempo de treinamento e integração dos funcionários.
Os acidentes de trabalho têm tido repercussão maior na carga tributária das empresas. O estudo da Marsh também verificou o impacto do nível de sinistralidade no Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Segundo pesquisa com 64 empresas de médio e grande porte, 80% delas tiveram aumento nas alíquotas da contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) desde janeiro de 2010, quando entrou em vigor o novo cálculo do FAP.
O FAP é uma forma de cálculo utilizada para bonificar empregadores que tenham feito melhorias nas condições de trabalho e apresentado menores índices no número de acidentes. Ao mesmo tempo, a equação eleva a carga do SAT para empresas com nível de acidentes superior à média de seu setor econômico. O FAP varia ano a ano e é calculado levando em conta os dois últimos anos. Trata-se de um cálculo feito por empresa.
Para Cruz, o resultado surpreende, já que poucas empresas conseguiram reduzir as alíquotas do SAT. Das 64 companhias analisadas pela seguradora, explica, 31 empresas tiveram aumento acima de 31% nas alíquotas da contribuição, enquanto seis empresas sofreram elevação entre 21% e 30%. Outras 16 empresas tiveram acréscimo de até 20%.
Atualmente, o SAT é pago pelos empregadores nas alíquotas básicas de 1%, 2% e 3% sobre a folha de salários. Com o FAP, porém, a alíquota efetiva passa a ser definida pelo desempenho de cada empresa. As empresas que melhorarem os índices de acidentes em relação ao seu segmento econômico podem ser beneficiadas com redução de até 50% em suas alíquotas, enquanto os empregadores com desempenho negativo podem sofrer elevação de carga de até 100%.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

País cria 2,2 milhões de empregos no ano e renova recorde

Em setembro, porém, foram criadas 246.875 vagas, sem o recorde mensal previsto pelo ministro do Trabalho

SÃO PAULO/BRASÍLIA - O volume de vagas de trabalho geradas com carteira assinada de janeiro a setembro é recorde para o período. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira, 19, pelo Ministério do Trabalho, o total de vagas geradas no período foi de 2.201.406. "Já nem falo mais em recorde, já estamos vendo isso há algum tempo e estamos acostumados", minimizou o ministro Carlos Lupi.

Os melhores nove meses, segundo dados do Caged na criação de empregos até então foram registrados em 2008. Naquele ano, foram gerados de janeiro a setembro, 2,086 milhões de postos de trabalho.

A meta de Lupi para o ano é a criação de 2,5 milhões de postos de trabalho. Para isso, faltam 298.594 empregos. "Mantenho a meta porque o resultado de setembro sofreu efeito de sazonalidade. Vamos ter crescimento forte em dois meses, mas queda em dezembro", previu o ministro, lembrando que este é o desenho do indicador. No mês passado, foram gerados 246.875 postos.

Ao contrário do previsto, dado de setembro não bateu recorde
O saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no Brasil em setembro foi positivo em 246.875 vagas. Em setembro do ano passado, foram criados 252 mil postos de trabalho formais. O maior volume da série histórica para o mês, no entanto, ainda é o de setembro de 2008, quando houve contratações líquidas de 282.841. Em agosto de 2010, o Ministério registrou 299 mil novas vagas de emprego.

Na véspera do Dia do Trabalho, o ministro Carlos Lupi ampliou sua meta de geração de empregos com carteira de 2 milhões para 2,5 milhões em 2010, depois de sucessivos resultados recordes nos meses verificados até aquele momento. Lupi também previa recordes mensais até o mês novembro.

Cálculos realizados pelo Banco Fator mostraram que o saldo líquido de postos formais de trabalho criados no Brasil passou de 189 mil, em agosto, para 154 mil em setembro, em termos dessazonalizados. As contas da equipe de analistas da instituição, liderada pelo economista-chefe, José Francisco de Lima Gonçalves, foram feitas após o Ministério do Trabalho e Emprego anunciar nesta terça-feira que o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês passado.

Números dessazonalizados do Caged costumam ser calculados pelas instituições do mercado financeiro, podendo alcançar níveis diferentes, dependendo da conta de cada economista. No caso do Banco Fator, a equipe de analistas informou que utilizou o programa Arima X-12.

Segundo o Banco Fator, o nível dessazonalizado voltou à trajetória de queda, iniciada em abril de 2010 e interrompida apenas em agosto. "O indicador do Caged mostra que a economia voltou a desacelerar e que o forte dado de agosto parece ter sido mais um outlier (ponto fora da curva) do que um indicador de mudança de tendência", comentaram os analistas do banco, em breve relatório enviado à imprensa.

Fonte: Estado de São Paulo

Sarkozy promete ação contra manifestantes e refinarias

Presidente classifica greve de antidemocrática e reitera que aprovará reforma da previdência

PARIS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, jurou intervir nas ações dos "arruaceiros" que entrarem em confronto com a polícia nos protestos que tomaram o país nos últimos dias contra uma reforma no sistema previdenciário.

Sarkozy disse compreender "a inquietação" gerada pela reforma, insistiu que a oposição tem direito de manifestar-se "sem violência" e reiterou que não voltará atrás porque o déficit atual do sistema de previdência "não pode durar".

O presidente francês assinalou que no seu retorno a Paris nesta tarde vai resolver a questão, porque "há muita gente que quer trabalhar" e "não pode porque não tem combustível". Ele indicou que trabalhará com as forças da ordem para conter os atos de violência.

Sarkozy ainda disse que a paralisação das atividades nas refinarias - o que causa falta de combustíveis nos postos do país - "não podem existir em uma democracia, onde há pessoas que querem trabalhar". O presidente insistiu que é seu dever aprovar a reforma da previdência, embora as manifestações estejam ganhando proporções maiores e caráter violento.

Segundo Sarkozy, o aumento demográfico e da expectativa de vida demandam a extensão da idade mínima para a aposentadoria - que passará de 60 para 62 anos. O presidente ainda disse que outras nações europeias já tomaram a mesma decisão.

Paralisação
Os serviços aéreo, ferroviário, rodoviário e de abastecimento de combustíveis na França estão prejudicados pelas paralisações, que contam com a adesão dos movimentos estudantis.

Todas as 12 refinarias da França continuam em greve. Os produtos derivados de petróleo não estão deixando as fábricas, exceto aqueles enviados para suprir os serviços de emergência, informou a Confederação Geral do Trabalho (CGT), central sindical que representa os trabalhadores. "Todas as refinarias estão em greve", disse Charles Foulard, acrescentando que a ação continuará em "quase todas" as refinarias até sexta-feira, já que os trabalhadores votaram a favor da manutenção do protesto.

Os protestos nacionais chegaram ao 6º dia nesta terça-feira. Estão programados mais de 200 protestos de rua na França. Nas cidades de Lyon e Nanterre, já foram registrados confrontos entre estudantes e as forças de segurança. Segundo uma pesquisa do instituto CSA, as manifestações contra a reforma da previdência têm o apoio de 71% dos franceses.

Ainda que o país tenha reservas de combustível para várias semanas e os distribuidores de combustível possam importar combustível de países vizinhos, há o temor de que a falta do produto leve muitas pessoas a correr para fazer estoques, acabando com as reservas nos postos em algumas áreas, alertou ontem Jean-Louis Schilansky, presidente da União Francesa de Indústrias Petrolíferas.

Outros serviços
A Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF, na sigla em francês) anunciou que, por enquanto, suas previsões estão sendo cumpridas. Para esta terça está prevista a circulação de 60% dos trens com saída ou destino a Paris, metade dos trens de alta velocidade (TGVs), 25% dos trens regionais e todos os Eurostar.

Nos aeroportos de Paris, serão cancelados 50% dos voos de Orly e 30% das chegadas e partidas do internacional Roissy-Charles de Gaulle. A companhia aérea Air France estima manter 100% dos voos de longa distância, 80% dos voos de média distância e 50% dos voos de curta distância.

Nas rodovias francesas, as ações de bloqueio conhecidas como "operações caracol" começam a ser sentidas sobretudo nas estradas de acesso a Paris. A greve também terá repercussão em La Poste - empresa pública de correios -, na France Télécom e no setor público audiovisual.

Um terço dos professores primários também cruzará os braços, segundo os sindicatos, número que o Ministério da Educação reduz para 10%. Além disso, cinco universidades se somarão à greve. Este será um dos pontos mais sensíveis da jornada, já que os protestos estudantis resultaram em 196 detenções e em torno de 20 policiais feridos na segunda.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Aos Queridos Professores

Mais uma vez, desejamos aos professores e professoras que fazem toda a diferença em nossa sociedade:

Feliz Dia dos Professores!!!!!!
Com muito carinho, respeito e admiração.

Equipe Diesat

Você sabe como surgiu o Dia do Professor?



O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil.

No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.

Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.

Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.

O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.

A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Após resgate, 33 mineiros repousam em hospital e preparam-se para fama mundial

Após mais de dois meses isolados a quase 700 metros de profundidade, os 33 mineiros resgatados com sucesso no Chile passam agora por exames médicos para avaliar sua condição atual de saúde e preparam-se para enfrentar o status de celebridades mundiais.


Resgatados após 22 horas de trabalho ininterrupto, a maioria repousa em hospitais de Copiapó, onde se recuperam dos mais de dois meses de reclusão.

Alguns têm cáries e ao menos um foi diagnosticado com pneumonia, mas em geral o estado dos trabalhadores é muito positivo.


O ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, informou nesta quinta-feira que alguns devem ter alta antecipada, devido ao bom estado de saúde.

Enquanto isso, indicações da fama internacional que os 33 já atingiram não param.

Homenagens e saudações de diversos chefes de Estado já foram recebidas. Presidentes dos Estados Unidos, Brasil, México e Rússia se manifestaram, e até um filme deve ser produzido sobre a história.

O longa-metragem já tem nome. "Los 33", disse o diretor Rodrigo Ortúzar, "é uma grande história para se contar".

O artista antecipou que o filme será "uma mistura de ficção e imagens já gravadas" por emissoras de TV do país e por sua equipe. O cineasta está registrando imagens das operações de resgate em pleno deserto de Atacama.

"Minha ideia é fazer uma história que esteja focada no soterramento e, ao mesmo tempo, no renascimento dos mineiros quando eles voltarem à superfície", explicou.

PRESENTES E OFERTAS

Esses trabalhadores outrora anônimos agora são tratados como celebridades. Real Madrid e Manchester United, por exemplo, convidaram-nos para ver os times jogarem na Europa. Um cantor e empresário local resolveu dar 10 mil dólares a cada um deles; Steve Jobs, da Apple, mandou um iPod último tipo para todos, e uma empresa grega ofereceu uma excursão pelas ilhas do Mediterrâneo.

Com a possibilidade de assinarem contratos para transformar a experiência em livros e filmes, poucos dos trabalhadores devem voltar às minas.

EUFORIA E PATRIOTISMO

Em cidades de todo o país, buzinas, gritos e sinos celebraram o resgate do último dos mineiros. No acampamento Esperanza, onde os parentes dos mineiros passaram as últimas semanas, lágrimas e risos se misturavam.

A conclusão do resgate gerou euforia no Chile. Os mineiros, recordistas mundiais de sobrevivência subterrânea, foram saudados como heróis nacionais e desencadearam uma onda de patriotismo, num país que ainda se recupera de um devastador terremoto em fevereiro.

A popularidade do presidente Sebastián Piñera também disparou por causa da bem-sucedida operação. Ele esteve na mina San José recepcionando vários dos trabalhadores que subiam, e ainda pretende receber todos eles no Palácio de la Moneda, em Santiago.

SUCESSO DA OPERAÇÃO

Foram 69 dias de reclusão a 622 metros de profundidade --17 dias sem que o mundo lá fora soubesse se estavam vivos ou mortos. Após quase 23 horas de esforços, o Chile entra para a história nesta quarta-feira com uma operação de resgate sem precedentes, e os 33 mineiros ganham a atenção do mundo, num misto de heróis com celebridades.

E em pouco mais de 25 horas no total, os seis socorristas enviados para ajudar os mineiros também foram içados de volta à superfície.

Florencio Ávalos entrou para a história como o primeiro mineiro a sair da mina, à 0h11. Igrejas de todo o país badalaram seus sinos para comemorar, atendendo a uma sugestão do presidente Sebastíán Piñera. O último a sair foi Luis Urzúa. Ele exerceu a função de líder, e foi o primeiro mineiro a conversar com as autoridades.

Todos os mineiros são levados de maca para um hospital de campanha montado ao lado do poço, e de lá para um centro médico na cidade de Copiapó. Em geral, apresentam boas condições de saúde. Somente um apresentava um quadro de pneumonia e estava sendo tratado com antibióticos, disse a jornalistas o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.


Em 5 de agosto, a estrutura da mina San José cedeu, e deixou os 33 mineiros presos a mais de 600 metros de profundidade. O incidente na pequena mina de cobre e ouro no norte do Chile colocou a cidade de Copiapó (800 km ao norte de Santiago) no mapa do mundo.

Foi só em 22 de agosto, quando a esperança de encontrar sobreviventes já era ínfima, que funcionários da equipe de resgate ouviram batidas na máquina perfuradora que tentava encontrar os mineiros. Com poucas palavras, eles mandaram um recado: "Os 33 de nós no abrigo estão bem", dizia um bilhete colado à máquina.

Todos os mineiros foram recebidos na superfície com aplausos e gritos de guerra --"Chi-chi-chi-le-le-le"-- pelos milhares de familiares, jornalistas e curiosos que inundaram o acampamento Esperanza. A história de superação e sobrevivência chamou a atenção da mídia mundial. Cerca de 1.500 jornalistas estão no local para registrar os últimos acontecimentos do resgate, que foi transmitido ao vivo em todo o mundo.

Telões foram instalados em lugares públicos em todo o Chile para que o povo pudesse assistir e comemorar com a saída de cada um dos 32 chilenos e do boliviano. As igrejas em todo o país badalaram seus sinos para comemorar

O resgate bem-sucedido também foi um ponto positivo para a popularidade do presidente Sebastián Piñera, que esperou no local para abraçar a cada um dos mineiros na saída da cápsula Fênix, pintada em vermelho, azul e branco em homenagem às cores da bandeira chilena.

LULA

O governo brasileiro está acompanhando "com grande alegria" o resgate dos mineiros presos no Chile, informou o Itamaraty em comunicado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou hoje de manhã com o chileno Sebastián Piñera, e o ministro Celso Amorim telefonou ao chanceler do Chile, Alfredo Moreno.

"Quero parabenizar pelo extraordinário trabalho realizado", afirmou Lula.

"Presidente Lula, agradeço muito suas palavras, agradeço muito suas felicitações em nome de todos os chilenos", declarou Piñera na conversa transmitida pela televisão local e reproduzida por emissoras do mundo todo. "Estamos vivendo um dia desses que não se esquecem nunca mais em nossas vidas, de emoção, de alegria, de esperança, de força, de companheirismo, de fé", continuou o mandatário chileno.

"Estamos o aguardando no Chile, um abraço muito grande, o maior abraço do mundo", disse ainda Piñera a Lula na conversa por telefone, agradecendo pela solidariedade do povo brasileiro.

Lula disse ainda ao colega chileno que ele deve estar seguro de que todos estão muito orgulhosos da atuação do governo, trabalhadores e técnicos envolvidos no resgate. Piñera passou o telefone para o presidente da Bolívia, Evo Morales, falar com o brasileiro.

"Cuide bem de seu mineiro", disse Lula a Morales.

LISTA

Saiba mais sobre os mineiros que já foram salvos:

1- Florencio Ávalos: 31 anos, capataz, casado e pai de um filho de sete anos. Irmão de Renán, outro dos mineiros presos. Por sua condição de capataz, era o segundo na hierarquia, depois do chefe de turno. Sua habilidade em lidar com situações críticas, juventude, assim como experiência na mina, (trabalha no setor há 8 anos) fez com que ele fosse escolhido para a ser o primeiro a subir por meio da cápsula.

A escolha de Ávalos tem, além disso, um caráter simbólico: foi o primeiro "rosto" da tragédia que percorreu o mundo, quando em 22 de agosto uma câmara de vídeo chegou ao interior da mina e ele se colocou diante do aparelho.

Alfonso Ávalos, pai dos irmãos Florencio e Rénan, não escondeu sua felicidade perante a decisão.

"Fico muito feliz que meu filho seja o primeiro, é uma honra", disse ele.

"Eles costumavam realizar os mesmos turnos, porque Florencio ensinava Renan, que estava em seus primeiros passos", explicou à imprensa sua irmã Katherine.

2- Mario Sepúlveda: 40 anos, eletricista, casado. Foi o apresentador da maioria dos vídeos dos mineiros que foram divulgados. Após ser resgatado, ele agradeceu às autoridades pelo êxito na operação e criticou a situação das minas no Chile.


"Era o momento de fazer mudanças. Este país tem de entender que é preciso fazer mudanças", declarou ele à emissora TVN, em alusão às condições de insegurança nas quais se desenvolve a atividade mineradora nas pequenas e médias empresas. "Não podemos ficar assim sob nenhuma circunstância", acrescentou.

Considerado o "porta-voz" do grupo por narrar os vídeos gravados no interior da mina, Sepúlveda foi recebido pela mulher e pelos dois filhos, além dos integrantes da equipe de resgate e das autoridades, entre elas o presidente Piñera e o ministro de Minas, Laurence Golborne.

Embora alguns meios de comunicação tenham destacado seus dotes de comunicador, Sepúlveda descarta atuar em outra profissão no momento.


"Não quero que me tratem como artista nem como animador, mas como o Mario Sepúlveda minerador", finalizou.

3- Juan Illanes: 52 anos, mineiro, casado. Veterano do conflito na fronteiro que quase gerou uma guerra entre o Chile e a Argentina, em 1978.

4- Carlos Mamani: boliviano de 23 anos, é operador de maquinário pesado, casado com a também boliviana Verónica Quispe e pai de uma filha de poucos meses. É o único do grupo que não é chileno. Ele agradeceu a oferta feita pessoalmente pelo presidente Evo Morales de retornar ao seu país, mas disse que ficará no Chile.

A resposta do minerador frustrou as expectativas do líder boliviano, que previamente tinha manifestado seu desejo de levar o mineiro e sua família de volta ao país.


No início da semana, Morales disse que pretendia estar presente quando o compatriota fosse resgatado, mas acabou chegando ao local várias horas após Mamani ser içado na cápsula Fênix 2.

Os familiares de Mamani também agradeceram ao governo do Chile pelo resgate e o sogro do minerador, Johnny Quispe, reconheceu ainda o gesto do empresário chileno Leonardo Farkas de doar 5 milhões de pesos (US$ 10.400) a cada minerador

5- Jimmy Sánchez: 19 anos, mineiro, solteiro. É o mais jovem do grupo.

6- Osman Araya: 30 anos, mineiro, casado. Trabalhava somente há quatro meses na mina.

7- José Ojeda: 46 anos, encarregado da perfuração, viúvo. Sofre de diabetes e foi quem escreveu a mensagem que anunciou ao mundo que todos estavam com vida. "Estamos bem no refúgio, os 33."

8- Claudio Yáñez: 34 anos, operador de broca, solteiro.

9- Mario Gómez: 63 anos, motorista, casado. É o mais velho do grupo, e sua subida foi cercada de cuidados devido à sua condição de saúde, considerada mais delicada. É filho de mineiro e foi apelidado de "O Navegador", por seu passado como mercante da Marinha. Sua mulher, Lilian Ramírez, teme que ele volte a trabalhar nas minas, mesmo depois de passar por essa experiência.


10- Alex Vega: 32 anos, mecânico de maquinaria pesada, casado. Em 22 de setembro, comemorou seu aniversário dentro da mina.

11- Jorge Galleguillos: 56 anos, mineiros, casado. Trabalhou toda sua vida na mina e sofre de hipertensão.

12- Edison Peña: 34 anos, mineiro, solteiro. Na primeira gravação, expressou seu desespero ao dizer: "Quero sair logo".

13- Carlos Barrios: 27 anos, mineiro, solteiro. Seu pai, Antenor Barrios, disse como acho que ele estava após a primeira conversa: "Encontrei-o com forças e vontade. Uma voz forte e clara. Me emocionei."

14- Víctor Zamora: 33 anos, mecânico automotivo, casado. Preso na mina, recebeu a confirmação de que sua mulher, Jéssica Cortez, está grávida.

15- Víctor Segovia: 48 anos, eletricista, casado. É o encarregado de registrar por escrito tudo o que acontece dentro da mina.


16- Daniel Herrera: 27 anos, motorista de caminhões, casado. Sua mãe, Alicia Campos, contou que prometeu não chorar quando conseguiu falar com ele lá embaixo. "Não cedi até que disse 'tchau, meu filhinho'", contou.

17- Omar Reygadas: 56 anos, eletricista, casado. Tinha acabado de começar a trabalhar na mina.

18- Esteban Rojas: 44 anos, encarregado de manutenção, casado. Ele prometeu por carta a sua mulher, Jessica Yáñez, com quem se casou no civil há 25 anos, que ao sair fariam uma cerimônia religiosa.

19. Pablo Rojas: 45 anos, carregador de explosivos, casado. Tinha menos de meio ano trabalhando na mina.

20. Dario Segovia: 48 anos, operador de broca, casado. Sua mulher, Jessica Chille, conseguiu falar com ele após 24 dias. "Ouvir sua voz foi um alívio para o meu coração", disse ela.

21. Yonni Barrios: 50 anos, eletricista, casado. Por seus conhecimentos de enfermaria, foi encarregado de elaborar relatórios médicos de seus companheiros e de vaciná-los. Do lado de fora, ele foi disputado a tapas por duas mulheres.


22- Samuel Avalos: 43 anos, acaba de chegar à superfície. Ele é o 22º mineiro resgatado.

23- Carlos Bugueño: 27 anos, solteiro. Antes de entrar na mina, trabalhava como segurança.

24- José Henríquez: 54 anos, encarregado de perfuração, casado. Tem sido o guia espiritual dos mineiros.

25- Renán Ávalos: 29 anos, solteiro. Renán trabalhava na mina há cinco meses e é irmão do capataz Florencio Ávalos.

26- Claudio Acuña: 44 anos, operador de perfuradora, solteiro. Declarado fanático pelo popular time de futebol Colo Colo.

27- Franklin Lobos: 53 anos, motorista, solteiro. Ex-jogador de futebol, com passagem rápida pela seleção chilena.

28- Richard Villarroel: 27 anos, mecânico, solteiro.


29- Juan Aguilar: 49 anos, supervisor, casado. Sua mulher, Cristy Coronado, disse: "Para mim isso é como um sonho. Às vezes, espero acordar e encontrar minha vida de antes."

30- Raúl Bustos: 40 anos, mecânico hidráulico, casado. Trabalhava como mecânico nos estaleiros da Marinha do Chile, em Talcahuano, um porto no sul, destruído pelo tsunami de 27 de fevereiro. Isso o obrigou a procurar trabalho na mina.

31- Pedro Cortez: 24 anos, eletricista, solteiro. Perdeu um dedo na mina há um ano.

32- Ariel Ticona: 29 anos, motorista de maquinário pesado, casado. Sua mulher, Margarita, deu à luz a sua terceira filha enquanto o marido estava preso na mina. A menina foi batizada de Esperanza.

33- Luis Urzúa: 54 anos, topógrafo e chefe de turno, casado. Ele exerceu a função de líder e foi o primeiro que falou com as autoridades.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trabalhar em local barulhento pode aumentar o risco cardíaco

O que é ruim para os ouvidos também pode fazer mal ao coração. Segundo estudo, pessoas que trabalham em locais ruidosos há pelo menos um ano e meio têm três vezes mais chance de sofrer um grave problema cardíaco do que quem trabalha em ambientes silenciosos.

Os pesquisadores da Universidade de British Columbia, nos EUA, examinaram, entre 1999 e 2004, mais de 6.000 pessoas com mais de 20 anos de idade. O estudo foi publicado na revista "Occupational and Environmental Medicine".

Os participantes foram solicitados a classificar o nível de barulho nos seus locais de trabalho e há quanto tempo estavam expostos a ele.

Após o cruzamento de dados, os pesquisadores concluíram que quem trabalhava em locais mais barulhentos tinha até três vezes mais chance de ter um ataque cardíaco ou dores no peito.

Segundo o cardiologista Carlos Alberto Pastore, do Incor, trabalhar sob constante ruído facilita a liberação de hormônios relacionados com o estresse: a adrenalina e o cortisol. "O gatilho que acelera o processo inflamatório das artérias é o estresse."

No entanto, para o médico, o estresse só é um problema quando passa a ser constante. Nesse caso, o estresse excessivo deve ser considerado um fator de risco como qualquer outro.

"Tudo aquilo que está relacionado à esfera emocional é um problema de saúde tão grave quanto o colesterol."

Fonte: Folha de São Paulo

Brasil quer afastar precaução ambiental de agrocombustíveis

Itamaraty trabalha para evitar que precaução a impactos na biodiversidade sejam debatidos na Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas

Na 10a Conferência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas - de 18 a 29 de outubro, em Nagoya (Japão) -, o Brasil deve reforçar a disposição de evitar possíveis regulamentações ambientais para o setor de agrocombustíveis.

Segundo informações do Itamaraty, o governo deve dar prioridade aos interesses econômicos do país ante possíveis problemas ambientais envolvendo cultivos utilizados para a produção de agorenergia.

Durante a COP-9 em 2008, que foi realizada na Alemanha, o Brasil liderou manobras para postergar a decisão sobre a aplicação do principio da precaução - garantia contra os riscos potenciais à biodiversidade que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados em um determinado elemento ou evento - aos agrocombustíveis , o que rendeu uma inédita vaia pública aos diplomatas brasileiros.

O Brasil foi um dos primeiros países a aderir à CDB da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja função é definir regras para a conservação da biodiversidade do planeta, seu uso sustentável e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios resultantes da utilização dos recursos genéticos. A 8a Conferência das Partes (COP-8) teve inclusive Curitiba (PR) como sede.

Segundo o diretor do Departamento de Energia do Ministério de Relações Exteriores (MRE), ministro André Corrêa do Lago, os agrocombustíveis não deveriam ser discutidos na CDB, já que são tratados como tema prioritário em outros espaços, como a Convenção do Clima e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

"Não concordamos que um eventual impacto sobre a biodiversidade prejudique os agrocombustíveis, muito menos que se proponha uma moratória para o setor sob o princípio da precaução, como chegou a ser sugerido por países africanos. O que ocorre é que dá para produzir de forma boa ou de forma ruim. Vamos explicar como produzir de forma sustentável", defende.

De acordo com ele, "nada seria aprovado, se examinado do ponto de vista exclusivo dos impactos sobre a biodiversidade". "Temos que ter claro que, para o desenvolvimento de países pobres, as vantagens dos agrocombustíveis são mais importantes que as desvantagens", completa.

Na mesma direção, Pedro Brancante, que é subchefe da Divisão de Recursos Energéticos Renováveis do Ministério de relações Exteriores (MRE), afirma que a delegação brasileira desconsidera as incertezas científicas quanto aos agrocombustíveis. Para ele, o pais já desenvolveu pesquisas e práticas suficientes para comprovar a segurança dessas culturas e defende que, "mesmo passando por uma abordagem precautória, os agrocombustíveis não merecem ser objeto [da CDB] quanto à sua
incerteza científica".

"A CDB só enxerga um pedaço da cadeia, que trata da agricultura, e as culturas agroenergéticas são utilizada também para a produção de alimentos. Por isso, é incoerência singularizar os agrocombustíveis", prossegue.

Já Roberta Maria Lima Ferreira, da Divisão de Meio Ambiente do Itamaraty, explica que, na corrida pelos mercados agroenergéticos, o país tem feito investimentos altos e pretende garantir o retorno econômico. "O Brasil precisa se manter na liderança do setor [agroenergético]. Se não somos nós, outro país ocupa esta posição",
argumenta.

O posicionamento do governo brasileiro, que já causou preocupações entre movimentos e organizações socioambientalistas na COP-9 em 2008, vem gerando uma reação mais enfática neste ano.

Reunidas em Brasília nos dias 16 e 17 de setembro em plenária nacional para a elaboração de recomendações ao governo quanto à COP-10, as organizações exigiram que o posicionamento do Brasil "esteja voltado à conservação e uso sustentável da biodiversidade, pautando-se pelos princípios da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, principalmente o Princípio da Precaução". E continuam: "É inaceitável que a posição do Brasil se paute por interesses de mercado, subordinando a Convenção da Diversidade Biológica às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)".

De acordo com Gabriel Bianconi Fernandes, assessor técnico da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), a tendência implícita de defender interesses econômicos nas negociações da CDB (em detrimento de princípios balizadores já acordados) não apenas viola a legislação brasileira, como também ameaça a própria instituição.

"A Lei de Biossegurança do Brasil é baseada no princípio da precaução. Se o Brasil forçar um precedente com a exceção dos agrocombustíveis estará esvaziando a própria CDB. O Brasil é pioneiro nas pesquisas de cana transgênica, por exemplo, sendo que três pedidos de liberação planejada já tramitam na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)", coloca o representante da AS-PTA, que participou da plenária nacional. "Os agrocombustíveis tem um enorme potencial de impacto sobre a biodiversidade, uma vez que são produzidos no modelo de monoculturas extensivas, com grande exposição, uso de produtos químicos e dificílima prevenção de impactos sobre o meio ambiente. A começar por isso, é imprescindível que os agrocombustíveis sejam tratados na CDB, e à luz do princípio da precaução".

A pesquisadora da ONG Terra de Direitos, Camila Moreno, alerta, por sua vez, para estágios mais avançados da tecnologia genética na produção de agroenergia, como o uso da biologia sintética. Esse recurso já é aplicado pela empresa norte-americana Amyris no Brasil. "Eles fizeram modificações genéticas em uma levedura, pegaram um organismo vivo, esvaziaram seu DNA e implantaram um novo. E esses fungos são capazes de processar a cana em tempo recorde. Imagine o que pode ocorrer com o
ambiente se esses organismos ´fugirem´ do laboratório", alerta Camila.

Entre as recomendações elaboradas ao governo, as organizações sociais e ambientais exigem o apoio à aplicação do principio da precaução à produção de agrocombustíveis e de suas matérias primas; a identificação dos biomas sensíveis e de alta biodiversidade como zonas de exclusão da produção de agrocombustíveis e de suas matérias primas (à exceção das atividades em pequena escala e de forma sustentável de agricultores familiares, comunidades locais e povos indígenas); e o veto ao desmatamento de vegetação primária e secundária para a produção de agrocombustiveis.

Pedem ainda que seja assegurado que a produção de agrocombustiveis não venha a ameaçar a segurança alimentar e nutricional, comprometendo o alcance global dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs); e que o governo dê apoio à recomendação de moratória da biologia sintética, assegurando que não seja permitida qualquer liberação destes organismos no ambiente, e que o seu uso comercial seja proibido (inclusive em ambientes confinados, como no setor de biorrefinaria), até que se entenda e avalie os impactos ambientais, culturais e socioeconômicos desta tecnologia.

Fonte: Brasil de Fato