terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sérgio Côrtes será o Ministro da Saúde no governo Dilma.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), confirmou nesta terça feira que o Secretário de Saúde do Estado, Sérgio Côrtes, aceitou o convite da presidente eleita, Dilma Roussef, para ser ministro da pasta no governo federal.

Até agora, Dilma já oficializou Guido Mantega no Ministério da Fazenda, Mirian Belchior no Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central.

Também já foram confirmadas as escolhas de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula, para chefiar a casa civil, e de Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete do presidente, para a secretaria Geral da Presidência. Paulo Bernardo, do Planejamento, deve ir para as Comunicações.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Comissão rejeita gratificação por tempo de serviço na CLT

Da Agência Câmara
Em Brasília
A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio rejeitou, na última quarta (17), a inclusão da gratificação por tempo de serviço na remuneração do empregado vinculado ao regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

A medida está prevista no Projeto de Lei 440/07, da deputada Sandra Rosado (PSB-RN). O relator na comissão, deputado Guilherme Campos (DEM-SP), defendeu a rejeição da proposta por considerar que ela aumentaria o custo do emprego no Brasil.

Tributos extorsivos

Segundo ele, “da perspectiva do empresário, a implementação da medida representa aumento das obrigações trabalhistas e encargos sociais que já recaem sobre os salários”. Ele ressalta que a carga tributária sobre o salário, no Brasil, é uma das maiores do mundo.

Guilherme Campos acrescenta que os trabalhadores também poderiam ser prejudicados com a possível redução dos postos de trabalho. “Empresas com dificuldades de honrar seus compromissos poderiam demitir os trabalhadores mais antigos, cujos salários detivessem participação maior na folha de pagamentos”, disse.

Tramitação

A proposta foi aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Públcio. Ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votada pelo Plenário

Túnel para mineiros presos

está perto de ser concluído

na Nova Zelândia

Equipes de resgate na Nova Zelândia esperam concluir nesta segunda-feira (22) a perfuração de um túnel de 160 metros para chegar até o local onde se imagina que estejam os 29 trabalhadores presos desde sexta-feira em uma mina de carvão.


Por volta das 7h30 (hora de Brasília), estimava-se que o túnel estivesse a apenas 20 metros do local onde estariam os mineiros. O plano é enviar pelo túnel, de 15 centímetros de diâmetro, uma sonda para checar os níveis de toxicidade do ar e sinais de vida.

Será também enviado um robô do Exército neozelandês capaz de captar imagens e viajar por até 2,5 km.

O premiê do país, John Key, disse que os homens podem estar vivos, embora responsáveis pelas operações de resgate tenham afirmado estar preparados para qualquer cenário, inclusive "possíveis perdas de vidas".

Dificuldade

Os trabalhadores da mina Pike River, próxima à cidade de Greymouth, na Ilha Sul, têm idades entre 17 e 62 anos. Vinte e quatro deles são neozelandeses, dois são australianos, dois são britânicos e um é sul-africano. Desde a explosão, as equipes de resgate não conseguiram captar nenhum sinal de vida deles.

No domingo, parentes dos trabalhadores visitaram o local do acidente para ver os equipamentos usados e entender as dificuldades da operação.


Segundo especialistas, os altos níveis de gases tóxicos no local tornam arriscada demais qualquer tentativa de entrar na mina, mas as autoridades dizem ainda estar confiantes de que encontrarão os trabalhadores com vida.

O presidente da Pike River, Peter Whitthall, disse que a mina é relativamente pequena e que os mineiros estariam trabalhando perto um dos outros.

Cada mineiro levava um suprimento de 30 minutos de oxigênio, o suficiente para que chegassem até depósitos de oxigênio que durariam vários dias.

Whittall disse ainda que há água na mina e que a temperatura lá seria de 25 graus. Acredita-se que os mineiros estejam a cerca de 160 metros de profundidade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Contratação rápida eleva gravidade de acidentes no local de trabalho

Valor Econômico - 28/10/2010
Marta Watanabe | De São Paulo


As empresas tiveram mais dias de trabalho perdidos em 2009 por conta de acidentes de trabalho. Também houve elevação do custo médio de cada acidente. Os dois dados indicam que aumentou a gravidade dos acidentes.
Essa é uma das conclusões de levantamento da Marsh Risk Consulting, em pesquisa com 86 empresas, 540 locais de trabalho e um total de 193,7 mil trabalhadores. Segundo o estudo, em 2009, o conjunto das empresas pesquisadas perdeu 31.894 dias por conta de afastamento de trabalhadores por acidentes no local de serviço. O número significa alta de 35% em relação ao ano anterior.
Para Sergio Duarte Cruz, consultor responsável pela pesquisa, o dado é preocupante. "O crescimento foi maior do que o acréscimo de 30,5% no número de trabalhadores pesquisados, " diz.
O levantamento foi realizado com empresas das áreas de metalurgia, alimentos, papel, varejo, além de fabricantes de produtos químicos e têxteis. A pesquisa leva em consideração acidentes no local do trabalho e de trajeto. Não entraram na contabilização as doenças ocupacionais.
Com o aumento no número de dias afastados, houve elevação no custo médio de cada acidente. No ano passado, o desembolso estimado por acidente foi de R$ 3,9 mil, o que significa um aumento de 68,5% em relação a 2008. No ano passado, foram registrados 2.213 acidentes, o que significa alta de 11% em relação ao ano anterior.
Para Cruz, a elevação de gravidade está relacionada ao aumento dos acidentes de trajeto e também com a necessidade de rápida contratação por causa do mercado aquecido.
Isso, explica o consultor, aumenta o nível de terceirização e reduz o tempo de treinamento e integração dos funcionários.
Os acidentes de trabalho têm tido repercussão maior na carga tributária das empresas. O estudo da Marsh também verificou o impacto do nível de sinistralidade no Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Segundo pesquisa com 64 empresas de médio e grande porte, 80% delas tiveram aumento nas alíquotas da contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) desde janeiro de 2010, quando entrou em vigor o novo cálculo do FAP.
O FAP é uma forma de cálculo utilizada para bonificar empregadores que tenham feito melhorias nas condições de trabalho e apresentado menores índices no número de acidentes. Ao mesmo tempo, a equação eleva a carga do SAT para empresas com nível de acidentes superior à média de seu setor econômico. O FAP varia ano a ano e é calculado levando em conta os dois últimos anos. Trata-se de um cálculo feito por empresa.
Para Cruz, o resultado surpreende, já que poucas empresas conseguiram reduzir as alíquotas do SAT. Das 64 companhias analisadas pela seguradora, explica, 31 empresas tiveram aumento acima de 31% nas alíquotas da contribuição, enquanto seis empresas sofreram elevação entre 21% e 30%. Outras 16 empresas tiveram acréscimo de até 20%.
Atualmente, o SAT é pago pelos empregadores nas alíquotas básicas de 1%, 2% e 3% sobre a folha de salários. Com o FAP, porém, a alíquota efetiva passa a ser definida pelo desempenho de cada empresa. As empresas que melhorarem os índices de acidentes em relação ao seu segmento econômico podem ser beneficiadas com redução de até 50% em suas alíquotas, enquanto os empregadores com desempenho negativo podem sofrer elevação de carga de até 100%.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

País cria 2,2 milhões de empregos no ano e renova recorde

Em setembro, porém, foram criadas 246.875 vagas, sem o recorde mensal previsto pelo ministro do Trabalho

SÃO PAULO/BRASÍLIA - O volume de vagas de trabalho geradas com carteira assinada de janeiro a setembro é recorde para o período. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira, 19, pelo Ministério do Trabalho, o total de vagas geradas no período foi de 2.201.406. "Já nem falo mais em recorde, já estamos vendo isso há algum tempo e estamos acostumados", minimizou o ministro Carlos Lupi.

Os melhores nove meses, segundo dados do Caged na criação de empregos até então foram registrados em 2008. Naquele ano, foram gerados de janeiro a setembro, 2,086 milhões de postos de trabalho.

A meta de Lupi para o ano é a criação de 2,5 milhões de postos de trabalho. Para isso, faltam 298.594 empregos. "Mantenho a meta porque o resultado de setembro sofreu efeito de sazonalidade. Vamos ter crescimento forte em dois meses, mas queda em dezembro", previu o ministro, lembrando que este é o desenho do indicador. No mês passado, foram gerados 246.875 postos.

Ao contrário do previsto, dado de setembro não bateu recorde
O saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no Brasil em setembro foi positivo em 246.875 vagas. Em setembro do ano passado, foram criados 252 mil postos de trabalho formais. O maior volume da série histórica para o mês, no entanto, ainda é o de setembro de 2008, quando houve contratações líquidas de 282.841. Em agosto de 2010, o Ministério registrou 299 mil novas vagas de emprego.

Na véspera do Dia do Trabalho, o ministro Carlos Lupi ampliou sua meta de geração de empregos com carteira de 2 milhões para 2,5 milhões em 2010, depois de sucessivos resultados recordes nos meses verificados até aquele momento. Lupi também previa recordes mensais até o mês novembro.

Cálculos realizados pelo Banco Fator mostraram que o saldo líquido de postos formais de trabalho criados no Brasil passou de 189 mil, em agosto, para 154 mil em setembro, em termos dessazonalizados. As contas da equipe de analistas da instituição, liderada pelo economista-chefe, José Francisco de Lima Gonçalves, foram feitas após o Ministério do Trabalho e Emprego anunciar nesta terça-feira que o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês passado.

Números dessazonalizados do Caged costumam ser calculados pelas instituições do mercado financeiro, podendo alcançar níveis diferentes, dependendo da conta de cada economista. No caso do Banco Fator, a equipe de analistas informou que utilizou o programa Arima X-12.

Segundo o Banco Fator, o nível dessazonalizado voltou à trajetória de queda, iniciada em abril de 2010 e interrompida apenas em agosto. "O indicador do Caged mostra que a economia voltou a desacelerar e que o forte dado de agosto parece ter sido mais um outlier (ponto fora da curva) do que um indicador de mudança de tendência", comentaram os analistas do banco, em breve relatório enviado à imprensa.

Fonte: Estado de São Paulo

Sarkozy promete ação contra manifestantes e refinarias

Presidente classifica greve de antidemocrática e reitera que aprovará reforma da previdência

PARIS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, jurou intervir nas ações dos "arruaceiros" que entrarem em confronto com a polícia nos protestos que tomaram o país nos últimos dias contra uma reforma no sistema previdenciário.

Sarkozy disse compreender "a inquietação" gerada pela reforma, insistiu que a oposição tem direito de manifestar-se "sem violência" e reiterou que não voltará atrás porque o déficit atual do sistema de previdência "não pode durar".

O presidente francês assinalou que no seu retorno a Paris nesta tarde vai resolver a questão, porque "há muita gente que quer trabalhar" e "não pode porque não tem combustível". Ele indicou que trabalhará com as forças da ordem para conter os atos de violência.

Sarkozy ainda disse que a paralisação das atividades nas refinarias - o que causa falta de combustíveis nos postos do país - "não podem existir em uma democracia, onde há pessoas que querem trabalhar". O presidente insistiu que é seu dever aprovar a reforma da previdência, embora as manifestações estejam ganhando proporções maiores e caráter violento.

Segundo Sarkozy, o aumento demográfico e da expectativa de vida demandam a extensão da idade mínima para a aposentadoria - que passará de 60 para 62 anos. O presidente ainda disse que outras nações europeias já tomaram a mesma decisão.

Paralisação
Os serviços aéreo, ferroviário, rodoviário e de abastecimento de combustíveis na França estão prejudicados pelas paralisações, que contam com a adesão dos movimentos estudantis.

Todas as 12 refinarias da França continuam em greve. Os produtos derivados de petróleo não estão deixando as fábricas, exceto aqueles enviados para suprir os serviços de emergência, informou a Confederação Geral do Trabalho (CGT), central sindical que representa os trabalhadores. "Todas as refinarias estão em greve", disse Charles Foulard, acrescentando que a ação continuará em "quase todas" as refinarias até sexta-feira, já que os trabalhadores votaram a favor da manutenção do protesto.

Os protestos nacionais chegaram ao 6º dia nesta terça-feira. Estão programados mais de 200 protestos de rua na França. Nas cidades de Lyon e Nanterre, já foram registrados confrontos entre estudantes e as forças de segurança. Segundo uma pesquisa do instituto CSA, as manifestações contra a reforma da previdência têm o apoio de 71% dos franceses.

Ainda que o país tenha reservas de combustível para várias semanas e os distribuidores de combustível possam importar combustível de países vizinhos, há o temor de que a falta do produto leve muitas pessoas a correr para fazer estoques, acabando com as reservas nos postos em algumas áreas, alertou ontem Jean-Louis Schilansky, presidente da União Francesa de Indústrias Petrolíferas.

Outros serviços
A Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF, na sigla em francês) anunciou que, por enquanto, suas previsões estão sendo cumpridas. Para esta terça está prevista a circulação de 60% dos trens com saída ou destino a Paris, metade dos trens de alta velocidade (TGVs), 25% dos trens regionais e todos os Eurostar.

Nos aeroportos de Paris, serão cancelados 50% dos voos de Orly e 30% das chegadas e partidas do internacional Roissy-Charles de Gaulle. A companhia aérea Air France estima manter 100% dos voos de longa distância, 80% dos voos de média distância e 50% dos voos de curta distância.

Nas rodovias francesas, as ações de bloqueio conhecidas como "operações caracol" começam a ser sentidas sobretudo nas estradas de acesso a Paris. A greve também terá repercussão em La Poste - empresa pública de correios -, na France Télécom e no setor público audiovisual.

Um terço dos professores primários também cruzará os braços, segundo os sindicatos, número que o Ministério da Educação reduz para 10%. Além disso, cinco universidades se somarão à greve. Este será um dos pontos mais sensíveis da jornada, já que os protestos estudantis resultaram em 196 detenções e em torno de 20 policiais feridos na segunda.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Aos Queridos Professores

Mais uma vez, desejamos aos professores e professoras que fazem toda a diferença em nossa sociedade:

Feliz Dia dos Professores!!!!!!
Com muito carinho, respeito e admiração.

Equipe Diesat

Você sabe como surgiu o Dia do Professor?



O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil.

No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.

Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.

Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.

O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.

A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Após resgate, 33 mineiros repousam em hospital e preparam-se para fama mundial

Após mais de dois meses isolados a quase 700 metros de profundidade, os 33 mineiros resgatados com sucesso no Chile passam agora por exames médicos para avaliar sua condição atual de saúde e preparam-se para enfrentar o status de celebridades mundiais.


Resgatados após 22 horas de trabalho ininterrupto, a maioria repousa em hospitais de Copiapó, onde se recuperam dos mais de dois meses de reclusão.

Alguns têm cáries e ao menos um foi diagnosticado com pneumonia, mas em geral o estado dos trabalhadores é muito positivo.


O ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, informou nesta quinta-feira que alguns devem ter alta antecipada, devido ao bom estado de saúde.

Enquanto isso, indicações da fama internacional que os 33 já atingiram não param.

Homenagens e saudações de diversos chefes de Estado já foram recebidas. Presidentes dos Estados Unidos, Brasil, México e Rússia se manifestaram, e até um filme deve ser produzido sobre a história.

O longa-metragem já tem nome. "Los 33", disse o diretor Rodrigo Ortúzar, "é uma grande história para se contar".

O artista antecipou que o filme será "uma mistura de ficção e imagens já gravadas" por emissoras de TV do país e por sua equipe. O cineasta está registrando imagens das operações de resgate em pleno deserto de Atacama.

"Minha ideia é fazer uma história que esteja focada no soterramento e, ao mesmo tempo, no renascimento dos mineiros quando eles voltarem à superfície", explicou.

PRESENTES E OFERTAS

Esses trabalhadores outrora anônimos agora são tratados como celebridades. Real Madrid e Manchester United, por exemplo, convidaram-nos para ver os times jogarem na Europa. Um cantor e empresário local resolveu dar 10 mil dólares a cada um deles; Steve Jobs, da Apple, mandou um iPod último tipo para todos, e uma empresa grega ofereceu uma excursão pelas ilhas do Mediterrâneo.

Com a possibilidade de assinarem contratos para transformar a experiência em livros e filmes, poucos dos trabalhadores devem voltar às minas.

EUFORIA E PATRIOTISMO

Em cidades de todo o país, buzinas, gritos e sinos celebraram o resgate do último dos mineiros. No acampamento Esperanza, onde os parentes dos mineiros passaram as últimas semanas, lágrimas e risos se misturavam.

A conclusão do resgate gerou euforia no Chile. Os mineiros, recordistas mundiais de sobrevivência subterrânea, foram saudados como heróis nacionais e desencadearam uma onda de patriotismo, num país que ainda se recupera de um devastador terremoto em fevereiro.

A popularidade do presidente Sebastián Piñera também disparou por causa da bem-sucedida operação. Ele esteve na mina San José recepcionando vários dos trabalhadores que subiam, e ainda pretende receber todos eles no Palácio de la Moneda, em Santiago.

SUCESSO DA OPERAÇÃO

Foram 69 dias de reclusão a 622 metros de profundidade --17 dias sem que o mundo lá fora soubesse se estavam vivos ou mortos. Após quase 23 horas de esforços, o Chile entra para a história nesta quarta-feira com uma operação de resgate sem precedentes, e os 33 mineiros ganham a atenção do mundo, num misto de heróis com celebridades.

E em pouco mais de 25 horas no total, os seis socorristas enviados para ajudar os mineiros também foram içados de volta à superfície.

Florencio Ávalos entrou para a história como o primeiro mineiro a sair da mina, à 0h11. Igrejas de todo o país badalaram seus sinos para comemorar, atendendo a uma sugestão do presidente Sebastíán Piñera. O último a sair foi Luis Urzúa. Ele exerceu a função de líder, e foi o primeiro mineiro a conversar com as autoridades.

Todos os mineiros são levados de maca para um hospital de campanha montado ao lado do poço, e de lá para um centro médico na cidade de Copiapó. Em geral, apresentam boas condições de saúde. Somente um apresentava um quadro de pneumonia e estava sendo tratado com antibióticos, disse a jornalistas o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.


Em 5 de agosto, a estrutura da mina San José cedeu, e deixou os 33 mineiros presos a mais de 600 metros de profundidade. O incidente na pequena mina de cobre e ouro no norte do Chile colocou a cidade de Copiapó (800 km ao norte de Santiago) no mapa do mundo.

Foi só em 22 de agosto, quando a esperança de encontrar sobreviventes já era ínfima, que funcionários da equipe de resgate ouviram batidas na máquina perfuradora que tentava encontrar os mineiros. Com poucas palavras, eles mandaram um recado: "Os 33 de nós no abrigo estão bem", dizia um bilhete colado à máquina.

Todos os mineiros foram recebidos na superfície com aplausos e gritos de guerra --"Chi-chi-chi-le-le-le"-- pelos milhares de familiares, jornalistas e curiosos que inundaram o acampamento Esperanza. A história de superação e sobrevivência chamou a atenção da mídia mundial. Cerca de 1.500 jornalistas estão no local para registrar os últimos acontecimentos do resgate, que foi transmitido ao vivo em todo o mundo.

Telões foram instalados em lugares públicos em todo o Chile para que o povo pudesse assistir e comemorar com a saída de cada um dos 32 chilenos e do boliviano. As igrejas em todo o país badalaram seus sinos para comemorar

O resgate bem-sucedido também foi um ponto positivo para a popularidade do presidente Sebastián Piñera, que esperou no local para abraçar a cada um dos mineiros na saída da cápsula Fênix, pintada em vermelho, azul e branco em homenagem às cores da bandeira chilena.

LULA

O governo brasileiro está acompanhando "com grande alegria" o resgate dos mineiros presos no Chile, informou o Itamaraty em comunicado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou hoje de manhã com o chileno Sebastián Piñera, e o ministro Celso Amorim telefonou ao chanceler do Chile, Alfredo Moreno.

"Quero parabenizar pelo extraordinário trabalho realizado", afirmou Lula.

"Presidente Lula, agradeço muito suas palavras, agradeço muito suas felicitações em nome de todos os chilenos", declarou Piñera na conversa transmitida pela televisão local e reproduzida por emissoras do mundo todo. "Estamos vivendo um dia desses que não se esquecem nunca mais em nossas vidas, de emoção, de alegria, de esperança, de força, de companheirismo, de fé", continuou o mandatário chileno.

"Estamos o aguardando no Chile, um abraço muito grande, o maior abraço do mundo", disse ainda Piñera a Lula na conversa por telefone, agradecendo pela solidariedade do povo brasileiro.

Lula disse ainda ao colega chileno que ele deve estar seguro de que todos estão muito orgulhosos da atuação do governo, trabalhadores e técnicos envolvidos no resgate. Piñera passou o telefone para o presidente da Bolívia, Evo Morales, falar com o brasileiro.

"Cuide bem de seu mineiro", disse Lula a Morales.

LISTA

Saiba mais sobre os mineiros que já foram salvos:

1- Florencio Ávalos: 31 anos, capataz, casado e pai de um filho de sete anos. Irmão de Renán, outro dos mineiros presos. Por sua condição de capataz, era o segundo na hierarquia, depois do chefe de turno. Sua habilidade em lidar com situações críticas, juventude, assim como experiência na mina, (trabalha no setor há 8 anos) fez com que ele fosse escolhido para a ser o primeiro a subir por meio da cápsula.

A escolha de Ávalos tem, além disso, um caráter simbólico: foi o primeiro "rosto" da tragédia que percorreu o mundo, quando em 22 de agosto uma câmara de vídeo chegou ao interior da mina e ele se colocou diante do aparelho.

Alfonso Ávalos, pai dos irmãos Florencio e Rénan, não escondeu sua felicidade perante a decisão.

"Fico muito feliz que meu filho seja o primeiro, é uma honra", disse ele.

"Eles costumavam realizar os mesmos turnos, porque Florencio ensinava Renan, que estava em seus primeiros passos", explicou à imprensa sua irmã Katherine.

2- Mario Sepúlveda: 40 anos, eletricista, casado. Foi o apresentador da maioria dos vídeos dos mineiros que foram divulgados. Após ser resgatado, ele agradeceu às autoridades pelo êxito na operação e criticou a situação das minas no Chile.


"Era o momento de fazer mudanças. Este país tem de entender que é preciso fazer mudanças", declarou ele à emissora TVN, em alusão às condições de insegurança nas quais se desenvolve a atividade mineradora nas pequenas e médias empresas. "Não podemos ficar assim sob nenhuma circunstância", acrescentou.

Considerado o "porta-voz" do grupo por narrar os vídeos gravados no interior da mina, Sepúlveda foi recebido pela mulher e pelos dois filhos, além dos integrantes da equipe de resgate e das autoridades, entre elas o presidente Piñera e o ministro de Minas, Laurence Golborne.

Embora alguns meios de comunicação tenham destacado seus dotes de comunicador, Sepúlveda descarta atuar em outra profissão no momento.


"Não quero que me tratem como artista nem como animador, mas como o Mario Sepúlveda minerador", finalizou.

3- Juan Illanes: 52 anos, mineiro, casado. Veterano do conflito na fronteiro que quase gerou uma guerra entre o Chile e a Argentina, em 1978.

4- Carlos Mamani: boliviano de 23 anos, é operador de maquinário pesado, casado com a também boliviana Verónica Quispe e pai de uma filha de poucos meses. É o único do grupo que não é chileno. Ele agradeceu a oferta feita pessoalmente pelo presidente Evo Morales de retornar ao seu país, mas disse que ficará no Chile.

A resposta do minerador frustrou as expectativas do líder boliviano, que previamente tinha manifestado seu desejo de levar o mineiro e sua família de volta ao país.


No início da semana, Morales disse que pretendia estar presente quando o compatriota fosse resgatado, mas acabou chegando ao local várias horas após Mamani ser içado na cápsula Fênix 2.

Os familiares de Mamani também agradeceram ao governo do Chile pelo resgate e o sogro do minerador, Johnny Quispe, reconheceu ainda o gesto do empresário chileno Leonardo Farkas de doar 5 milhões de pesos (US$ 10.400) a cada minerador

5- Jimmy Sánchez: 19 anos, mineiro, solteiro. É o mais jovem do grupo.

6- Osman Araya: 30 anos, mineiro, casado. Trabalhava somente há quatro meses na mina.

7- José Ojeda: 46 anos, encarregado da perfuração, viúvo. Sofre de diabetes e foi quem escreveu a mensagem que anunciou ao mundo que todos estavam com vida. "Estamos bem no refúgio, os 33."

8- Claudio Yáñez: 34 anos, operador de broca, solteiro.

9- Mario Gómez: 63 anos, motorista, casado. É o mais velho do grupo, e sua subida foi cercada de cuidados devido à sua condição de saúde, considerada mais delicada. É filho de mineiro e foi apelidado de "O Navegador", por seu passado como mercante da Marinha. Sua mulher, Lilian Ramírez, teme que ele volte a trabalhar nas minas, mesmo depois de passar por essa experiência.


10- Alex Vega: 32 anos, mecânico de maquinaria pesada, casado. Em 22 de setembro, comemorou seu aniversário dentro da mina.

11- Jorge Galleguillos: 56 anos, mineiros, casado. Trabalhou toda sua vida na mina e sofre de hipertensão.

12- Edison Peña: 34 anos, mineiro, solteiro. Na primeira gravação, expressou seu desespero ao dizer: "Quero sair logo".

13- Carlos Barrios: 27 anos, mineiro, solteiro. Seu pai, Antenor Barrios, disse como acho que ele estava após a primeira conversa: "Encontrei-o com forças e vontade. Uma voz forte e clara. Me emocionei."

14- Víctor Zamora: 33 anos, mecânico automotivo, casado. Preso na mina, recebeu a confirmação de que sua mulher, Jéssica Cortez, está grávida.

15- Víctor Segovia: 48 anos, eletricista, casado. É o encarregado de registrar por escrito tudo o que acontece dentro da mina.


16- Daniel Herrera: 27 anos, motorista de caminhões, casado. Sua mãe, Alicia Campos, contou que prometeu não chorar quando conseguiu falar com ele lá embaixo. "Não cedi até que disse 'tchau, meu filhinho'", contou.

17- Omar Reygadas: 56 anos, eletricista, casado. Tinha acabado de começar a trabalhar na mina.

18- Esteban Rojas: 44 anos, encarregado de manutenção, casado. Ele prometeu por carta a sua mulher, Jessica Yáñez, com quem se casou no civil há 25 anos, que ao sair fariam uma cerimônia religiosa.

19. Pablo Rojas: 45 anos, carregador de explosivos, casado. Tinha menos de meio ano trabalhando na mina.

20. Dario Segovia: 48 anos, operador de broca, casado. Sua mulher, Jessica Chille, conseguiu falar com ele após 24 dias. "Ouvir sua voz foi um alívio para o meu coração", disse ela.

21. Yonni Barrios: 50 anos, eletricista, casado. Por seus conhecimentos de enfermaria, foi encarregado de elaborar relatórios médicos de seus companheiros e de vaciná-los. Do lado de fora, ele foi disputado a tapas por duas mulheres.


22- Samuel Avalos: 43 anos, acaba de chegar à superfície. Ele é o 22º mineiro resgatado.

23- Carlos Bugueño: 27 anos, solteiro. Antes de entrar na mina, trabalhava como segurança.

24- José Henríquez: 54 anos, encarregado de perfuração, casado. Tem sido o guia espiritual dos mineiros.

25- Renán Ávalos: 29 anos, solteiro. Renán trabalhava na mina há cinco meses e é irmão do capataz Florencio Ávalos.

26- Claudio Acuña: 44 anos, operador de perfuradora, solteiro. Declarado fanático pelo popular time de futebol Colo Colo.

27- Franklin Lobos: 53 anos, motorista, solteiro. Ex-jogador de futebol, com passagem rápida pela seleção chilena.

28- Richard Villarroel: 27 anos, mecânico, solteiro.


29- Juan Aguilar: 49 anos, supervisor, casado. Sua mulher, Cristy Coronado, disse: "Para mim isso é como um sonho. Às vezes, espero acordar e encontrar minha vida de antes."

30- Raúl Bustos: 40 anos, mecânico hidráulico, casado. Trabalhava como mecânico nos estaleiros da Marinha do Chile, em Talcahuano, um porto no sul, destruído pelo tsunami de 27 de fevereiro. Isso o obrigou a procurar trabalho na mina.

31- Pedro Cortez: 24 anos, eletricista, solteiro. Perdeu um dedo na mina há um ano.

32- Ariel Ticona: 29 anos, motorista de maquinário pesado, casado. Sua mulher, Margarita, deu à luz a sua terceira filha enquanto o marido estava preso na mina. A menina foi batizada de Esperanza.

33- Luis Urzúa: 54 anos, topógrafo e chefe de turno, casado. Ele exerceu a função de líder e foi o primeiro que falou com as autoridades.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trabalhar em local barulhento pode aumentar o risco cardíaco

O que é ruim para os ouvidos também pode fazer mal ao coração. Segundo estudo, pessoas que trabalham em locais ruidosos há pelo menos um ano e meio têm três vezes mais chance de sofrer um grave problema cardíaco do que quem trabalha em ambientes silenciosos.

Os pesquisadores da Universidade de British Columbia, nos EUA, examinaram, entre 1999 e 2004, mais de 6.000 pessoas com mais de 20 anos de idade. O estudo foi publicado na revista "Occupational and Environmental Medicine".

Os participantes foram solicitados a classificar o nível de barulho nos seus locais de trabalho e há quanto tempo estavam expostos a ele.

Após o cruzamento de dados, os pesquisadores concluíram que quem trabalhava em locais mais barulhentos tinha até três vezes mais chance de ter um ataque cardíaco ou dores no peito.

Segundo o cardiologista Carlos Alberto Pastore, do Incor, trabalhar sob constante ruído facilita a liberação de hormônios relacionados com o estresse: a adrenalina e o cortisol. "O gatilho que acelera o processo inflamatório das artérias é o estresse."

No entanto, para o médico, o estresse só é um problema quando passa a ser constante. Nesse caso, o estresse excessivo deve ser considerado um fator de risco como qualquer outro.

"Tudo aquilo que está relacionado à esfera emocional é um problema de saúde tão grave quanto o colesterol."

Fonte: Folha de São Paulo

Brasil quer afastar precaução ambiental de agrocombustíveis

Itamaraty trabalha para evitar que precaução a impactos na biodiversidade sejam debatidos na Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas

Na 10a Conferência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas - de 18 a 29 de outubro, em Nagoya (Japão) -, o Brasil deve reforçar a disposição de evitar possíveis regulamentações ambientais para o setor de agrocombustíveis.

Segundo informações do Itamaraty, o governo deve dar prioridade aos interesses econômicos do país ante possíveis problemas ambientais envolvendo cultivos utilizados para a produção de agorenergia.

Durante a COP-9 em 2008, que foi realizada na Alemanha, o Brasil liderou manobras para postergar a decisão sobre a aplicação do principio da precaução - garantia contra os riscos potenciais à biodiversidade que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados em um determinado elemento ou evento - aos agrocombustíveis , o que rendeu uma inédita vaia pública aos diplomatas brasileiros.

O Brasil foi um dos primeiros países a aderir à CDB da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja função é definir regras para a conservação da biodiversidade do planeta, seu uso sustentável e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios resultantes da utilização dos recursos genéticos. A 8a Conferência das Partes (COP-8) teve inclusive Curitiba (PR) como sede.

Segundo o diretor do Departamento de Energia do Ministério de Relações Exteriores (MRE), ministro André Corrêa do Lago, os agrocombustíveis não deveriam ser discutidos na CDB, já que são tratados como tema prioritário em outros espaços, como a Convenção do Clima e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

"Não concordamos que um eventual impacto sobre a biodiversidade prejudique os agrocombustíveis, muito menos que se proponha uma moratória para o setor sob o princípio da precaução, como chegou a ser sugerido por países africanos. O que ocorre é que dá para produzir de forma boa ou de forma ruim. Vamos explicar como produzir de forma sustentável", defende.

De acordo com ele, "nada seria aprovado, se examinado do ponto de vista exclusivo dos impactos sobre a biodiversidade". "Temos que ter claro que, para o desenvolvimento de países pobres, as vantagens dos agrocombustíveis são mais importantes que as desvantagens", completa.

Na mesma direção, Pedro Brancante, que é subchefe da Divisão de Recursos Energéticos Renováveis do Ministério de relações Exteriores (MRE), afirma que a delegação brasileira desconsidera as incertezas científicas quanto aos agrocombustíveis. Para ele, o pais já desenvolveu pesquisas e práticas suficientes para comprovar a segurança dessas culturas e defende que, "mesmo passando por uma abordagem precautória, os agrocombustíveis não merecem ser objeto [da CDB] quanto à sua
incerteza científica".

"A CDB só enxerga um pedaço da cadeia, que trata da agricultura, e as culturas agroenergéticas são utilizada também para a produção de alimentos. Por isso, é incoerência singularizar os agrocombustíveis", prossegue.

Já Roberta Maria Lima Ferreira, da Divisão de Meio Ambiente do Itamaraty, explica que, na corrida pelos mercados agroenergéticos, o país tem feito investimentos altos e pretende garantir o retorno econômico. "O Brasil precisa se manter na liderança do setor [agroenergético]. Se não somos nós, outro país ocupa esta posição",
argumenta.

O posicionamento do governo brasileiro, que já causou preocupações entre movimentos e organizações socioambientalistas na COP-9 em 2008, vem gerando uma reação mais enfática neste ano.

Reunidas em Brasília nos dias 16 e 17 de setembro em plenária nacional para a elaboração de recomendações ao governo quanto à COP-10, as organizações exigiram que o posicionamento do Brasil "esteja voltado à conservação e uso sustentável da biodiversidade, pautando-se pelos princípios da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, principalmente o Princípio da Precaução". E continuam: "É inaceitável que a posição do Brasil se paute por interesses de mercado, subordinando a Convenção da Diversidade Biológica às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)".

De acordo com Gabriel Bianconi Fernandes, assessor técnico da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), a tendência implícita de defender interesses econômicos nas negociações da CDB (em detrimento de princípios balizadores já acordados) não apenas viola a legislação brasileira, como também ameaça a própria instituição.

"A Lei de Biossegurança do Brasil é baseada no princípio da precaução. Se o Brasil forçar um precedente com a exceção dos agrocombustíveis estará esvaziando a própria CDB. O Brasil é pioneiro nas pesquisas de cana transgênica, por exemplo, sendo que três pedidos de liberação planejada já tramitam na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)", coloca o representante da AS-PTA, que participou da plenária nacional. "Os agrocombustíveis tem um enorme potencial de impacto sobre a biodiversidade, uma vez que são produzidos no modelo de monoculturas extensivas, com grande exposição, uso de produtos químicos e dificílima prevenção de impactos sobre o meio ambiente. A começar por isso, é imprescindível que os agrocombustíveis sejam tratados na CDB, e à luz do princípio da precaução".

A pesquisadora da ONG Terra de Direitos, Camila Moreno, alerta, por sua vez, para estágios mais avançados da tecnologia genética na produção de agroenergia, como o uso da biologia sintética. Esse recurso já é aplicado pela empresa norte-americana Amyris no Brasil. "Eles fizeram modificações genéticas em uma levedura, pegaram um organismo vivo, esvaziaram seu DNA e implantaram um novo. E esses fungos são capazes de processar a cana em tempo recorde. Imagine o que pode ocorrer com o
ambiente se esses organismos ´fugirem´ do laboratório", alerta Camila.

Entre as recomendações elaboradas ao governo, as organizações sociais e ambientais exigem o apoio à aplicação do principio da precaução à produção de agrocombustíveis e de suas matérias primas; a identificação dos biomas sensíveis e de alta biodiversidade como zonas de exclusão da produção de agrocombustíveis e de suas matérias primas (à exceção das atividades em pequena escala e de forma sustentável de agricultores familiares, comunidades locais e povos indígenas); e o veto ao desmatamento de vegetação primária e secundária para a produção de agrocombustiveis.

Pedem ainda que seja assegurado que a produção de agrocombustiveis não venha a ameaçar a segurança alimentar e nutricional, comprometendo o alcance global dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs); e que o governo dê apoio à recomendação de moratória da biologia sintética, assegurando que não seja permitida qualquer liberação destes organismos no ambiente, e que o seu uso comercial seja proibido (inclusive em ambientes confinados, como no setor de biorrefinaria), até que se entenda e avalie os impactos ambientais, culturais e socioeconômicos desta tecnologia.

Fonte: Brasil de Fato

terça-feira, 5 de outubro de 2010

No Chile, engenheiros dizem que mineiros podem ser resgatados já no fim de semana

Engenheiros responsáveis pela operação de resgate dos 33 trabalhadores presos em uma mina no Chile há dois meses dizem que eles podem estar livres já no próximo fim de semana.

O presidente da mineradora chilena Geotec, Pedro Buttazzoni, disse à BBC que faltam apenas 160 metros para chegar até o local onde estão os mineiros, depois que as máquinas conseguiram perfurar 464 metros de pedras.

Segundo Buttazzoni, sua equipe deve conseguir terminar o trabalho em três ou quatro dias. Ele disse ainda que está sendo discutido se é realmente necessário forrar o túnel de resgate com um invólucro de metal como planejado, um processo que poderia levar vários dias.

Se ficar decidido que o forro não é necessário, é "perfeitamente possível" que os mineiros sejam trazidos à superfície até o fim de semana.

Progresso rápido
Há poucos dias, o presidente chileno, Sebastián Piñera, disse que as equipes "estavam muito perto" de resgatar os mineiros e que ele esperava que isso acontecesse antes de sua viagem à Europa, programada para o dia 17 de outubro.

"Eu espero que consigamos resgatá-los antes de eu ir para a Europa, eu quero dividir esse momento com os mineiros", disse ele.

O cronograma de resgate foi reduzido drasticamente depois que as três furadeiras utilizadas no local começaram a progredir rapidamente.

Na semana passada, o governo havia mencionado que as tentativas de resgate começariam na segunda metade de outubro, quando anteriormente o prazo se estendia até o início de novembro.
 
CÁPSULA
Assim que o túnel de resgate estiver pronto, uma cápsula de aço, projetada pela marinha chilena e construída especificamente para este propósito, será utilizada para retirar os trabalhadores da mina.

O plano é que oficiais da Marinha desçam para avaliar a situação e ajudar os mineiros a utilizar a cápsula. O processo de retirada de cada um dos homens presos deve durar uma hora.

Médicos dizem que os trabalhadores estão recebendo treinamento físico como preparação para o resgate. Eles também estariam tendo aulas com especialistas em relações públicas para aprenderem a lidar melhor com a atenção da mídia.

Os mineiros também têm utilizado as pequenas cápsulas por onde eles recebem comida e suprimentos para mandar para a superfície lembranças e objetos.
 
DÍVIDAS
Parentes dos homens presos na mina perto de Copiapó, a cerca de 725 quilômetros da capital Santiago, estão preparando uma festa para comemorar o resgate.

Recentemente, outros funcionários da mina fizeram um protesto dizendo que não haviam sido pagos desde o acidente.

Cantando "não somos apenas 33", cerca de 200 trabalhadores fizeram uma passeata em Copiapó cobrando o dinheiro da empresa, que tem grandes dívidas e está enfrentando ações na Justiça movidas por familiares dos mineiros presos.

Fonte: Folha de São Paulo

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Lojas Marisa aceitam combater trabalho degradante de subcontratados

Após seis meses de negociação, a rede de lojas Marisa assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com a fiscalização do Ministério do Trabalho e com a Defensoria Pública da União para combater trabalho degradante, forçado e precário em 50 fornecedores diretos e subcontratados dessas empresas. A assinatura do compromisso ocorreu na última quarta-feira.

Em março deste ano, a Marisa foi autuada em cerca de R$ 600 mil após fiscais do trabalho encontrarem trabalhadores bolivianos em condições análogas à escravidão em oficina que prestava serviço à rede, localizada na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de São Paulo).

Trabalho análogo ao de escravo é aquele em que a pessoa é submetida a condições degradantes, como servidão por dívida (trabalhador tema liberdade cerceada por dívida com o empregador), corre riscos no ambiente de trabalho e faz jornadas exaustivas (acima de 12 horas, como prevê a lei).

"A Marisa entende que é condição básica para atuar com um fornecedor que ele siga princípios de responsabilidade social e mantenha suas relações trabalhistas de acordo com a legislação vigente", informou a rede.

Até o final deste ano, estão previstas cerca de 400 auditorias em fornecedores e subcontratados da loja na capital paulista --escolhidos pela rede em função de valores de seus contratos e por estarem situadas em locais com maior potencial de incidência de problemas trabalhistas.

Segundo a Defensoria Pública da União em São Paulo, as auditorias serão feitas sem agendamento e de modo aleatório para verificar a situação migratória e trabalhista dos trabalhadores estrangeiros que estiverem prestando serviços a fornecedores ou a subcontratados deles.

'Quando houver desconformidade, a Marisa Lojas deverá saná-las em prazos que variam de 15 a 120 dias, dependendo do problema', informa a DPU.

Para Renato Bignami, chefe da seção de fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo, um dos pontos mais relevantes do compromisso é que a loja não irá simplesmente cortar o
fornecedor se detectar irregularidades trabalhistas. 'O principal avanço é que o fornecedor terá de apresentar um plano de regularização que será acompanhado pelas auditorias da Marisa. Se o contrato fosse
simplesmente rompido (ao serem detectados problemas), aquele fornecedor ou oficina poderia transferir o problema para outro varejista ou mandar embora os trabalhadores, o que não resolveria o problema.'

Se o termo de ajustamento de conduta for descumprido, a Superintendência Regional do Trabalho informou que a rede pode receber multa de R$ 2.000 por trabalhador 'diretamente atingido'.

A partir do próximo mês, 15 fornecedores da loja deverão ser visitados também pela fiscalização do trabalho que irá acompanhar o processo de terceirização na cadeia produtiva. 'Oficinas sem CNPJ, sem capacidade
adequada para atender a demanda e que exigem jornadas exaustivas de funcionários são os principais problemas que verificamos no passado e que devem ser sempre evitados', disse Bignami.

Em relação aos trabalhadores encontrados em condições irregulares na fiscalização realizada em fevereiro deste ano em uma oficina que prestava serviço à rede, a Marisa informou que 'reconhece sua responsabilidade social sobre as condições de trabalho na sua cadeia produtiva e por isso aperfeiçoou seu programa de auditorias para implementação de boas práticas'. Em nota, a empresa afirmou ainda que
'entende que a responsabilidade jurídica pelos direitos destes trabalhadores é de seus contratantes diretos'.

Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Feministas lançam plataforma pela legalização do aborto

Lançamento marca dia internacional de luta pela legalização do aborto

Organizações feministas de diversos estados brasileiros reuniram-se em torno de uma plataforma de defesa da legalização do aborto a ser lançada nesta terça-feira (28), dia internacional de luta pela legalização do aborto. Em São Paulo, o ato de lançamento ocorre na Praça do Patriarca. A integrante da Marcha Mundial das Mulheres, Sônia Coelho, explica que o objetivo é retomar o debate.

“Queremos neste dia 28 de setembro lançar essa plataforma para fazer o debate do que é a realidade do aborto clandestino no Brasil e do significa as mulheres, na nossa sociedade, não terem o direito de decidir sobre sua vida e a maternidade.”

Todos os anos ocorrem 42 milhões de abortos no mundo. A estimativa brasileira é de mais de 1.25 milhões de casos. As complicações dessa prática já representam a terceira causa da morte materna no país. Sônia Coelho defende que os convênios do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam revistos.

“Muitas vezes essas instituições religiosas acabam impondo os seus valores, os seus princípios. No caso da saúde da mulher, nós queremos que todas as mulheres possam ter acesso a todos os métodos anticonceptivos. Muitas vezes as mulheres são prejudicadas porque esses setores não concordam com o uso da camisinha, não concordam com a contracepção de emergência. Então acabam cerceando o direito das mulheres de poder utilizar os serviços do SUS.”

Em maio de 2010, a Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) que concede ajuda financeira às mulheres vítimas de estupro que não realizarem aborto.

Fonte: Brasil de Fato

Bancários indignados com oferta salarial

Nesta sexta-feira, bancários  se reúnem em assembleia para avaliar os rumos da greve

Enquanto categorias como metalúrgicos e petroleiros conquistaram abono e reajuste salarial acima da inflação oficial, bancários de todo país estão indignados com o reajuste de 4,29% oferecidos pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) para encerrar a campanha salarial da categoria. Até o momento, os trabalhadores só garantiram o reajuste da inflação.

O presidente da Contraf (Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Carlos Cordeiro, conta que o comando nacional dos bancários ficou mais de 30 dias em negociação com os bancos, que não apresentaram uma proposta melhor. Com isso, bancários dos 26 estados e do Distrito Federal aprovaram greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira (29).

“Nas assembleias de ontem, nós tivemos a participação muito boa dos trabalhadores. Os locais que os sindicatos escolheram ficaram pequenos para tantos bancários, porque eles estão indignados com mais esta provocação dos bancos. A cada três anos, os patrimônios desses bancos dobram, mas eles não querem apresentar nenhuma proposta ou negociar. Não temos nenhuma outra alternativa a não ser decretar essa greve.”

Cordeiro destaca que o Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa Federal tiveram lucro líquido de R$ 21,3 bilhões no primeiro semestre do ano. 32% a mais em comparação ao mesmo período do ano passado.

“Isso demonstra a irresponsabilidade dos bancos com os trabalhadores, que ajudam a produzir esse lucro. Demonstra também irresponsabilidade com a sociedade que paga tarifas absurdas, porque se mostra um setor extremamente ganancioso. A população está com a gente, nós pedimos compreensão e ajuda.”

Nesta sexta-feira, dia 1, bancários novamente se reúnem em assembleia para avaliar os rumos da greve.

Fonte: Brasil de Fato

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Espanha faz greve geral, e Europa tem protestos contra austeridade

Sindicatos espanhóis dizem que 10 milhões pararam, mas governo contesta. Bruxelas e outras capitais tiveram atos contra 'aperto de cinto' de governos.

A Espanha enfrenta nesta quarta-feira (29) a primeira greve geral em oito anos, ao mesmo tempo que várias manifestações pela Europa protestaram contra as medidas de austeridade impostas pela União Europeia.
A greve espanhola teve impacto limitado, mas prejudicou os transportes e o funcionamento de algumas fábricas.

O primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista, apresentará na quinta ao Parlamento o seu orçamento para 2011 e prometeu manter as medidas de austeridade e as reformas trabalhistas destinadas a facilitar a contratação e demissão de funcionários pelas empresas.

Os sindicatos disseram que 10 milhões de pessoas, ou mais de metade da força de trabalho, aderiram à greve.

O governo não citou estimativas, mas minimizou a paralisação.

Os mercados financeiros também reagiram com indiferença, pois analistas descartam a hipótese de o governo recuar nas medidas destinadas a cumprir as metas de redução de déficit público da União Europeia.

No centro de Madri, centenas de trabalhadores agitaram bandeiras, interditaram ruas e obrigaram algumas lojas a baixar as portas. Líderes sindicais disseram que 30 manifestantes foram detidos, mas a maioria foi solta rapidamente. Poucos ônibus circularam na capital e metade dos trens de metrô parou. Mas os sindicatos cumpriram o compromisso de manter um serviço mínimo, segundo o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho.

No norte da Espanha, montadoras de veículos interromperam a produção. A demanda energética no país caiu 20% durante o protesto, segundo a empresa operadora do sistema.

"Vamos continuar a greve se isso for necessário para derrubar a reforma trabalhista, que ameaça tornar os empregos ainda mais vulneráveis", disse o designer gráfico Alfredo Pérez em um piquete.

Pela proposta de Zapatero, a idade mínima de aposentadoria subiria de 65 para 67 anos.
 
Protestos pela Europa
A greve coincide com protestos sindicais em Bruxelas, Atenas e outras cidades europeias contra as medidas de austeridade adotadas por governos em todo o continente. Pelo menos 13 capitais europeias - de Lisboa a Helsinque - registraram protestos.

Pelo menos 148 pessoas foram detidas preventivamente na manifestação de Bruxelas, segundo a polícia, que explicou que todas foram prisões preventivas.



Fonte: G1

Bancários entram em greve por aumento real em todo o país

Bancários de 24 Estados e do Distrito Federal estão em greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira. A categoria decidiu cruzar os braços em assembleias realizadas na noite desta terça-feira (28), após rejeitarem a proposta de reajuste salarial dos bancos de reposição da inflação (4,29%).

O Sindicato dos Bancários de São Paulo informou que a categoria exige aumento real dos salários, e não apenas a reposição.

Os bancários informaram que entregaram a pauta de reivindicações no dia 11 de agosto e pedem aumento de 11%, PLR (Participação nos Lucros e Resultados), vale-refeição, vale-alimentação, auxílio-creche e pisos maiores, além de auxílio-educação para todos e melhores condições de saúde.

São 460 mil bancários no Brasil, sendo 130 mil na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A próxima assembleia será realizada na sexta-feira, 1º de outubro, a partir das 16h.
Está marcada para amanhã, na capital paulista, uma passeata pelas ruas do Centro. A concentração será às 16h na Praça do Patriarca.

No ano passado, os bancários iniciaram uma greve no final de setembro que durou 15 dias. Os funcionários da Caixa, no entanto, esticaram a paralisação por 28 dias.

Os bancos não se manifestaram ainda sobre a paralisação.

Em geral, no entanto, a Fenaban (Federação Nacional de Bancos) indica alternativas para pagamentos de contas, como pelas centrais telefônicas dos bancos. O último posicionamento da Febraban e da Fenaban foi feito no dia 8 de setembro, quando apresentaram a porposta não aceita pelos bancários.
 
ALTERNATIVAS
Os clientes que tiverem dificuldades em pagar contas nas agências também podem recorrer aos canais de atendimento remoto, como os caixas eletrônicas e os correspondentes não bancários como casas lotéricas, farmácias, agências dos Correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados.

Para quem tem acesso, os bancos ainda oferecem o serviço na internet.

Para localizar uma agência ou posto de atendimento bancário em qualquer ponto do país, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) disponibiliza em seu site na internet uma ferramenta de busca e localização de endereços.

Fonte: Folha de São Paulo

Desemprego recua para 12,3% em SP e atinge menor taxa para agosto desde 1992

A taxa de desemprego no país ficou em 11,9% em agosto, ante 12,4% no mês anterior, segundo pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em sete regiões metropolitanas e divulgada nesta quarta-feira. Em agosto de 2009, a taxa havia sido de 14,4%.

O índice em São Paulo também caiu, passando de 12,6% para 12,3%, o menor percentual para meses de agosto desde 1992.

Em Belo Horizonte, o desemprego passou de 8,3% para 7,5%. Já em Porto Alegre e no Distrito Federal, as taxas caíram de 8,9% para 8,7% e de 13,7% para 13,4%, respectivamente. Em Fortaleza, o índice foi de 10,2% para 9,2%.

Em Recife, o desemprego caiu de 17,2% para 15,9% e, em Salvador, passou de 16,9% para 16,3%.
O contingente de desempregados nos sete locais analisados foi estimado em 2,625 milhões de pessoas no mês passado, 104 mil a menos do que em julho. Esse número é resultante da criação de 161 mil vagas, aliada à entrada de 57 mil pessoas no mercado de trabalho.

Nesse mesmo comparativo, o nível de ocupação, na média nacional, teve alta de 0,8%. O total de ocupados nas sete regiões pesquisadas foi estimado em 19,438 milhões de pessoas, para uma PEA (População Economicamente Ativa) de 22,062 milhões.

Na divisão por atividade, o nível de ocupação subiu na maioria dos setores: comércio (77 mil), serviços (70 mil), construção civil (11 mil) e agregado de outros setores (18 mil). Já na indústria, houve redução de 15 mil postos.
 
RENDIMENTO
Em julho, o rendimento médio real dos ocupados no país cresceu 1,8%, chegando a R$ 1.289. Já o dos assalariados ficou em R$ 1.340, apresentando elevação de 1,5%.

O rendimento médio dos ocupados aumentou em Salvador (em 2,3%, para R$ 1.105), São Paulo (2,3%, para R$ 1.353), Porto Alegre (1,8%, para R$ 1.323), Distrito Federal (1,3%, para R$ 1.927) e Belo Horizonte (1,2%, para R$ 1.382).

Já em Recife, o rendimento permaneceu relativamente estável (0,2%) em R$ 865. Em Fortaleza, houve ligeiro decréscimo, de 0,5%, para R$ 825.

Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A tradição oral na educação escolar

Ação Griô Nacional busca criar uma política nacional de educação que garanta o ensino das tradições orais e da cultura popular brasileira
Poderia ser uma escola pública como outra qualquer. Porém, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, que fica no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo (SP), traz algo diferente em sua forma de educar as crianças. Entre as disciplinas do currículo escolar, os alunos têm um tempo reservado para o aprendizado da cultura popular brasileira, através de manifestações da tradição oral.

Este trabalho é realizado pelo Ponto de Cultura Amorim Rima e Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (Ceaca), que atua dentro da escola. Comandado por Alcides Lima, o ponto de cultura atende cerca de 300 crianças de 1ª a 4ª série.

Mestre Alcides, como é conhecido, conta que o trabalho começou por oficinas de capoeira fora do período escolar no ano 2000. E se consolidou quando, em 2005, o grupo passou a ser ponto de cultura, através de um edital do Ministério da Cultura (MinC).

O mestre explica que as aulas sobre a cultura popular ministradas pelo ponto de cultura fogem dos padrões do ensino formal das escolas brasileiras. A oralidade, segundo ele, trata-se de repetição. Assim, nas aulas, as crianças aprendem através da repetição de histórias, cantos, contos, poesias, entre outras manifestações artísticas. Primeiro, aprende-se o que é determinada tradição, trabalhando a parte gestual dela, como dança, música ou teatro. Depois, o aluno estuda sobre a sua origem e todo o contexto que a envolve. "A gente vai dando à criança essa questão da oralidade. Ah, de onde vem o coco? De Pernambuco. E onde fica Pernambuco? Fica no Nordeste. O que é ciranda, cordel? Que linguagem é essa? Como surgiu? Por que surgiu?", exemplifica Alcides. Desta forma, o ensino da tradição oral complementa a educação formal. Atualmente, o ponto de cultura trabalha além da capoeira, com coco, ciranda, puxada de rede, maculelê e samba de roda.


Ação Griô
O trabalho desenvolvido no Ponto de Cultura Amorim Rima não é único. Ele faz parte da Ação Griô Nacional, uma rede que integra 130 pontos de cultura em todo o país e que, através de seus mestres, busca fortalecer a identidade cultural de crianças e adolescentes, segundo a tradição de cada comunidade.

O objetivo da Ação é criar uma política nacional de educação que garanta o ensino das tradições orais e da cultura popular brasileira. “É uma mudança do currículo, da prática pedagógica da escola com esse novo olhar e com essa nova geração que se cria com os saberes e com os griôs e mestres”, explica Lílian Pacheco, educadora e coordenadora da Ação Griô Nacional.

A rede nasceu a partir do Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô, em Lençóis (BA), do qual Pacheco é coordenadora pedagógica, e hoje é formada por cerca de 750 mestres e griôs aprendizes.

A educadora conta que a Ação Nacional começou quando, com a formação dos pontos de cultura em 2005, o então secretário de Cidadania Cultural do MinC, Célio Turino, se interessou pelo projeto do Grãos de Luz e Griô, que já trabalhava com a oralidade, e decidiu estender a ação para todo o país.

Com isso, os pontos que já realizavam trabalho semelhante passaram a integrar a ação. “Uma coisa que a gente fala, não só eu, mas todos da tradição oral, é que a gente não começou com a Ação Griô, com o Ministério da Cultura. A gente lida com isso há muitos anos”, explica Alcides.


Reconhecimento
Para ser um mestre griô é necessário ser reconhecido por sua comunidade como detentor do conhecimento das tradições orais. Além dos mestres, existem os griôs aprendizes, que são educadores que trabalham com o ensino da cultura popular.

A palavra griô vem de griot, em francês. A palavra tem sua origem em bamanan, língua do noroeste da África, antigo império do Mali, e significa “o sangue que circula”. Assim como o significado da palavra, são reconhecidos como griôs aqueles que fazem com que as tradições circulem entre as novas gerações, preservando a identidade cultural de cada povo.

Lílian Pacheco aponta que a Ação Griô traz o reconhecimento dessas pessoas que guardam os saberes e tradições de cada comunidade. “O mestre griô daquela comunidade passa a ter um outro lugar social, político, econômico e educacional”, relata.

A griô aprendiz Catarina Ribeiro, do Ponto de Cultura A Bruxa Tá Solta, situado em Rorainópolis (RR), diz que nas comunidades em que a Ação Griô atua, percebe-se um olhar atencioso para os mais velhos. “Hoje temos jovens que falam que a melhor coisa no convívio com os mestres é a permanente prática de cooperação e solidariedade”, afirma.

Com isso, os mestres ganham visibilidade e começam a ser reconhecidos em seus locais de origem. “Para nós, do Ponto, eles são os nossos guardiões, fonte em que buscamos a renovação das forças e a alegria para caminhar. E os saberes da tradição oral são o ativo estratégico para continuarmos a riqueza da diversidade cultural brasileira”, conta a griô aprendiz, responsável pela coordenação da Regional Amazônia da rede.


Identidade cultural
Segundo Lílian Pacheco, esse reconhecimento contribui para o resultado que se espera obter através da educação das tradições orais, que é “o fortalecimento da identidade das crianças e dos adolescentes, a ancestralidade da criança e do adolescente de cada comunidade”.

A educadora afirma que, com o trabalho realizado pela Ação Griô, as crianças passam a reconhecer a sua etnia, sua descendência e a história de seu povo. No mesmo sentido, os educadores passam a tratar as ciências que são ensinadas nas escolas com um olhar mais contextualizado dentro do universo dos saberes, enriquecendo o aprendizado. “A ciência que tem o pescador daquela comunidade passa a ser integrada na ciência que está sendo estudada na escola”, exemplifica.

Pacheco, através das experiências vividas em seu ponto de cultura na cidade de Lençóis, reuniu todas as atividades e práticas realizadas e formulou a Pedagogia Griô. No entanto, segundo ela, cada ponto de cultura acaba criando o seu próprio modo de ensino através da oralidade, de acordo com o contexto cultural local.

No caso do Ponto de Cultura Amorim Rima, em São Paulo, Mestre Alcides conta que a capoeira é trabalhada como “uma possibilidade humana de educação”. Ele explica que através dela é possível agregar valores às crianças. “Porque dentro da capoeira tem toda uma questão de resgate de valores, como o respeito, o reconhecimento, entender porque as pessoas não são iguais, que cada um tem a sua dificuldade, que um complementa o outro. A gente trabalha isso”, descreve.

Outro exemplo pode ser dado através da experiência realizada no Ponto de Cultura Nina Griô, que fica em Campinas (SP). Marcos Alberto Simplício, o mestre Marquinhos, relata que um dos trabalhos realizados por seu ponto de cultura é a Roda do Conhecimento, uma reunião mensal de troca de saberes através da oralidade, onde crianças e adolescentes ouvem pessoas envolvidas no universo da cultura popular contarem suas histórias e experiências de vida. Segundo ele, esta é uma “pedagogia que valoriza o poder da palavra e fortalece os processos de formação de identidades locais”.

Para Catarina Ribeiro, “garantir o cuidado e a rede de transmissão oral é garantir a brasilidade que nos diferencia e nos aproxima dos demais povos”.

Por: Michelle Amaral/Brasil de Fato

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um ato para a história

Centenas de pessoas se reuniram em São Paulo (SP) para lançar a Carta "Pela Ampla Liberdade de Expressão no Brasil"



O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo viveu um dos seus melhores dias nesta quinta-feira à noite.

Eram 18h15 quando este blogueiro chegou ao local e mais de cinquenta pessoas já se aglomeravam no auditório Wladimir Herzog, que tem capacidade para 100 pessoas
sentadas.

O ato começaria às 19h, registre-se.

Entramos numa das salas da diretoria da entidade pra discutir os encaminhamentos do evento e quando saimos, umas 18h45, o auditório já está lotado.

O ato começou às 19h20. Éramos umas 300 pessoas no auditório e uma fila de mais de 100 tentando entrar.

Ao fim, os mais pessimistas falavam em 600 presentes. E os otimistas em mais de 1 mil. Este blogueiro arrisca dizer que de 700 a 800 pessoas estiveram no Sindicato
dos Jornalistas nesta quinta à noite.

Havia gente no corredor, no saguão do prédio e na rua. Algo impressionante.

E gente de diversos lugares. Um número considerável de pessoas de outras cidades e até de outros estados.

Além da presença de muitos veículos da mídia independente e livre, o que surpreendeu foi a presença maciça de órgãos da mídia tradicional. Provavelmente esses veículos esperavam que algo fosse dar errado. Ou imaginavam que a gente repetiria o fiasco do ato que ajudaram a promover na tarde de ontem na Faculdade do Largo São Francisco. E que não juntou nem 100 pessoas.

De qualquer forma é importante que se registre aqui que a relação com a imprensa comercial foi absolutamente respeitosa. Nenhum jornalista teve qualquer dificuldade
pra realizar o seu trabalho.

Posso assegurar, porque fiz essa mediação, que todos foram tratados de forma democrática e respeitosa.

Havia gente do Globo, do Estadão, da Folha, da Record, da Veja etc.

Da mesa do participaram representantes da CUT, CTB, CGTB, Nova Central Sindical, MST, Altercom, Barão de Itararé, Sindicato dos Jornalistas, PDT, PCdoB e PSB.

Pelo PSB falou a deputada federal Luiza Erundina. Ela encerrou o encontro e foi a mais aplaudida da noite.

Segue a carta lida pelo Altamiro Borges, em nome do Centro de Estudos Barão de Itararé. É importante que ela seja divulgada para todos os cantos possíveis.

Pela ampla liberdade de expressão no Brasil.


O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, proposto e organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, adquiriu uma dimensão inesperada.

Alguns veículos da chamada grande imprensa atacaram esta iniciativa de maneira caluniosa e agressiva. Afirmaram que o protesto é “chapa branca”, promovido pelos
“partidos governistas” e por centrais sindicais e movimentos sociais “financiados pelo governo Lula”. De maneira torpe e desonesta, estamparam em suas manchetes que o ato é “contra a imprensa”.

Diante destas distorções, que mais uma vez mancham a história da imprensa brasileira, é preciso muita calma e serenidade. Não vamos fazer o jogo daqueles que
querem tumultuar as eleições e deslegitimar o voto popular, que querem usar imagens da mídia na campanha de um determinado candidato. Esta eleição define o futuro do país e deveria ser pautada pelo debate dos grandes temas nacionais, pela busca de soluções para os graves problemas sociais. Este não é momento de baixarias e
extremismos.

Para evitar manipulações, alguns esclarecimentos são necessários:

1. A proposta de fazer o ato no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo teve uma razão simbólica. Neste auditório que homenageia o jornalista Vladimir Herzog, que
lutou contra a censura e foi assassinado pela ditadura militar, estão muitos que sempre lutaram pela verdadeira liberdade de expressão, enquanto alguns veículos da
“grande imprensa” clamaram pelo golpe, apoiaram a ditadura – que torturou, matou, perseguiu e censurou jornalistas e patriotas – e criaram impérios durante o regime
militar. Os inimigos da democracia não estão no auditório Vladimir Herzog. Aqui cabe um elogio e um agradecimento à diretoria do sindicato, que procura manter este local como um espaço democrático, dos que lutam pela verdadeira liberdade de expressão no Brasil.

2. O ato, como já foi dito e repetido – mas, infelizmente, não foi registrado por certos veículos e colunistas –, foi proposto e organizado pelo Centro de Estudos
Barão de Itararé, entidade criada em maio passado, que reúne na sua direção, ampla e plural, jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos
sociais que lutam pela democratização da comunicação. Antes mesmo do presidente Lula, no seu legítimo direito, criticar a imprensa “partidarizada” nos comícios de
Juiz de Fora e Campinas, o protesto contra o golpismo midiático já estava marcado. Afirmar o contrário, insinuando que o ato foi “orquestrado”, é puro engodo. Tentar
partidarizar um protesto dos que discordam da cobertura da imprensa é tentar, isto sim, censurar e negar o direito à livre manifestação, o que fere a própria
Constituição. É um gesto autoritário dos que gostam de criticar, mas não aceitam críticas – que se acham acima do Estado de Direito.

3. Esta visão autoritária, contrária aos próprios princípios liberais, fica explícita quando se tenta desqualificar a participação no ato das centrais sindicais
e dos movimentos sociais, acusando-os de serem “ligados ao governo”. Ou será que alguns estão com saudades dos tempos da ditadura, quando os lutadores sociais eram perseguidos e proibidos de se manifestar? O movimento social brasileiro tem elevado sua consciência sobre o papel estratégico da mídia. Ele é vítima constante de
ataques, que visam criminalizar e satanizar suas lutas. Greves, passeatas, ocupações de terra e outras formas democráticas de pressão são tratadas como “caso de
polícia”, relembrando a Velha República. Nada mais justo que critiquem os setores golpistas e antipopulares da velha mídia. Ou será que alguns veículos e até
candidatos, que repetem o surrado bordão da “república sindical”, querem o retorno da chamada “ditabranda”, com censura, mortos e desaparecidos? O movimento social
sabe que a democracia é vital para o avanço de suas lutas e para conquista de seus direitos. Por isso, está aqui! Ele não se intimida mais diante do terrorismo
midiático.

4. Por último, é um absurdo total afirmar que este ato é “contra a imprensa” e visa “silenciar” as denúncias de irregularidades nos governos. Só os ingênuos acreditam
nestas mentiras. Muitos de nós somos jornalistas e sempre lutamos contra qualquer tipo de censura (do Estado ou dos donos da mídia), sempre defendemos uma imprensa livre (inclusive da truculência de certas redações). Quem defende golpes e ditaduras, até em tempos recentes, são alguns empresários retrógrados do setor. Quem demite, persegue e censura jornalistas são os mesmos que agora se dizem defensores da “liberdade de imprensa”. Somos contra qualquer tipo de corrupção, que onera os cidadãos, e exigimos apuração rigorosa e punição exemplar dos corruptos e dos corruptores. Mas não somos ingênuos para aceitar um falso moralismo, típico
udenismo, que é unilateral no denuncismo, que trata os “amigos da mídia” como santos, que descontextualiza denúncias, que destrói reputações, que desrespeita a
própria Constituição, ao insistir na “presunção da culpa”. Não é só o filho da ex-ministra Erenice Guerra que está sob suspeição; outros filhos e filhas, como
provou a revista CartaCapital, também mereceriam uma apuração rigorosa e uma cobertura isenta da mídia.

5- Neste ato, não queremos apenas desmascarar o golpismo midiático, o jogo sujo e pesado de um setor da imprensa brasileira. Queremos também contribuir na luta em
defesa da democracia. Esta passa, mais do que nunca, pela democratização dos meios de comunicação. Não dá mais para aceitar uma mídia altamente concentrada e
perigosamente manipuladora. Ela coloca em risco a própria a democracia. Vários países, inclusive os EUA, adotam medidas para o setor. Não propomos um “controle da
mídia”, termo que já foi estigmatizado pelos impérios midiáticos, mas sim que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais
democrática e pluralista. Neste sentido, este ato propõe algumas ações concretas:

- Desencadear de imediato uma campanha de solidariedade à revista CartaCapital, que está sendo alvo de investida recente de intimidação. É preciso fortalecer os
veículos alternativos no país, que sofrem de inúmeras dificuldades para expressar suas idéias, enquanto os monopólios midiáticos abocanham quase todo o recurso
publicitário. Como forma de solidariedade, sugerimos que todos assinemos publicações comprometidas com a democracia e os movimentos sociais, como a Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Jornal Brasil de Fato, Revista do Brasil, Hora do Povo entre outros; sugerimos também que os movimentos sociais divulguem em seus veículos campanhas massivas de assinaturas destas publicações impressas;

- Solicitar, através de pedidos individuais e coletivos, que a vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, peça a abertura dos contratos e contas de
publicidade de outras empresas de comunicação – Editora Abril, Grupo Folha, Estadão e Organizações Globo –, a exemplo do que fez recentemente com a revista
CartaCapital. É urgente uma operação “ficha limpa” na mídia brasileira. Sempre tão preocupadas com o erário público, estas empresas monopolistas não farão qualquer
objeção a um pedido da Dra. Sandra Cureau.

- Deflagrar uma campanha nacional em apoio à banda larga, que vise universalizar este direito e melhorar o PNBL recentemente apresentado pelo governo federal. A
internet de alta velocidade é um instrumento poderoso de democratização da comunicação, de estimulo à maior diversidade e pluralidade informativas. Ela
expressa a verdadeira luta pela “liberdade de expressão” nos dias atuais. Há forte resistência à banda larga para todos, por motivos políticos e econômicos óbvios. Só
a pressão social, planejada e intensa, poderá garantir a universalização deste direito humano.

- Apoiar a proposta do jurista Fábio Konder Comparato, encampada pelas entidades do setor e as centrais sindicais, do ingresso de uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) por omissão do parlamento na regulamentação dos artigos da Constituição que versam sobre comunicação. Esta é uma justa forma de pressão para exigir que preceitos constitucionais, como o que proíbe o monopólio no setor ou o que estimula a produção independente e regional, deixem de ser letra morta e sejam colocados em prática. Este é um dos caminhos para democratizar a comunicação.

- Redigir um documento, assinado por jornalistas, blogueiros e entidades da sociedade civil, que ajude a esclarecer o que está em jogo nas eleições brasileiras
e que o papel da chamada grande imprensa tem jogado neste processo decisivo para o país. Ele deverá ser amplamente divulgado em nossos veículos e será encaminhado à imprensa internacional.

Fonte: Renato Rovai
Revista Fórum/Blog do Rovai

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Participação do governo na Petrobras sobe de 40% para 48%, diz Mantega

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou nesta sexta-feira que, com a capitalização, a parte do governo na petrolífera sobe de 40% para 48% do capital total.

Essa participação engloba as novas ações compradas pela União, por meio da cessão de barris de petróleo, além de papéis adquiridos pelo BNDESPar, pela Caixa Econômica Federal e pelo Fundo Soberano do Brasil.

O objetivo jamais declarado pelo governo era voltar a ter 50% do capital da Petrobras, como ocorria até o governo Fernando Henrique Cardoso. A meta só não foi atingida devido à forte demanda dos atuais acionistas, que tinham direito a comprar os papéis na proporção de 34% de suas posições.


"O Brasil não terá 'a maldição do petróleo'. Eu diria que será 'a benção do petróleo'", disse o ministro, durante cerimônia na BM&F-Bovespa. "A capitalização da Petrobras é um sinal dos bons tempos que o Brasil vive", acrescentou.

Na parte da oferta destinada aos antigos acionistas, houve um rateio das sobras mas não há confirmação do critério e da proporção definida para atender as reservas. Mas é fato que o governo não saiu satisfeito.

A adesão dos investidores pessoa física na fase não prioritária, destinada aos investidores em geral, também surpreendeu. O rateio definido foi de 45,77% dos valores pedidos. Quem pediu reserva de R$ 10 mil, por exemplo, só levou R$ 4.577 em ações.

CAPITALIZAÇÃO
Ontem à noite, a empresa anunciou que levantou R$ 120,36 bilhões (US$ 70 bilhões) na maior venda de ações já feita no mercado de capitais. O montante equivale a 4,2% do PIB brasileiro em 2009.

Desse total, até R$ 74,8 bilhões virão do governo na forma de barris de petróleo. Dinheiro assegurado até agora são R$ 45,6 bilhões. A captação supera as ofertas da japonesa NTT (US$ 36,8 bilhões) e do chinês AgBank (US$ 22,1 bilhões).

PREÇO DAS AÇÕES
As novas ações saíram a R$ 29,65 (ON) e a R$ 26,30 (PN), com desconto em relação ao preço de ontem na Bolsa. A interpretação foi que os grandes investidores não conseguiram levar integralmente os papéis que fizeram reserva e tentavam, ontem, comprar as ações antes de uma possível alta. Neste ano, as ações chegaram a cair 20%. O preço na oferta é fixado com base na demanda dos grandes investidores, que pedem um "desconto" para não comprar os papéis na Bolsa.

Capitalizada, a Petrobras terá recursos para deslanchar seu plano de exploração no pré-sal, uma das últimas reservas conhecidas de petróleo no mundo. A estatal deixa ainda a condição desconfortável de empresa no limite de endividamento --a Petrobras corria risco de perder a avaliação de "grau de investimento", espécie de selo de bom pagador.

Com o preço definido, os novos papéis são distribuídos imediatamente e começam a ser negociados amanhã na Bolsa de Nova York. O presidente Lula comandará a festa hoje na BM&F Bovespa com direito a discurso nacionalista, apesar de os papeis só estrearem no Brasil na segunda.


Fonte: Folha de São Paulo




Grupo discute melhorias das condições de trabalho no Paraná

Elaborar propostas para melhorias no ambiente de trabalho, prevenir acidentes e assegurar a saúde do funcionário. Estes são os objetivos do grupo de discussão criado, em parceria, pelas secretarias estaduais de Saúde, de Trabalho, centrais sindicais, setor privado e Organização Internacional do Trabalho (OIT). O decreto que instaura o grupo foi assinado pelo governador do Paraná, Orlando Pessuti, nesta quarta-feira (22), em Curitiba. “Devemos combater tudo que não é digno ao trabalhador”, destacou o governador.

O Paraná foi o terceiro estado do Brasil a organizar ações para formulação de uma Agenda do Trabalho Decente. As discussões desta quarta-feira são a última etapa de ciclos de debates que ocorreram nas regiões de Londrina, Maringá, Guarapuava e Foz do Iguaçu. Pessuti avaliou que as discussões antecipadas nas macrorregiões são importantes porque atendem as especificidades locais e permitem uma seleção do que é prioridade para o Paraná.

De acordo com a OIT, um trabalho decente é aquele que remunera adequadamente o funcionário, é exercido em ambiente seguro, oferece condições de liberdade, igualdade e garante uma vida digna ao trabalhador.

As propostas serão encaminhadas à Conferência Nacional da Agenda do Trabalho Decente da OIT, que acontecerá em dezembro, na cidade de São Bernardo do Campo (SP) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O secretário de Saúde, Carlos Moreira, disse que apesar de o Paraná ter evoluído em muitos indicadores de saúde como mortalidade materna infantil, nos últimos 10 anos, percebeu-se uma estagnação na redução dos acidentes de trabalho. “É preciso enfrentar essa questão”, afirmou Moreira.

De acordo com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), o Brasil registra um acidente de trabalho por minuto. No Paraná, a cada dez minutos ocorre um acidente de trabalho, e uma pessoa morre por dia em decorrência de acidente de trabalho. O secretário destacou outras ações do governo estadual direcionadas para a saúde do trabalhador como os Centros de Referência de Saúde do Trabalhador. Orlando Pessuti ressaltou o piso regional como outra política pública em prol do trabalho decente.

Tércio Albuquerque, secretário de Emprego, Trabalho e Promoção Social afirmou que a secretaria está aberta para diálogos com centrais sindicais, empresas e indústrias. “O trabalhador tem apoio incondicional da secretaria e do governo estadual”. O governador Pesuti destacou que o desenvolvimento sustentável só é possível se houver consolidada “uma base para o trabalho decente”.

Fonte: Agência de Notícias do Estado do Paraná

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Após 60 dias de greve de fome dos mapuches, impasse continua

Presidente chileno assinou um projeto para modificar a Lei Antiterrorista que, segundo os indígenas, é insuficiente

Depois de mais de 60 dias do início da greve de fome levada a cabo por 34 presos da etnia mapuche, continua o impasse com o governo chileno a respeito das reivindicações do povo indígena.

Os presos mapuches anunciaram, na última quinta-feira (09), que estão dispostos a chegar “às últimas consequências” com o protesto que fazem contra a lei antiterrorista, utilizada pelo governo chileno no julgamento de indígenas envolvidos em conflitos para retomada de suas terras ancestrais.

No mesmo dia, o presidente chileno, Sebatián Piñera, assinou um decreto que modifica a aplicação da lei antiterrorista. De acordo com a proposta de Piñera, são estabelecidos quatro eixos que buscam tipificar melhor o crime terrorista, fortalecer o processo dos que são julgados por essa lei, racionalizar as penas para que sejam justas, e não excessivas, e também fortalecer a capacidade de investigar estes crimes.

No entanto, para os indígenas, as reformas propostas pelo presidente chileno ao instrumento legal são “absolutamente insuficientes”.

A Lei Antiterrorista foi instituída na época da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e, desde essa época, o movimento indígena é considerado pelo governo chileno como terrorista. A lei permite que os acusados de terrorismo sejam mantidos presos preventivamente por até dois anos e que suas penas sejam triplicadas, entre outras coisas.

Os mapuches afirmam que são presos políticos, e não terroristas. Assim, não devem ser julgados com base nesta lei. Suas demandas referem-se a "terras ou ao exercício de direitos políticos", o que, para eles, não poderia ser classificado como terrorismo.

Os presos políticos pedem a devolução de suas terras ancestrais, a desmilitarização destes territórios, o fim da aplicação da Lei Antiterrorista, a liberdade de todos os presos políticos do povo mapuche e o tratamento igualitário na justiça.

Novo conflito
Nesta segunda-feira (13), dois dos presos mapuches em greve de fome, Jonathan Huillical e José Huenuche, tiveram de ser levados ao hospital de Concepción, que fica ao sul da capital chilena Santiago, por apresentarem problemas de saúde. Durante a transferência dos indígenas, a mãe de Ramón Llanquileo, que também está preso, foi agredida por um agente policial, o que acabou gerando um conflito entre os mapuches e a polícia.

Segundo relato de alguns mapuches, a ação da polícia foi violenta, resultando em 30 indígenas feridos e 13 presos, acusados de desordem e danos ao hospital. Entre os detidos estão quatro representantes dos mapuches em greve de fome.

Apoio
O protesto dos indígenas tem recebido apoio dentro e fora do país. No dia nove, quatro deputados chilenos, membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, em solidariedade aos presos mapuches, somaram-se à greve de fome. O presidente da Conferência Episcopal do Chile, Dom Alejandro Goic Karmelic, também manifestou apoio e pediu ao governo que sejam dados “passos significativos” para a solução do impasse.

Na sexta-feira (10), 34 parlamentares europeus pediram ao presidente chileno uma “solução imediata” para o conflito. Em nota, eles solicitaram que seja suspensa a aplicação da lei antiterrorista contra o povo mapuche e que se busque “uma solução satisfatória a longo prazo para a situação social, econômica, cultural e judicial dos mapuche”.

Luta histórica
A greve de fome dos presos mapuches começou no dia 12 de julho. Dos 34 indígenas, 32 estão sem comer há mais de 60 dias. Eles fazem greve de fome líquida, ficando somente a base de água.

Durante anos os mapuches têm realizado protestos pela recuperação de seus territórios, ocupados por empresas madereiras e fazendeiros. No entanto, suas ações são criminalizadas pelo governo chileno. 
Atualmente, cerca de 106 indígenas estão presos, foram condenados ou processados no Chile por causa de conflitos pela retomada de suas terras.

Os mapuches são o povo indígena mais numeroso do Chile. Representam 6,6% da população total, de 16 milhões de habitantes.

Fonte: Brasil de Fato

Grécia vive novo dia de greves e protestos

A Grécia vive nesta quarta-feira (22) uma nova onda de protestos, desta vez protagonizada pelos empregados ferroviários e das transportadoras, contra a política de economia do governo para reduzir a dívida do país.

Os funcionários das ferrovias realizam nesta quarta e quinta uma greve de cinco horas a partir das 12h locais (6h de Brasília) que deve provocar cancelamentos e modificações em trajetos nacionais e internacionais.

Os trabalhadores protestam contra a decisão do Governo de privatizar a empresa e as políticas de corte de salários para diminuir as perdas de dez bilhões de euros anuais da companhia.

Além disso, milhares de caminhoneiros, que há uma semana mantêm uma greve em protesto pela liberalização do setor, se encontram concentrados junto ao Parlamento, em Atenas, e interrompem o tráfego regularmente.

A greve dos caminhoneiros já causa problemas de desabastecimento na indústria e no comércio.

Além disso, grupos de agricultores se concentraram nesta quarta-feira no centro da capital para manifestações contra o Executivo, que exige que sejam usadas caixas registradoras para controlar mais seu faturamento na venda de seus produtos nos mercados, assim como o aumento do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA).

O sindicato de funcionários convocou uma greve de 24 horas para o próximo dia 7 de outubro contra a redução salarial e o atraso da idade de aposentadoria aprovado pelo Governo.

No dia seguinte, começarão no Conselho de Estado as audiências sobre a denúncia que os funcionários apresentaram contra o acordo do Governo com o Fundo Monetário Internacional e a eurozona, pelo qual a Grécia receberá 110 bilhões de euros em créditos em troca de uma dura política de economia.

Fonte: Folha de São Paulo

Mesmo pós-graduadas, mulheres ganham até 51% menos que homens

Os salários entre homens e mulheres têm diferenças de até 51%, segundo pesquisa da Catho Online. Mesmo com pós-graduação, as remunerações continuam diferentes. O levantamento envolveu 164 mil entrevistados de 20 mil empresas no país.

Na comparação entre sexos ocupando o mesmo cargo, a pesquisa aponta que os homens ganham mais que as mulheres em todos os níveis, com destaque para a gerência, onde eles ganham, em média, 51,6% a mais que as mulheres, seguido do operacional (50,7% mais) e técnico (37,5% mais).

No cargo de direção, a diferença chega a 35,5% a favor do homem e, no cargo de supervisão, de 32,2%.
Apesar de ainda ganharem menos que os homens, no quesito escolaridade as mulheres possuem indicativos maiores que os eles: 63,7% das mulheres têm ensino superior -- 44,2% são graduadas e 19,5% pós-graduadas.
No caso dos homens o percentual é de 55,3% --38% com graduação e 17,3% com pós.

'Mesmo as mulheres se preparando tão bem para o mercado de trabalho, elas ainda possuem salários menores. Observamos grandes diferenças salariais tanto para cargos operacionais como gerenciais, ou seja, as diferenças ainda ocorrem de forma expressiva em vários níveis hierárquicos', aponta Silvana Di Marco, gerente da Pesquisa Salarial.

Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Prazo para pedir segunda via do título de eleitor termina nesta quinta

Quem perdeu título ou teve o documento extraviado deve pedir reimpressão. Pedido pode ocorrer em qualquer cartório, mesmo fora do domicílio eleitoral.

Os eleitores têm até a próxima quinta-feira (23) para solicitar a segunda via do título de eleitor. A partir deste ano, o uso do título será obrigatório da hora de votar juntamente com um documento oficial com foto - até as últimas eleições, era permitido votar com apenas um dos documentos.

A exigência dos dois documentos está descrita na lei 12.034/2009, conhecida como a minirreforma eleitoral Entre outras questões, essa lei introduziu regras para campanha na internet e determinou a impressão do voto eletrônico a partir de 2014.

De acordo com a Justiça Eleitoral, é permitido pedir a segunda via em qualquer cartório eleitoral do país, mesmo fora do domicílio do eleitor. Para obter a segunda via, é preciso levar documento oficial com foto.

Os documentos oficiais aceitos pela Justiça Eleitoral, tanto para retirar a segunda via do título como para votar, são: documento de identidade, identidade funcional, carteira profissional, carteira de motorista, certificado de reservista ou passaporte. A Justiça Eleitoral destaca que certidões de nascimento ou casamento não são aceitas em nenhum dos casos.

Só pode pedir segunda via quem já requereu até 5 de maio a inscrição eleitoral.

Em alguns cartórios, a reimpressão é feita na hora. O prazo final para os cartórios entregarem a segunda via para quem pediu o documento é 2 de outubro, véspera do primeiro turno da eleição.
Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão aptos para votar 135,8 milhões de eleitores neste ano.
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Mensagem
Por conta da campanha "Eleições Limpas", parceria entre o TSE e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), eleitores estão recebendo nesta semana mensagens SMS sobre o prazo para solicitar a segunda via do título.

Conforme o TSE, somente clientes da operadora Vivo recebem as mensagens. Trata-se da terceira mensagem enviada por meio da parceria: as outras abordaram a importância do voto consciente.

Fonte: G1

Bancários atrasam abertura de agências em SP

Categoria realiza ato por reajuste salarial, participação nos lucros e mais benefícios

Os bancários vão atrasar a abertura de agências e centros administrativos do Centro de São Paulo nesta terça-feira, 21, quando realizam o Dia Nacional de Luta da categoria. O ato, que estava previsto para começar por volta das 7 horas, faz parte da Campanha Nacional Unificada 2010. A categoria, que tem data-base em 1º de setembro, reivindica aumento real de 5%, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-refeição, vale-alimentação, auxílio-creche e pisos salariais maiores, além de auxílio-educação para todos e melhores condições de saúde.
No Dia Nacional de Luta serão distribuídas fitinhas da campanha de mídia "Outro banco é preciso. Amarre-se nessa ideia!", na cor branca, que representa as reivindicações, e vermelha, da mobilização. O ato da Campanha Nacional Unificada 2010 ocorre um dia antes da quinta rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), quando os banqueiros deverão apresentar proposta ao Comando Nacional dos Bancários. Uma assembleia está marcada para 28 de setembro, quando os trabalhadores apreciarão a proposta e decidirão os próximos passos da Campanha Unificada 2010.

 Fonte: Solange Spigliatti, do estadão.com.br