quarta-feira, 15 de junho de 2011

OIT determina direitos iguais para domésticas

Classe terá de receber os mesmos benefícios dos trabalhadores de outras categorias; no Brasil, governo terá de mudar a Constituição

13 de junho de 2011 | 23h 00
Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

GENEBRA - Após 50 anos de debates, trabalhadoras domésticas terão finalmente o mesmo direito dos demais trabalhadores no mundo, o que obrigará o governo brasileiro a reformar a Constituição para garantir a mudança no status das domésticas. Nesta segunda-feira, 13, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu negociação para criação de uma convenção internacional para garantir direitos às trabalhadoras domésticas.

A votação do projeto vai ocorrer ainda nesta semana. Governos e sindicatos apostam na aprovação do tratado. Se for ratificado pelo Brasil, o governo terá de iniciar processo para modificar a Constituição.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acha que a votação não trará mais surpresas e disse que a mudança constitucional vai ocorrer. No Brasil, não há necessidade de reconhecer o FGTS no caso das domésticas. O Fundo de Garantia é apenas um "benefício opcional" que o empregador pode ou não conceder. Mas, ao se equiparar o estatuto dessa classe, será obrigatório.

Lupi, que admitiu a explosão que o setor sofre no Brasil, garantiu aos sindicatos que haverá projeto de lei nesse sentido e que o governo quer ser um dos primeiros a ratificar a convenção. A principal mudança terá de ocorrer no artigo 7 da Constituição, que fala dos direitos dos trabalhadores. "Já estamos em negociação com o governo para permitir que a mudança na Constituição seja apresentada ao Congresso", disse Rosane Silva, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT. Segundo ela, foram os países europeus que mais resistiram ao acordo. "Os europeus querem os direitos máximos para seus trabalhadores e os mínimos para os imigrantes", acusou Rosane, que participou das negociações.

Dados do Ministério do Trabalho indicam que 15% das trabalhadoras domésticas do mundo estão no Brasil. Existem no País cerca de 7,2 milhões de trabalhadoras nessa classe. Apenas 10% têm carteira assinada. Desde 2008, o número de domésticas aumentou em quase 600 mil.

"A maioria está sem contratos formais de trabalho e submetidas a jornadas excessivas e sem proteção social", disse Lupi. Segundo o governo, a média é de 58 horas semanais de trabalho para essa classe de trabalhadoras.

Segundo o Ministério, o salário médio de uma empregada doméstica é inferior ao salário mínimo. Os cálculos apontam que não passaria de R$ 400 por mês. "As trabalhadoras domésticas fazem parte de uma das categorias profissionais historicamente mais negligenciadas do mundo do trabalho", disse Lupi. Segundo o IPEA, um terço dos domicílios chefiados por trabalhadoras domésticas são domicílios pobres ou extremamente pobres.

Meia década. No mundo, as trabalhadoras domésticos somam mais de 52 milhões de mulheres, mas a convenção está prestes a ser votada 50 anos depois do primeiro pedido feito à OIT.

Se no Brasil o tema é um dos mais delicados, no resto do mundo também é explosivo. Por trabalharem em casas, muitas dessas empregadas são invisíveis. "Pela primeira vez essas trabalhadoras estão sendo trazidas para a luz do dia", afirmou William Gois, representante da Migrant Forum in Asia, entidade que se ocupa da situação de milhares de filipinas que trabalham na Europa, Estados Unidos e Japão.

"Em muitos lugares, empregadores confiscam os passaportes de suas domésticas para impedir que deixem o trabalho", disse. "Quando pedem aumento, são ameaçadas de expulsão", explicou. A filipina Marissa Begonia disse que foi alvo de um tratamento abusivo quando trabalhava em Hong Kong como doméstica. "Depois de 17 anos trabalhando nessa situação, hoje posso comemorar", afirmou.


Fraude no INSS manda médicos e contadores para cadeia em AL

Estimativa é que o esquema tenha causado prejuízo de R$ 12 milhões aos cofres públicos

Do R7 - publicado em 14/06/2011 às 12h56:

Médicos peritos, contadores e servidores do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) estão entre os detidos nesta terça-feira (14) em uma operação contra fraudes de benefícios da previdência em Alagoas. A Polícia Federal cumpriu 24 mandados de prisão contra os suspeitos na cidade de Maceió.

A estimativa é que o esquema tenha causado prejuízo de R$ 12 milhões aos cofres públicos. Existem evidências de que a quadrilha vinha atuando há três anos.

A Polícia Federal não informou os nomes dos presos, porque o processo corre em segredo de Justiça. Entre eles pá três médicos peritos e três servidores da agência do Centro do INSS.

Em nota, a PF diz que a participação dos contadores consistia na criação de vínculos empregatícios falsos para os beneficiários e na criação de empresas fantasmas para fornecer os vínculos trabalhistas.

A quadrilha se beneficiava do esquema recebendo indevidamente auxílio-doença ou benefícios por invalidez.

Os acusados foram enquadrados pelos crimes de estelionato qualificado, formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso, inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção ativa e passiva, além de falsa perícia. As prisões somadas, em caso de condenação, podem chegar a 40 anos.

A operação CID-F recebeu esse nome a partir da sigla da Classificação Internacional de Doenças. O código é usado pelos médicos para identificar a doença do paciente no prontuário de licença e para a concessão de benefícios. A terminação -F foi usada porque, segundo informação da PF, a maioria dos beneficiários do esquema simulava transtornos mentais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Auxílio-doença cria pressão para caixa da Previdência Social

A Previdência Social poderá ter uma despesa adicional superior a R$ 1 bilhão por ano se o pagamento de auxílio-doença continuar aumentando no ritmo acelerado observado nos últimos meses, informa reportagem de Claudia Rolli e Érica Fraga, publicada na edição desta terça-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

O número de beneficiários afastados do trabalho por doença começou a crescer muito em novembro do ano passado e tem oscilado em torno de 1,4 milhão.

Para o governo, o aumento não preocupa porque o total de contribuintes também cresceu, mas analistas veem riscos.

No ano passado, a Previdência Social gastou R$ 13 bilhões com o auxílio-doença e um total de R$ 246 bilhões em benefícios. Como as contribuições que recebe são insuficientes para cobrir suas despesas, a Previdência teve um déficit de R$ 44 bilhões.

Acesso amplo e rápido ao diagnóstico da Aids

06/06/2011

Autor: Thaís Fernandes
Fonte: Ciência Hoje


Kit desenvolvido pela Fiocruz permite confirmar a presença dos vírus HIV 1 e 2 em pacientes em apenas 20 minutos. O novo teste é fácil de aplicar e dispensa infraestrutura laboratorial, o que permitirá seu uso em áreas remotas do país

Em breve, as pessoas que procurarem as unidades públicas de saúde que realizam diagnóstico de Aids já poderão receber o resultado definitivo na mesma consulta. Um teste desenvolvido no Brasil, em colaboração com um laboratório norte-americano, é capaz de confirmar, em apenas 20 minutos, se um paciente é portador do vírus HIV.

Produzido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o novo teste confirmatório permite detectar separadamente os vírus HIV 1 e 2 de modo mais rápido, preciso e barato que os importados usados atualmente. Além disso, dispensa infraestrutura laboratorial e é simples de aplicar, o que vai permitir sua realização em cidades pequenas e áreas mais remotas do Brasil.

“Com esse teste, poderemos ampliar ainda mais o acesso ao diagnóstico da Aids no país”, avalia Antônio Ferreira, gerente do Programa de Desenvolvimento de Reativos de Bio-Manguinhos, responsável pela produção do novo kit.

Atualmente, quem vai a um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), serviço do Ministério da Saúde que realiza ações de diagnóstico e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, passa, durante o atendimento, por um teste rápido de triagem para verificar se é portador de HIV.

Mas esses testes, em alguns casos, podem gerar resultados falso-positivos, devido a reações cruzadas. Isso acontece porque os antígenos (partículas reconhecidas pelos anticorpos produzidos pelo sistema imune) usados no teste podem reagir com anticorpos associados a outras doenças, o que induz a um diagnóstico errado.

Por isso, todos os pacientes apontados como soropositivos na triagem têm que realizar um teste confirmatório, que é feito em laboratórios e pode levar dias ou semanas para ficar pronto. “O problema é que de 30% a 40% dessas pessoas não voltam mais ao CTA para pegar a confirmação”, ressalta Ferreira. Consequentemente, elas deixam de ter o resultado conclusivo e o acompanhamento adequado.

“Nosso teste complementa a possibilidade de diagnóstico rápido da Aids”, enfatiza o pesquisador, acrescentando que o kit nacional é o único teste confirmatório de HIV disponível no mercado que apresenta o resultado rapidamente. Além disso, ele é cinco vezes mais barato que os testes laboratoriais importados, que custam cerca de R$ 150.


Tecnologia inovadora

O novo teste foi desenvolvido graças a uma parceria com a empresa norte-americana Chembio, que transferiu para Bio-Manguinhos uma tecnologia que permite a realização de testes de diagnóstico rápido de várias doenças simultaneamente a partir de uma única amostra de fluido corporal. A mesma tecnologia foi usada no desenvolvimento dos kits de triagem já disponíveis na rede pública de saúde.

Para desenvolver o teste rápido confirmatório de HIV 1 e 2, Bio-Manguinhos usou as principais partes das proteínas dos vírus como antígenos para a identificação de eventuais anticorpos presentes nas amostras.

A execução do teste é simples, o que vai facilitar o treinamento dos profissionais de saúde. Basta furar o dedo do paciente, coletar uma gota de sangue (aproximadamente 5 microlitros) e colocá-la em uma abertura localizada em uma espécie de placa de plástico onde é realizado o teste. Em seguida, pinga-se um líquido especial nessa abertura.

A amostra sanguínea migra então para um outro campo da placa, onde há uma faixa com linhas verticais. Nessa faixa estão os antígenos. Após cinco minutos, adiciona-se novamente o líquido especial, dessa vez em outra abertura da placa.

Depois de 15 minutos, é possível ler o resultado a partir das linhas verticais, que apresentam um padrão diferenciado para os vírus HIV 1 e 2. “O kit é sensível e eficaz já a partir do 25º dia de infecção”, destaca Ferreira.

O teste rápido confirmatório para HIV 1 e 2 foi lançado oficialmente em maio, durante o II Simpósio Internacional de Imunobiológicos, realizado no Rio de Janeiro como parte das comemorações pelos 35 anos de Bio-Manguinhos. “Fizemos um acordo inicial para a produção de 150 a 250 mil testes por ano”, diz o pesquisador. Os kits devem começar a ser distribuídos para a rede de saúde no segundo semestre de 2011.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fiscais liberaram 3.716 crianças e adolescentes do trabalho ilegal:Censo 2010 do IBGE apurou que 130 mil famílias são chefiadas por crianças no Brasil

Somente neste ano, 3.716 crianças e adolescentes foram resgatados do trabalho ilegal em todo o país, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As previsões mais otimistas consideram que esse tipo de exploração só será erradicado em 2015.

A secretaria ministerial responsável pela fiscalização tem o dever de afastar os menores do trabalho irregular e acionar a rede de proteção, o que permite a inclusão em programas sociais. As denúncias de exploração de mão de obra infantil podem ser feitas diretamente nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego ou nos Conselhos Tutelares de cada município.

No último mês de maio, uma série de autuações liberou 64 pessoas do trabalho semelhante ao escravo em olarias de tijolo no estado de Goiás. Parte dessas pessoas nasceu no local e serviu desde a infância – por mais de 30 anos.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima em quase 218 milhões o número de crianças entre cinco e sete anos que trabalham. O Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apurou que 130 mil famílias são chefiadas por crianças no Brasil.

Os dados da fiscalização podem ser acessados no Sistema de Informações sobre Focos de Trabalho Infantil (SITI), disponível no Portal do MTE.

Fonte: Brasil de Fato

Nanopartícula perigosa - Efeitos da nanopartículas sobre a saúde podem estar errados

Autor: Diana Lutz
Fonte: Diário da Saúde
08/05/2011


Um detalhe negligenciado ao se projetar os experimentos científicos pode invalidar experiências que tentam medir o efeito das nanopartículas sobre a saúde humana.

Embora as nanopartículas - partículas com dimensões na faixa dos bilionésimos de metro - estejam cada vez mais sendo utilizadas para levar medicamentos até pontos específicos do corpo, pouco se sabe sobre os efeitos das próprias nanopartículas sobre o organismo.

A maioria dos experimentos usa nanopartículas biocompatíveis ou biodegradáveis.

Porém, alguns estudos demonstraram que as nanopartículas podem danificar o DNA das células. Outros pesquisadores chegam a comparar as nanopartículas ao amianto.

Toxicidade

Os estudos - sejam sobre as potenciais aplicações das nanopartículas, seja sobre sua toxicidade - fundamentam-se na capacidade que os cientistas têm para quantificar a interação entre as nanopartículas e as células, especialmente a absorção (ingestão) de nanopartículas pelas células.

Nos testes-padrão de laboratório, que medem a atividade biológica das nanopartículas, as células são colocadas em um prato de vidro - um disco de Petri - e um meio de cultura contendo nanopartículas é despejado em cima delas.

Isto parecia ser o suficiente até agora, segundo a avaliação dos cientistas.

Mas Younan Xia e seus colegas da Universidade Washington, nos Estados Unidos, começaram a questionar essa simplicidade enquanto faziam experimentos com nanopartículas de ouro - largamente consideradas inofensivas ao corpo humano porque o ouro é muito pouco reativo.

E se as células estivessem de cabeça para baixo? Isso faria alguma diferença? Isso mudaria a taxa de absorção das nanopartículas?

Captação celular de nanopartículas

"As pessoas presumem que, se prepararem uma suspensão, a suspensão teria a mesma concentração em todos os lugares, inclusive na superfície das células," diz Xia.

Uma bateria de experimentos com ambas as configurações - padrão e com as células de cabeça para baixo - mostrou que as nanopartículas acima de determinados tamanhos e pesos vão para o fundo da solução.

Assim, as concentrações de nanopartículas perto da superfície celular são diferentes daquelas medidas na solução como um todo, e a taxa de absorção celular é mais elevada.

Os cientistas então concluem, em um artigo publicado na revista Nature Nanotechnology: "Estudos sobre a captação celular de nanopartículas, que têm sido realizados com células na configuração vertical, podem ter dado origem a dados errôneos e enganosos."

Movimento browninano e gravidade

Os cientistas achavam que poderiam assumir com segurança que a concentração das nanopartículas no fluido próximo às células, que determina a captação celular, era a mesma que a concentração inicial das nanopartículas no meio de cultura.

Isso porque, teoricamente, as partículas são pequenas o suficiente para serem facilmente movidas pelo movimento Browniano, o movimento aleatório das moléculas em um líquido.

Por esse raciocínio, a gravidade não superaria essa força para a difusão, e as nanopartículas ficariam dispersas na solução, em vez de se sedimentarem.

Os experimentos mostraram que, para as partículas menores e mais leves, de fato não há disparidade na absorção entre as células na posição vertical e as configurações de cabeça para baixo.

No caso das partículas maiores e mais pesadas, porém, a sedimentação dominou, e as células em posição normal absorveram mais nanopartículas mais do que as células de cabeça para baixo.

Reavaliação

"Todos os trabalhos anteriores precisam ser reavaliados para explicar os efeitos da sedimentação sobre a dosimetria das nanopartículas", concluem os autores.

"Não é diferente com os medicamentos que precisam ser agitados para suspender um pó em água. Se você não agitar o frasco", explica Xia, "você acaba submetendo a si mesmo a sub ou a superdosagens."



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Emissões de CO2 batem recorde e ameaçam combate ao aquecimento


Folha on-line 01/06/11

As emissões de CO2 (dióxido de carbono) vindas do setor energético voltaram a bater seu recorde histórico em 2010, dificultando ainda mais os esforços para minimizar o aquecimento global.

A informação é da AIE (Agência Internacional de Energia), que compilou os dados no relatório "Global Energy Outlook".

Segundo a agência, a liberação de gás carbônico na atmosfera no ano passado alcançou a marca de 30,6 gigatoneladas (ou seja, bilhões de toneladas).

Trata-se de um aumento de 5% em relação a 2008, ano recordista anterior, durante o qual as emissões tinham chegado a 29,3 bilhões de toneladas.

As emissões ligadas ao setor energético respondem pela maior parte do total de gases do efeito estufa lançados na atmosfera.

Nesse ritmo, a agência vê grandes dificuldades para impedir que o planeta aqueça mais de dois graus Celsius até o fim do século ""nível de mudança climática considerado perigoso pelos especialistas.

Para evitar esse risco, as emissões máximas até 2020 teriam de parar nos 32 bilhões de toneladas de CO2, ou seja, o aumento nos próximos dez anos teria de ser menor do que o entre 2009 e 2010, calcula a agência internacional.


Rio tem mais de 5 mil novos casos de dengue somente nos últimos sete dias

Fonte: Uol -Paulo Virgilio Da Agência Brasil 30/05/11


Os casos de dengue no município do Rio de Janeiro superaram em maio a marca de 50 mil infectados, alcançando 50.361 notificações, de acordo com a atualização feita hoje (30) pela Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil. Ao longo do mês, foram 7.705 novos casos, sendo 5.041 somente nos últimos sete dias.

Em duas regiões administrativas, a incidência da doença ultrapassa o patamar de 300 casos por 100 mil habitantes, referência usada pela prefeitura para configurar índices considerados como surto ou epidemia. São elas Guaratiba, com 409,2 casos por 100 mil habitantes, e Santa Cruz, com 307,4, ambas na zona oeste da cidade.

Na região de Guaratiba, chamam a atenção ainda os números referentes ao bairro de Pedra de Guaratiba: 2.162,2 casos. Ao todo, 11 bairros, de várias regiões administrativas das zonas norte e oeste, superam a marca de 300 casos por 100 mil habitantes.

OMS anuncia que radiação de celular pode causar câncer

Fonte: Correio do Estado 31-05-11

As radiações emitidas por telefones celulares foram classificadas como "possivelmente cancerígena para os seres humanos." pela Organização Mundial de Saúde (OMS) hoje (31). A agência lista o uso do telefone móvel como potencial causador de câncer, mesma categoria do chumbo, escapamento de motor de carro e clorofórmio. A informação foi publicada no site CNN Health.

Antes do anúncio de hoje, a OMS havia garantido aos consumidores que a radiação não tinha sido relacionada a nenhum efeito nocivo à saúde.

Uma equipe de 31 cientistas de 14 países, incluindo Estados Unidos, tomou a decisão depois de analisar estudos revisados por especialistas sobre a segurança de telefones celulares.

Isto significa que não existem estudos suficientes a longo prazo para concluir se a radiação dos telefones celulares é segura, mas há dados suficientes que mostram uma possível conexão, e que os consumidores devem ser alertados.

O tipo de radiação que sai de um telefone celular é chamado de não-ionizante. Não é como um raio-X, mas mais como um forno de micro-ondas de baixa potência.

"O que a radiação do micro-ondas faz, em termos mais simples, é semelhante ao que acontece aos alimentos no micro-ondas: cozinha o cérebro", disse Keith Black ao site da CNN, neurologista do Centro Médico Cedars-Sinai, em Lós Angeles.

A OMS classifica os fatores do ambiente em quatro grupos: cancerígenos --ou causadores de câncer-- para o homem; possivelmente cancerígeno para os seres humanos; não classificados quanto ao risco de câncer para o homem; e provavelmente não cancerígeno para os seres humanos.

O tabaco e o amianto estão na categoria "cancerígeno para os seres humanos". Chumbo, escapamento do carro e clorofórmio estão listados como "possivelmente cancerígeno para os seres humanos".

O anúncio foi feito do escritório da OMS em Lyon, na França, após o número crescente de pedidos de cautela sobre o risco potencial da radiação do celular.

A Agência Europeia do Ambiente pediu mais estudos, dizendo que os telefones celulares podem ser tão nocivos para a saúde pública quanto o tabagismo, o amianto e a gasolina.

O líder de um instituto de pesquisa do câncer da Universidade de Pittsburgh enviou um memorando a todos os funcionários, pedindo a diminuição do uso do celular por causa de um possível risco de câncer.

A indústria de telefonia celular afirma que não há provas conclusivas de que a radiação dos aparelhos cause impacto sobre a saúde dos usuários.

O anúncio de hoje pode ser um divisor de águas para as normas de segurança. Os governos costumam usar a lista da Organização Mundial de classificação de risco cancerígeno como orientação para as recomendações de regulamentação ou ações.

Com informações da Folha

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O medo e a precarização do trabalho - Entrevista com Christoph Dejours

Para o psicanalista francês Christoph Dejours, o medo é mau conselheiro. Ele gera condutas de autodefesa que arruínam as instituições e violam o direito. Mas, segundo o pesquisador, o mais preocupante não é o medo, mas, sim a falta de esperança de que a tendência possa se inverter. “Nós só sabemos transmitir uma única coisa: o valor do dinheiro. Isso é insuficiente, contudo, para constituir a base de uma cultura”, salienta. A entrevista, realizada por e-mail, pode ser conferida na íntegra a seguir.

Christophe Dejours é psiquiatra, psicanalista e professor do Conservatoire Nationale Dês Arts et Métiers (CNAM), uma instituição pública ligada ao Ministério da Educação francês. Seus ensinamentos sobre os impactos da organização do trabalho sobre a saúde mental do trabalhador são especialmente utilizados por sociólogos, filósofos, estudantes, sindicalistas, entre outros interessados nas questões da saúde do trabalhador.
Dejours é professor titular da cátedra de Psychanalyse-Santé-Travail no Conservatoire National des Arts et Métiers, diretor do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Ação (LPTA), do CNAM e da revista Travailler. É membro associado do Centre de Recherche: Sens, Ethique et Societé (CERCES), do CNRS-IRESCO, do Institut de Pscychosomatique de Paris (IPSO), e da Associaton Psychanalytique de France (APF). Após estudos de medicina, de medicina do trabalho, de ergonomia, de psiquiatria, de psicanálise e de psicossomática, bem como uma formação à investigação (Acção RESACT: Investigação sobre a Melhoria das Condições de Trabalho - DGRST), empreendeu investigações sobre as fronteiras da psicanálise, com as ciências biológicas e com as ciências sociais. Escreveu, entre outros, Travail : usure mentale. Paris : Bayard, 1993, A banalização da injustiça social. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 1999, Christophe Dejours: Da Psicopatologia à Psicodinâmica do Trabalho. Selma Lancman & Laerte I. Sznelman (organizadores). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/Brasília: Paralelo 15, 2004 e O Fator Humano. Rio de Janeiro : Fundação Getúlio Vargas, 1997.


IHU On-Line - Por que as pessoas hoje têm tanto medo de perder seus empregos? Essa é uma característica da sociedade do trabalho pós-moderna?
Christoph Dejours – Sinto-me impossibilitado de responder a esta questão no geral. No que diz respeito ao caso da França, a situação é muito clara: a estabilidade do emprego só se generalizou após longas lutas sindicais, em 1968. A precarização representa, pois, uma regressão social importante. Atualmente, as condições dos trabalhadores são muito diferentes do que eram durante toda a segunda metade do século XX. Era fácil, então, encontrar um novo emprego quando se queria mudar de trabalho, de empregador ou de região, pois não havia desemprego. Além disso, os desempregados e os pobres (em pequeno número) se beneficiavam de sistemas de ajuda social eficazes, em particular para os cuidados médicos. Hoje em dia, existe uma nova pobreza na França, e há milhões de pessoas que vivem em condições dramáticas, nas quais a miséria se complica com formação de guetos e violência. Perder seu emprego é correr o risco de se encontrar, um dia ou outro, condenado a se juntar aos quarteirões inviáveis da periferia urbana. E os trabalhadores em situação de precarização de seu emprego têm boas razões de ter medo.

IHU On-Line - Que conseqüências traz o fato de trabalhar com medo e insegurança?
Christoph Dejours - O medo está presente nas situações de trabalho, implicando riscos para a integridade física (acidentes do trabalho, doenças profissionais) como na construção de obras públicas, na produção química, nas minas, na produção nuclear, etc. Mas, hoje em dia, o medo abrange também as pessoas envolvidas nas atividades de serviços, como as enfermeiras, os trabalhadores ou assistentes sociais, os caixas de supermercado, os condutores de ônibus, os agentes de segurança social e de locações familiares, dos correios, dos impostos, dos bancos etc., que são vítimas da violência dos clientes, dos usuários, dos jovens, dos estudantes, no próprio exercício de suas funções profissionais. Enfim, outros, que são mais bem protegidos contra as agressões físicas, têm medo, hoje em dia, de não atingir os objetivos de rentabilidade que lhes são impostos. Se as sanções em caso de insuficiência se traduzem pela demissão, compreende-se que o medo tenha lugar no trabalho ordinário.
As conseqüências do medo são, em primeiro lugar, a perda do prazer de trabalhar e, em seguida, o desaparecimento da confiança nos colegas. Além disso, o medo dá lugar à agressividade, ao ódio, ao rancor etc. O medo faz sofrer. É preciso se defender. E as estratégias de defesa são difíceis de construir e manter. Quando elas são solidamente constituídas, porém, transformam profundamente a personalidade. É o que certos autores anglófonos chamam polidamente de “a corrosão do caráter ”.

IHU On-Line - Que estratégias são criadas pelos trabalhadores para lidar com o medo de perder o emprego?
Christoph Dejours - Existem estratégias individuais de defesa contra o medo, mas são, sobretudo, estratégias coletivas de defesa que levantam problemas, porque elas são quase sempre construídas sobre o modelo da coragem viril e podem, por sua vez, gerar estratégias securitárias que atiçam a violência e constituem, em termos, uma ameaça para a democracia.

IHU On-Line - O suicídio como resultado do estresse e da sobrecarga do trabalho seria um reflexo do rumo que a sociedade do trabalho vem tomando?
Christoph Dejours - Os suicidas nos lugares de trabalho traduzem, sobretudo, o desmoronamento da ajuda mútua, da solidariedade e da cooperação. Os suicidas são a manifestação mais terrível da solidão e do “cada um por si”, que se estende sobre o mundo do trabalho com o desenvolvimento das novas formas de organização do trabalho, de gestão e de gerência.

IHU On-Line - Como se relacionam, na França, o sofrimento e a banalização da injustiça social?
Christoph Dejours - Na França, a banalização da injustiça não poderia ocorrer sem o consentimento e a colaboração de um grande número de trabalhadores. Muitos daqueles que colaboram, fazem-no precisamente porque têm medo. O medo desempenha um papel maior nas novas formas de consentimento que, todavia, se reprova moralmente. Entretanto, as novas formas de organização do trabalho, de gestão e de administração que se impõem nas empresas, não funcionam por si sós. Há muitas pessoas que colaboram com o sistema e que lhe conferem seu zelo; uns, porque pensam em tirar proveito de sua colaboração levando vantagens estratégicas, e os outros, porque pensam que, de toda forma, a resistência é inútil e sem esperança.

IHU On-Line - Há alguns anos, vem-se falando do aumento da violência na França e no mundo todo, particularmente no Brasil. É realmente a violência que progride ou a vigilância e a intolerância a ela?
Christoph Dejours - É certo que a violência cresce nos países europeus. Ela, com toda a evidência, é associada à dualização da sociedade e à formação de populações que perderam toda esperança de poder levar à sociedade uma contribuição pessoal, e que, por essa razão, não podem esperar nenhum reconhecimento e nenhuma gratidão dessa sociedade. É compreensível que isso constitua um fermento para a expansão do ódio, do rancor e da violência.

IHU On-Line - Quais seriam os maiores medos do sujeito pós-moderno?
Christoph Dejours - O medo é mau conselheiro. Ele gera condutas de autodefesa que arruínam as instituições e violam o direito. Talvez o mais preocupante não seja o medo, mas, principalmente a falta de esperança de que a tendência possa se inverter. Nós não estamos mais em condições de transmitir a confiança, a esperança, o senso comum da justiça, a solidariedade, nem as regras de vivermos com nossos filhos. Nós só sabemos transmitir uma única coisa: o valor do dinheiro. Isso é insuficiente, no entanto, para constituir a base de uma cultura.

IHU On-Line - Como o senhor vê a relação de violência e insegurança vivida pelos imigrantes na França e as reações da população francesa?
Christoph Dejours - Os imigrados efetivamente sofrem discriminações cada vez mais importantes na França. O comunitarismo de um lado ganha terreno, e, do outro, os franceses se tornam racistas e xenófobos, como em toda a Europa, aliás. Há certamente pessoas que se esforçam em resistir a esses desvios deploráveis, porém são minoritárias e uma ação eficaz não é assumida pelos partidos políticos que se interessam muito mais pelas estratégias de conquista do poder e pelo clientelismo, do que pelas questões políticas e pela luta em favor da justiça e da proteção dos mais fracos.

IHU On-Line - Como os jovens franceses vêm se manifestando na busca de melhorias nas condições de trabalho? Quais suas principais rebeldias nesse sentido?
Christoph Dejours - Por enquanto, os jovens não se batem para transformar as condições e a organização do trabalho. Eles se batem pelo emprego como tal, não pelo conteúdo, ou pelo sentido do trabalho. Há, no entanto, alguns frêmitos desde o início de 2006, e o movimento da primavera foi ocasião de debates, em particular entre os estudantes, sugerindo de uma parte, que alguns entre eles já não crêem mais nas teses absurdas do fim do trabalho, e, de outra parte, manifestam novamente curiosidade pelas ciências do trabalho. É apenas um frêmito, porém, e não existe, atualmente, uma luta organizada dos jovens sobre o tema do trabalho.

(Fonte: http://www.unisinos.br/ihu)