segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Aquecimento global pode dar prejuízo de até R$ 14 bilhões à agricultura brasileira

Fonte: G1 - 11/08/08

Estudo da Embrapa e da Unicamp levantou efeitos das mudanças climáticas para o cultivo.
Conseqüências atingem em cheio o Nordeste e o plantio de soja.
Se nada for feito para conter o aquecimento global, a produção de alimentos no Brasil pode tomar um prejuízo de R$ 7,4 bilhões já em 2020. A situação fica ainda pior cinqüenta anos depois: em 2070, as perdas devem quase dobrar e atingir os R$ 14 bilhões. O alerta foi feito por um estudo realizado em parceria entre a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) divulgado nesta segunda-feira (11).

A cultura mais afetada será a soja, que pode perder até 40% na produção, o que renderia um prejuízo de R$ 7,6 bilhões até 2070. O cultivo de café deve mudar de endereço, deixando o Sudeste (o que deve gerar perdas de até 90% para os produtores de São Paulo e Minas Gerais) para ter sucesso no Sul. Entre as regiões brasileiras, o impacto maior se concentra no Nordeste, que verá uma forte redução na área das plantações de arroz, milho, feijão, algodão e girassol -- só nesses estados, 20 milhões de pessoas serão atingidas.

Mas se as notícias são ruins para a produção de alimentos, o aquecimento global não parece ter um efeito negativo sobre a cana-de-açúcar. “Apesar das mudanças climáticas, o programa do etanol parece estar garantido”, explicou ao G1 o co-autor do estudo, Eduardo Delgado Assad, da Embrapa. “O biodiesel, no entanto, vai enfrentar problemas, porque a soja é atingida em cheio”, diz ele.

O trabalho foi realizado unindo os dados do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas) sobre o aquecimento global, divulgados no início de 2007, com o Zoneamento Agrícola de Riscos Climáticos, do Ministério da Agricultura. A equipe analisou os nove cultivos mais representativos da produção nacional: algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja. E não levou em conta os estados da Amazônia, porque eles não fazem parte do zoneamento.

Durante o levantamento, os cientistas conseguiram analisar as variações de temperatura em áreas de cerca de apenas 40 quilômetros. “Estamos falando sobre os riscos do aquecimento global para a agricultura faz tempo. A diferença é que agora somos capazes de dar o endereço e o telefone do agricultor que será afetado”, afirma Assad.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Mulheres querem que trabalho doméstico conte para aposentadoria

Fonte: A Tarde On Line - 02/08/08

O reconhecimento de que o trabalho não-remunerado realizado pelas mulheres deve ser considerado fator de garantia do direito ao benefício previdenciário é o principal tema em discussão neste sábado, 2, no Seminário Nacional sobre Seguridade Social e as Mulheres.

Promovido por diversos movimentos sociais de defesa dos direitos das mulheres, o evento começou ontem (1º) e vai até amanhã, em Brasília. Cerca de 50 representantes de vários estados estão reunidas no encontro para debater formas de ampliar a inclusão das mulheres no sistema previdenciário especial, que concede benefícios para categorias que não contribuem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Umas das coordenadoras da Marcha Mundial das Mulheres e do Fórum Itinerante e Paralelo sobre Previdência Social, Isabel Freitas defende que o governo precisa reconhecer a função social das mulheres na sociedade. Segundo ela, se o trabalho não-remunerado das mulheres fosse contabilizado economicamente, representaria algo em torno de 13% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país).

“Queremos o reconhecimento por esse trabalho, da dona-de-casa, da doméstica, da artesã, da extrativista, e que a Previdência seja universal e todos tenham direito”, disse. “A nossa luta é para que o governo brasileiro, que diz que o país está em um momento excelente, crescendo, com as riquezas se consolidando, tome consciência e organize um sistema de Previdência que cubra todas as pessoas”, completou.

A secretária executiva da Articulação das Mulheres Brasileiras (AMB), Sílvia Camurça, também acha que a Previdência no Brasil deveria considerar o trabalho realizado pelas mulheres. “O principal problema é que a Previdência foi um sistema pensado como se apenas os homens trabalhassem. Ele tem uma concepção contributiva, ou seja, pagar para poder receber o benefício”, argumenta.

“Nós mulheres, historicamente, fazemos trabalhos sem remuneração. Aquele para a própria família, doméstico, cuidar da criança, de quem está doente e, muitas vezes, somos dependentes economicamente e não temos como pagar a Previdência”, ressalta. “Não contribuímos, mas trabalhamos. Muitas vezes, desde muito cedo. Em alguns casos, as meninas começam a trabalhar em casa, cuidando dos irmãos menores, para que a mãe possa trabalhar fora.”

Sílvia Camurça enfatiza que “apenas um sistema previdenciário universal, em que todo mundo que trabalhe possa ter direito ao benefício, atenderia às mulheres”. “Aquela que trabalha em casa, sem remuneração, tem que ter o direito de receber o auxílio-doença caso se acidente e fique sem condições de realizar suas atividades”, acrescenta.

A gerente de Projetos da Área de Gênero e Trabalho da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Eunice Léa de Moraes, afirma que ainda há uma grande dificuldade para as mulheres serem atendidas pela Previdência Social. “A maioria das mulheres está no mercado informal. Então, a renda que elas têm vêm da informalidade e é muito difícil contribuir mensalmente. Por isso, elas estão fora [do sistema previdenciário]”.

Para ela, é importante discutir a inclusão e a universalização da Previdência, “para que ela não seja apenas contributiva mas, na verdade, assegure os direitos das mulheres em sua maioria”.

Falta de emprego formal agrava situação do INSS

Fonte: Diário do Povo - 03/08/08

"A previdência é um instituto dos trabalhadores. No PI, o problema são os desempregados"

O problema maior e mais grave, apontado pelo chefe de benefícios do INSS do Estado, é a grande quantidade de trabalhadores informais que não contribuem individualmente com a previdência e não são amparados no que se refere à aposentadoria, auxilio doença, pensão por morte, pensão por invalidez, auxílio-reclusão.

"A previdência é um instituto dos trabalhadores, o nosso principal problema no Piauí é a grande quantidade de pessoas que ignora que terão problemas no futuro e não conseguirão se aposentar. Tem gente que pensa que é só ter 65 anos de idade, se homem, e 60 mulher, que consegue aposentadoria, sem nunca ter contribuído, é necessário que essas pessoas procurem o INSS e se informem, quem ganha até um salário mínimo contribui com R$ 45,65 por mês e fica amparado pela previdência social", reclama Carlos Augusto.

Segundo ele, a seguridade social não pode ser entendida como prejuízo, uma vez que é fortuna para a dignidade dos trabalhadores, e a previdência é apenas um dos tripés desta garantia constitucional, bem como a Saúde Pública e a Assistência Social. "Se formos analisar a previdência social em suas contas separadas, pode-se chegar a um discurso equivocado de que ela dá prejuízo, mas na verdade, muitas vezes as contas estão em superávit, uma vez que o dinheiro arrecadado não é só para aplicar no pagamento de benefícios", explica.

Desemprego e informalida-de no trabalho são problemas de todos os municípios do Piauí, de acordo com dados da Fundação Cepro, no ano passado foram criados em todo o Piauí apenas 7.901 empregos formais, o que em relação aos 3 milhões de habitantes do estado, é quantidade mínima. Na visão da Geógrafa Maria Tereza de Alencar, professor da Uespi, isso mostra a exclusão social que o piauiense sofre. "Na realidade há uma má atuação dos gestores com a coisa pública, a criação de novos postos de trabalho depende também da atuação do Estado, os trabalhadores rurais não precisavam de contribuição para se aposentar, mas os trabalhadores urbanos em sua maioria não têm trabalho que lhes garantam como contribuir com a previdência. Isso é reflexo também da pobreza.

Contrução civil é o segundo setor com mais acidentes de trabalho

Fonte: Agência Brasil/ JB online - 03/08/08

RIO - Apesar de não ocupar mais o primeiro lugar entre os setores econômicos com o maior número de acidentes de trabalho, a indústria da construção, no Brasil, mantém elevados índices de ocorrências, perdendo apenas para o setor rural. Mesmo com os esforços de governo nas três esferas – que resultaram, por exemplo, na revisão das normas de segurança – e de entidades de classe, o registro de ocorrências, em geral, vem crescendo em termos absolutos.

O número de acidentes de trabalho em todo o país cresceu entre 2004 e 2006, passando de 465.700 para 503.890. Os dados referentes à construção civil ficaram nesse mesmo período, em 28.875 e 31.529, respectivamente. O percentual de acidentes no setor para os dois anos é o mesmo, 6,2%. Em 2005, de um total de 499.680 ocorrências no Brasil, 29.228 (5,8%) foram na construção civil. Os números de 2007 ainda não foram divulgados.

Para o engenheiro e consultor do Ministério Público do Trabalho (MPT), Sérgio Antonio, embora a análise das estatísticas deva levar em conta o crescimento da atividade produtiva, o setor de construção é uma área que “necessita de bastante atenção”.

De acordo com o consultor, no mundo inteiro, a maior causa de acidentes fatais na construção é a queda de trabalhadores e também de material sobre os funcionários. O segundo fator são os choques elétricos e o terceiro, soterramentos.

Em fevereiro deste ano, o carpinteiro Domingos Barbosa da Silva trabalhava em uma obra em Águas Claras, cidade do Distrito Federal distante 20 quilômetros de Brasília, quando caiu do andaime que ajudava a montar. Segundo ele, a tábua que servia de piso quebrou e, apesar do tombo não ter ultrapassado dois metros de altura, ele torceu o tornozelo direito. Não voltou a trabalhar desde então, passando a receber o auxílio-acidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Silva já fez parte de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e orientava os companheiros como trabalhar com segurança. “Eu dava conselhos para o pessoal usar capacete, não trabalhar sem cinto de segurança quando estivesse no alto”, alerta o carpinteiro, que no momento em que sofreu o acidente, não usava os devidos equipamentos de proteção individual.

Silva afirma que este foi o primeiro acidente que sofreu nos cinco anos em que trabalha em obras de construção civil.

- O trabalho na construção é perigoso. Comigo nunca tinha acontecido nenhum acidente, mas sempre há algum caso - diz o carpinteiro, citando o exemplo de um companheiro que caiu do sétimo andar de um prédio após o cabo da "cadeirinha" ter se rompido.

Segundo Silva, é cada vez mais difícil encontrar uma obra em que os empregadores não forneçam os equipamentos de proteção aos trabalhadores.

- Agora é lei e o técnico de segurança tem que cobrar. E se o pessoal não tiver o equipamento ideal não pode trabalhar-.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Governo pode criar estatal para gerenciar lixo nuclear

Fonte: Estadão.com - 27/07/08


O novo programa nuclear brasileiro, em estudo no governo, prevê a criação de uma estatal para gerenciar os rejeitos radioativos, que tem o nome provisório de Empresa Brasileira de Rejeitos. De acordo com técnicos do setor, a nova companhia poderia até vender o combustível nuclear utilizado nas usinas brasileiras para países que dominam a tecnologia de reprocessamento de rejeitos.

A questão dos rejeitos é o principal entrave colocado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à construção de Angra 3, projeto com potência de 1,3 mil megawatts (MW), suspenso desde a década de 70. Na licença prévia emitida na quarta-feira, o Ibama determinou que a Eletronuclear defina um destino definitivo para o combustível utilizado pelas usinas.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, porém, diz que a criação da nova estatal ainda depende de avaliação do governo e do Congresso e, por isso, não deve ser concluída no curto prazo. O novo programa nuclear brasileiro prevê a construção de até oito novas usinas no País, além da criação de uma agência reguladora do setor, e de medidas que envolvem outros usos da tecnologia nuclear. "Ainda não dá para ter uma solução definitiva, porque não temos a dimensão do que sairá do novo programa nuclear", afirmou o executivo.

Atualmente, os rejeitos de alta radioatividade - ou seja, o combustível nuclear já utilizado - ficam armazenados em piscinas especialmente construídas dentro das usinas para este fim. As piscinas têm capacidade para armazenar todo o combustível utilizado durante a vida útil de uma usina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Empresas investem mais em segurança para os trabalhadores

Fonte: Jornal Pequeno on-line - 27/07/08

A LER é uma das doenças que facilita a ocorrência de acidentes de trabalho mais graves


O Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho é comemorado hoje, 27, em virtude de nesse dia, no ano de 1972, o então ministro do Trabalho Júlio Barata, ter publicado as portarias 3.236 e 3.237, regulamentando assim, a formação técnica em Segurança e Medicina do Trabalho e atualizou o artigo 164 da CLT. Trinta e seis anos depois, um levantamento estatístico de auxílio-doença feito pela Previdência Social, considerando casos de acidentes de trabalho, mostra que cerca de 70% de todos os casos registrados são frutos de lesões ou distúrbios relacionados ao trabalho cotidiano e deixam inválidos, por ano, cerca de cinco mil trabalhadores, apenas no mercado formal.

Neste cenário, os Programas de Qualidade de Vida e as Campanhas de prevenção tornam-se fundamentais para que as empresas previnam acidentes de trabalho entre seus funcionários e criem meios para melhorar e humanizar o ambiente corporativo, o que torna os profissionais mais saudáveis, respeitados, motivados e produtivos; evitando assim, danos à saúde dos funcionários e prejuízos para as empresas. “Doenças ocupacionais como Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), doenças ergonômicas e o próprio stress, são facilitadores para a ocorrência de acidentes de trabalho mais graves, principalmente quando não tratadas a tempo”, explicou a fisioterapeuta Maria da Consolação Rios da Silva.

Ela também é responsável por um projeto firmado entre o UDI Hospital e a Faculdade Cest, onde alunos do 7º período do curso de fisioterapia levam até os funcionários dos setores de faturamento, administração, digitação, financeiro e RH do hospital, exercícios de alongamentos, movimentos marcados e dirigidos à prevenção, especialmente a LER. Iniciado em março desse ano o trabalho já tem dado resultados. “Houve uma diminuição da abstinência ao serviço, redução do número de visitas ao médico e os nossos funcionários têm sentido grandes melhoras na saúde e na qualidade de vida do profissional”, afirmou a técnica de segurança do UDI Hospital, Fabrícia Gaspar.

Investimento em equipamentos, reuniões diárias, treinamentos constantes, normas internas e constante vigilância na área operacional são medidas que já fazem parte da rotina de uma empresa que está preocupada com os índices de acidentes de trabalho. A segurança dentro da empresa é sinônimo de qualidade para a mesma e de bem-estar para os trabalhadores. Financeiramente, também é vantajosa: treinamento e infra-estrutura de segurança exigem investimentos, mas por outro lado evitam gastos com processos, indenizações e tratamentos de saúde em casos que poderiam ter sido evitados. “Temos placas indicativas em toda a empresa identificando as áreas de risco, acessos de saída de emergência, riscos de piso escorregadio, além das placas com os indicadores de contagem de dias sem acidentes. Além disso, o Sifema mantém uma ambulância no distrito industrial do Pequiá, a qual serve a população e em casos de emergência atende as Siderúrgicas. Com esta política o distrito ganha em atendimento emergencial”, explicou o superintendente administrativo da Fergumar, Adelcio Kobuta.

Situada na cidade de Açailândia, a Siderúrgica Fergumar possui um efetivo médio de 240 funcionários e para cuidar da segurança de todos eles, em seu departamento de segurança podem ser encontrados um engenheiro de Segurança, dois técnicos de Segurança, uma enfermeira e um médico do trabalho. As medidas adotadas por eles fazem com que a siderúrgica não registre nenhum acidente há 26 dias. O recorde foi de 162 dias. Vale ressaltar que eles consideram acidente qualquer tipo de lesão sofrida por um funcionário, independente de afastamento ou não das atividades funcionais.

Cresce monitoramento de acidentes de trabalho

Fonte: Jornal Correio de Notícias - 25/07/08


A prevenção de acidentes de trabalho e doenças relacionadas ao tema, bem como a notificação e o atendimento a vítimas, está evoluindo consideravelmente no Estado. Em 2006, por exemplo, foram notificados 5.958 casos, número que subiu para 14 mil em 2007. Ao contrário do que se possa supor, esse aumento não significa ter havido mais ocorrências. Mas sim, que o monitoramento vem sendo aperfeiçoado e a estatística está mais precisa.

Isso decorre das ações que vêm sendo desenvolvidas pelos seis Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), de âmbito regional e administrados pelos municípios onde mantêm sua sede: Pelotas, Ijuí, Santa Cruz do Sul, Palmeira das Missões, Santa Maria e Porto Alegre.

Além desses, há um Cerest de âmbito estadual, que funciona na Divisão de Vigilância em Saúde do Trabalhador, dentro do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), no bairro Santana, Capital. E a meta é abrir novas unidades ainda em 2008, nos municípios de Alegrete, Caxias do Sul, Erechim, Passo Fundo e no Vale do Sinos, em município a definir.

Esses centros foram construídos e equipados com recursos do Estado e são mantidos pelo Ministério da Saúde com repasse mensal no valor de R$ 30 mil, ficando os encargos com o pessoal por conta do município. Os recursos federais são repassados através da portaria da Renast - Rede Nacional de Atenção Integral a Saúde do Trabalhador, nº 2437/05.

A coordenadora da Divisão de Vigilância em Saúde do Trabalhador, Loiva Schardosim, informa que cada centro disponibiliza uma equipe multidisciplinar para atender à portaria da Renast, composta por: quatro profissionais de nível médio, sendo ao menos dois técnicos em enfermagem e seis profissionais de nível universitário, sendo ao menos dois médicos e um enfermeiro.

A lei 8080, que regulamenta o SUS, define as competências da política de Saúde do Trabalhador, e os Cerests são a retaguarda técnica neste sistema, nas ações de prevenção, promoção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e vigilância em saúde dos trabalhadores urbanos e rurais, independentemente do vínculo empregatício e do tipo de inserção no mercado.

Algumas vezes, o diagnóstico é mais demorado. L oiva cita um caso no Vale do Sinos, em que os serviços de saúde passaram a receber pacientes com uma doença respiratória. Verificou-se que todos tinham a mesma ocupação, no mesmo posto de trabalho. O CEVS realizou uma visita técnica ao local e constatou que o aparelho de ar condicionado encontrava-se em péssimas condições de limpeza, contaminando o ambiente e os trabalhadores.

Outro caso. "Há algum tempo, nas regiões abrangidas pela 15ª e 19ª Coordenadorias da Secretaria Estadual da Saúde, com sede, respectivamente, em Palmeira das Missões e Frederico Westphalen, ocorriam casos de pneumoconiose, derivada da silicose, provocada pela poeira de sílica dos garimpos. Houve uma intervenção federal e foram providenciadas máscaras e adotados dispositivos para controlar a poeira, umedecendo-se os locais antes das perfurações com brocas. Também foi incrementada a injeção de oxigênio nas minas, o que ajudou a minimizar o problema."

Esses e todos os agravos devem ser registrados no Sistema de Notificação em Saúde do Trabalhador (SIST), implantado em 2000 e pactuado com os municípios desde 2007. Tanto os postos de saúde como os hospitais devem notificar compulsoriamente as ocorrências, a partir das quais será atualizado o banco de dados para o planejamento de ações corretivas e preventivas.

Segundo o estudo realizado com base no SIST, no ano de 2006, 85,1% das notificações foram acidentes de trabalho, como queda de andaimes e atropelamento por trator, entre outros; e 14,9% doenças, entre elas dermatoses ocupacionais, intoxicações por chumbo, amianto e agrotóxicos, lesões por esforços repetitivos e perdas auditivas por exposição a ruído.

Concluindo, a técnica do CEVS diz que a questão está avançando positivamente, apesar de alguns entraves. "Além da subnotificação, há uma grande falta de conscientização tanto da parte do trabalhador, quanto do empregador, por exemplo, quanto à necessidade de melhoria nos ambientes de trabalho, uso de equipamento de proteção coletiva ou individual, como máscaras e luvas.

"Outra dificuldade é o trabalho informal, onde muitas vezes as condições são adversas e de risco, e cuja relação com doenças ocupacionais fica prejudicada, não havendo a correspondente notificação."

Empresa de PE é condenada por responsabilidade em acidente de trabalho fatal

Fonte: Última Instância - 27/07/08

A empresa L.B Móveis foi condenada a pagar indenização de R$ 50 mil pelo acidente de trabalho que levou à morte o empregado Marcílio Lima da Silva, em 5 de junho de 2007. O valor da será revertido ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

A indenização, por dano moral coletivo, foi determinada pela juíza da Vara do Trabalho de Igarassu (PE) Ceumara de Souza Freitas e Soares, resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho).

Segundo informações do MPT, o relatório da DRT (Delegacia Regional do Trabalho), contido na ação, informa que o funcionário, que realizava atividades de ajudante de serralheiro, foi convocado pelo gerente da empresa para realizar serviços de manutenção da calha e nas telhas de cimento de amianto de parte do galpão, juntamente com outro funcionário.

Os dois, sem ordens de serviço com relação à segurança do trabalho e sem o devido treinamento, subiram no telhado de aproximadamente seis metros de altura, através de escadas, e sem usar cintos de segurança para proteção contra riscos de queda.

Marcílio se locomoveu pelas treliças que sustentam as telhas e caiu, batendo nos fios da rede elétrica existente, o que causou sua morte.

Contribuição para o acidente
Justificando a decisão, o procurador do trabalho Fábio Farias, que ajuizou a ação, explica que um empregador que contribui diretamente para a morte de uma pessoa deve ser penalizado para que reconstitua a auto-estima de todos os que compõem a coletividade atingida. “A condenação da empresa tira a sensação de impunidade existente”, afirmou.

Farias ainda informa que, além dos graves fatos narrados pela DRT e também reforçados pela perícia policial, foi constatado em uma ação fiscal no ano passado, depois do acidente, que os empregados não utilizavam equipamento de proteção individual e não tinham anotação nas carteiras de trabalho.

Na ocasião, o setor de produção foi interditado pela inexistência de condições de segurança para o seu funcionamento, pois executavam serviços de soldagem, pintura pressurizada, marcenaria, serralharia, costura e capotaria, com riscos de queimaduras nos olhos ou na pele, cegueira, perda auditivas induzida, irritações na pele, pneumonia química, hemorragia nos pulmões, irritações brônquicas, entre outros problemas de saúde.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Materiais auxéticos tornam-se mais grossos quando são esticados

Redação do Site Inovação Tecnológica
01/09/2006


Materiais auxéticos; anote aí o nome de mais uma classe na crescente família de novos materiais com características "surpreendentes". Os materiais auxéticos, contrariando o senso comum, tornam-se mais grossos quando são esticados e mais finos quando comprimidos.

Materiais auxéticos

Pesquisadores israelenses da Universidade Bar-Ilan e do Instituto Technion utilizaram cálculos baseados na mecânica quântica para identificar a primeira classe de compostos moleculares que se comportam auxeticamente em nível molecular. O comportamento pode ser verificado em algumas espumas e em cristais especiais em nível macroscópico.

Quando um material tradicional é atingido, por exemplo, por uma bola, ele "flui" para fora da zona de impacto, tornando o ponto de impacto mais fino e, por decorrência, mais fraco. Nos materiais auxéticos, ao contrário, o material "flui" para o ponto de impacto, reforçando aquela região.

Tecnologia médica

Materiais auxéticos são promissores na tecnologia médica, entre outras aplicações possíveis. A introdução de implantes ou sondas para abrir vasos sangüíneos poderá ser mais fácil se, sob pressão, o equipamento se tornar mais fino quando encontrar algum obstáculo na direção perpendicular. Roupas à prova de bala são outra possibilidade de aplicação que poderá ser beneficiada.

Poliprismanos

As moléculas identificadas pela equipe do professor Shmaryahu Hoz formam uma classe de compostos conhecida como poliprismanos. São moléculas em formato de bastão que consistem em anéis de três a seis átomos de carbono empilhados uns sobre os outros. Segundo os cálculos dos cientistas, as moléculas formadas por seis anéis são as que apresentam os maiores efeitos auxéticos.

"Embora os prismanos tenham sido descobertos há mais de 30 anos, poucos representantes dessa classe de compostos foram sintetizados desde então," disse Hoz. "Nós esperamos que nossas descobertas ajam como um incentivo para a produção e caracterização de mais prismanos."


Bibliografia:
Auxetics at the Molecular Level: A Negative Poisson s Ratio in Molecular Rods
Nir Pour, Lior Itzhaki, Benaya Hoz, Eli Altus, Harold Basch, Shmaryahu Hoz
Angewandte Chemie International Edition
In print
DOI: doi: 10.1002/anie.200601764

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Lei seca deve dar folga ao caixa do SUS

Fonte: JM on-line - 19/07/08

Antes da lei de tolerância zero ao álcool no trânsito entrar em vigor, há quase um mês, os acidentes de trânsito – considerados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um problema de saúde pública – ocupavam o segundo lugar na causa de mortalidade externa no Brasil.

Apesar da dimensão do problema, há poucos dados fidedignos sobre os acidentes de trânsito e suas conseqüências em termos médicos e econômicos.

Para suprir essa deficiência de dados na literatura nacional, um grupo de pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) realizou um estudo para levantar informações sobre conseqüências econômicas do problema entre 2006 e 2007.

A pesquisa realizou um levantamento das vítimas de acidente de trânsito internadas no HCFMUSP, ao longo de um ano – de fevereiro de 2006 a janeiro de 2007 –, e constatou que, nesse período, houve internação de 455 vítimas de acidentes. Desse total, 257 necessitaram de cuidados de terapia intensiva, o que corresponde à ocupação de 17,89% dos leitos de UTI do hospital.

O custo médio da internação hospitalar de um acidentado de trânsito no hospital foi de R$ 47.588. Esse valor é muito superior, por exemplo, ao que é gasto com outros pacientes cirúrgicos do Sistema Único de Saúde (SUS), que é de R$ 1.400.

O tempo médio de internação em UTI de uma vítima de trânsito é de 32,28 dias, acarretando um custo médio de R$ 7.006,22, por dia.

O estudo constatou que quase um quinto da capacidade de leitos de UTI do HCFMUSP é ocupado por vítimas de acidentes de trânsito e gera um gasto de R$ 226.160,78 por acidentado durante o período de internação, valor 34 vezes maior que a despesa com o tratamento do paciente cirúrgico do SUS.

O estudo foi conduzido por Talita Zerbini, Mariana da Silva Ferreira, Adriana de A. Campos Ridolfi, Marcela Fernandes, Daniele Munõz Gianvecchio, Vilma Leyton e Daniel Munõz.