quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Acordo global sobre o clima pode ficar para 2012


Fonte: DiárioNet de 20 de fevereiro de 2008

Roberto do Nascimento

Negociadores de créditos de carbono do ABN Amro Bank, um dos mais atuantes do mundo no segmento, acreditam que um acordo satisfatório sobre as mudanças climáticas só deverá ocorrer depois de 2012, quando vencem as atuais normas do Protocolo de Kyoto. Eles descartam, assim, a possibilidade de negociações conclusivas até o final de 2009, como foi proposto no encontro de 190 nações em Bali, na Indonésia, em dezembro, no âmbito do que ficou conhecido como mapa do caminho.


De acordo com relatório divulgado pelo banco, e retransmitido pelo Banco Real no Brasil, "a proposta feita pela Comissão Européia para a regulamentação dos esforços contra as mudanças climáticas depois de 2012 consiste em plano que contém uma importante fonte de incertezas. Vários cenários condicionam os resultados à possibilidade de a comunidade internacional alcançar um acordo global satisfatório sobre o clima". Com a conclusão pela CE desse acordo internacional satisfatório, "o acesso ao crédito para projetos em países de fora do bloco pode ser incrementado".


Caso o acordo não seja implementado, a CE acredita que não haverá reduções na Europa e, conseqüentemente, o uso das reduções certificadas de emissões (RCE) e unidades de redução de emissões (ERU) não será permitido em 2013 -2020. RCEs são emitidas por países em desenvolvimento como o Brasil a partir de projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) que reduzem as emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa. Esses certificados podem ser vendidos às empresas dos países desenvolvidos que se obrigaram a reduzir suas emissões em níveis definidos pelo Protocolo de Kyoto.


"A negociação e a implementação de um acordo tão complexo quanto este vão exigir um enorme esforço e conversações que vão durar muitos anos. O Protocolo de Kyoto, de 1997, for criado fora da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas de 1992, e levou sete anos para ser ratificado e entrar em vigor. O mapa do caminho acertado como o plano a ser adotado a partir do encontro de Bali, tem por objetivo alcançar esse acordo até 2009, mas esta previsão é considerada muito otimista", afirmam.


Enquanto um novo presidente deve ser eleito nos Estados Unidos este ano, o atual, George W. Bush, vai enviar delegação à Copenhague para o próximo encontro Conferência das Partes (COP), em novembro. Por isso, a ratificação oficial é um processo legal complexo que pode enfrentar reveses no Congresso norte-americano. Além disso, os EUA insistem em que qualquer acordo internacional também deva contar com o envolvimento significativo dos países em vias de desenvolvimento.


"Os maiores países em desenvolvimento como a China, a Índia e o Brasil sinalizaram que se opõem a qualquer conversação sobre compromissos obrigatórios. A Comissão Européia acredita ter encontrado uma arma para forçar os países em desenvolvimento a se comprometerem com reduções expressivas, ao torpedear o mercado de MDL para depois de 2012. Contudo, é pouco provável que os principais países em desenvolvimento vejam isso da mesma forma, já que o MDL é tema menor comparado com os interesses do crescimento econômicos envolvidos."

Secretaria da Saúde apura doença de tireóide em vizinhos de indústria

RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL

Fonte Folha de São Paulo


Folha de S.Paulo - Secretaria da Saúde apura doença de tireóide em vizinhos de indústria - 20/02/2008

Secretaria da Saúde apura doença de tireóide em vizinhos de indústria

Incidência é maior em pessoas que vivem perto de pólo petroquímico de SP


Pessoas que vivem na vizinhança do Pólo Petroquímico do Grande ABC sofrem mais que a população em geral de uma doença que afeta a tireóide (glândula produtora de hormônios que regulam o metabolismo, localizada no pescoço), segundo um estudo recém-concluído da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

O Pólo Petroquímico do Grande ABC fica entre as cidades de Santo André e Mauá e o bairro paulistano de São Rafael (zona leste) e reúne 14 fabricantes de produtos químicos derivados do petróleo, que são a matéria-prima de resinas, borrachas, tintas e plásticos.

A suspeita de que ali haveria algum problema surgiu após o alerta de uma médica endocrinologista da região que se espantou com a quantidade de pacientes com tireoidite de Hashimoto que a procuravam.

Trata-se de uma doença auto-imune. O sistema imunológico da pessoa começa a produzir anticorpos contra a tireóide, o que pode levar a uma inflamação da glândula (bócio) e a uma queda na produção de hormônios (hipotireoidismo).

Os principais sintomas são cansaço, sonolência, pressão arterial baixa, colesterol alto, depressão, pele seca, unhas e cabelos fracos e, no caso das mulheres, mudança no ciclo menstrual. A doença pode ser controlada, mas não curada. Em casos raros, leva à morte.

Os agentes da Secretaria da Saúde examinaram 781 vizinhos do pólo petroquímico. Para melhor análise dos resultados, submeteram aos mesmos exames 752 pessoas de um bairro de Diadema onde também há indústrias, porém nenhuma do setor petroquímico.

No grupo que fica perto do pólo petroquímico, 49 pessoas apresentaram a doença (6,3%). No outro grupo, foram 22 (2,9%). O primeiro índice é mais que o dobro do segundo.
A Secretaria da Saúde continuará a investigação, agora para determinar exatamente o que levou a uma maior incidência da tireoidite de Hashimoto no entorno do pólo. Serão analisados o ar, a água e o solo.

"Na literatura médica, não encontramos estudo que relacionasse a doença a pólos petroquímicos. Isso é, provavelmente, uma coisa nova. Precisamos fazer uma aprofundamento para saber se realmente há algum fator ambiental envolvido", diz a coordenadora estadual de Controle de Doenças, Clélia Aranda.
A Folha não conseguiu entrar em contato ontem com o Pólo Petroquímico do Grande ABC. Em sua página na internet, o grupo diz que cumpre "rígidos programas voltados à saúde, à segurança e ao meio ambiente" e que "não tem registro de doenças ocupacionais relacionadas à poluição".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Estudo vincula risco de câncer raro a uso prolongado de celular


Fonte: O Estado de São Paulo e BBC Brasil

Estadao.com.br :: Vida & :: Estudo vincula risco de câncer raro a uso prolongado de celular

Pesquisa israelense mediu risco de câncer da glândula salivar entre 1,8 mil pessoas.

Da BBC Brasil - BBC

- O uso freqüente e prolongado de telefones celulares pode estar relacionado ao aumento do risco de câncer da glândula salivar, segundo um estudo da Universidade de Tel Aviv publicado na revista especializada American Journal of Epidemiology.

Os pesquisadores analisaram o tempo e a freqüência do uso de celulares entre 500 israelenses que desenvolveram a doença e compararam o resultado com um grupo de 1,3 mil pessoas saudáveis.

Aqueles que usavam o telefone contra um lado da cabeça por várias horas por dia tinham 50% mais probabilidade de ter desenvolvido um tumor da glândula salivar.

Vários estudos anteriores avaliaram o risco de tumores entre usuários de celular e na sua grande maioria não encontraram nenhuma relação.

Mas os pesquisadores da Universidade de Tel Aviv afirmam que os estudos anteriores tendiam a pesquisar tumores no cérebro e, no geral, não incluíam usuários de longa data.

O câncer da glândula salivar é uma condição bastante rara.

Mensagens confusas

A médica Siegal Sadetzki, que liderou a pesquisa, disse que porque o uso de celulares em Israel é muito mais intenso do que em outras partes do mundo, é possível analisar qual seria o impacto cumulativo do uso de longo prazo.

"Em comparação a outros estudos, a quantidade de exposição à radiação de radiofreqüência vista aqui é muito mais alta. O que você vê aqui, pode-se dizer, é uma aceleração do que poderia acontecer em qualquer lugar", disse ela.

"Embora eu ache que esta tecnologia tenha vindo para ficar, acredito que devam ser tomadas precauções para diminuir a exposição e os riscos à saúde."

Uma das principais conclusões do estudo é que usuários freqüentes em áreas rurais sofrem riscos ainda maiores do que os de áreas urbanas, já que, sugerem os cientistas, os aparelhos precisam emitir mais radiação para funcionar em áreas sem sinais fortes.

Apesar das conclusões desta pesquisa, a maior e mais longa investigação já realizada sobre o uso de celulares não encontrou nenhum aumento de risco de qualquer tipo de câncer.

A investigação acompanhou 420 mil pessoas na Dinamarca, algumas das quais vinham usando telefones celulares por um período de até dez anos.

Na verdade foi encontrada uma incidência de câncer mais baixa do que a esperada em um grupo daquele tamanho, sugerindo que celulares não têm nenhum impacto sobre o desenvolvimento de tumores.

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Governo segura despesa com auxílio-doença


Revisão de benefícios e perícia rigorosa fizeram com que o governo reduzisse 12% de beneficiários em 2007

Isabel Sobral, BRASÍLIA
Fonte: O Estado de São Paulo

Alvo de uma série de medidas restritivas adotadas há dois anos, o auxílio-doença pago pela Previdência Social teve uma redução de 12% em 2007 na comparação com o ano anterior, consolidando a interrupção da trajetória explosiva que esse benefício apresentava até 2005. O ano passado encerrou com estoque de 1,38 milhão de auxílios pagos aos trabalhadores vinculados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que precisam se afastar do trabalho por motivo de doença ou acidentes por mais de 15 dias.

Em dezembro de 2006, o estoque era de 1,57 milhão de benefícios desse tipo. O pico da curva de alta foi em setembro de 2005, quando havia 1,66 milhão de auxílios ativos.

Para o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Caetano, as ações adotadas estão no caminho "certo", pois os números demonstram que o crescimento na concessão desse tipo de benefício precisava ser interrompido.

"Houve anos de aumentos assustadores, como em 2002, quando a quantidade de auxílios cresceu 48% em relação a 2001, e em 2003, quando a elevação bateu 28%", revelou o especialista.

BANALIZAÇÃO COMBATIDA

Uma das medidas de maior impacto é a convocação dos segurados vinculados ao auxílio-doença que estão recebendo o benefício há mais de dois anos para realizar uma nova perícia. Os novos benefícios já estão tendo o prazo máximo de dois anos fixado no momento da concessão. Se o médico perito da Previdência atesta a continuidade da incapacidade, o benefício pode ser renovado mais uma vez e, na persistência do problema, encaminha o segurado para aposentadoria por invalidez.

O INSS quer evitar a renovação por prazos indeterminados, como ocorria até 2005. Também há dois anos, cerca de 3 mil médicos foram contratados como peritos do INSS, pondo fim à terceirização que mantinha o mesmo número de médicos como credenciados.

O presidente da Associação Nacional dos Médicos-Peritos, Luiz Carlos Argolo, destaca que a terceirização ajudou a "banalizar as concessões de auxílios", pois os credenciados ganhavam por perícia realizada. "O conceito por trás do trabalho da perícia é que uma doença, às vezes, não é incapacitante para todos os tipos de atividade. Por isso, há uma avaliação muito individual", explica Argolo. Isso, no entanto, tem provocado alguns desconfortos a muitos segurados.

Em setembro de 2007, a Previdência realizou uma campanha por duas semanas, para informar os segurados sobre quem tem direito, em que situações, os valores e o trabalho dos médicos-peritos. Para Argolo, no entanto, ainda faltam mais ações de esclarecimento porque boa parte da população não entendeu o trabalho da perícia.

NOVA FÓRMULA

As medidas administrativas têm dado resultados positivos em relação ao controle das despesas previdenciárias, mas não podem adiar para sempre novas regras de acesso aos benefícios previdenciários, na avaliação do pesquisador de Caetano, do Ipea.

"É um caminho correto (a melhoria da gestão de despesas), mas, como governo está observando dificuldades para fazer ajustes nas regras, tem buscado as ações administrativas para conter os gastos", disse, citando ainda como medidas importantes a unificação da arrecadação tributária e previdenciária na Receita Federal e o recadastramento de segurados para identificar pagamentos indevidos.

Substância tóxica danifica genes do pai e dos filhos


CLAUDIO ANGELOENVIADO ESPECIAL A BOSTON
Fonte: Folha de São Paulo

Herbicida, por exemplo, afetaria parcialmente o sistema reprodutor masculino. Estudo em ratos flagra erro genético ser transmitido até bisnetos; conclusão derruba a tese de que exposição tóxica causa só infertilidade.

Imagem: Conjunto de espermatozóides, as células sexuais masculinas

O Ministério da Saúde não adverte ainda, mas talvez devesse: a exposição de homens a substâncias tóxicas, como herbicidas, remédios quimioterápicos e até mesmo álcool e tabaco pode prejudicar o feto -e, em alguns casos, causar problemas de saúde até mesmo nas gerações seguintes.Novos estudos que apontam o efeito paterno no desenvolvimento do embrião foram apresentados ontem numa conferência nos EUA. Segundo seus autores, é cada vez maior o número de evidências a sugerir que as autoridades de saúde talvez devessem pensar em uma lista de produtos que não podem ser consumidos por homens que queiram conceber.

Hoje, para a maioria das substâncias -como álcool e tabaco-, a proibição vale apenas para mulheres grávidas. Nos Estados Unidos, uma gestante que consumir essas substâncias e perder o bebê pode ser processada por homicídio.Três pesquisadores reunidos em um simpósio durante a Reunião Anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência), em Boston, porém, sugerem que o quadro é mais complexo.

O sistema reprodutivo masculino pode ser afetado por produtos que não causam necessariamente infertilidade ou mutações nos genes, mas afetam a sua expressão (ou seja, a maneira como são ligados e desligados, bagunçando seu funcionamento nas células).Machismo reprodutivo"As pessoas tendiam a pensar que era tudo ou nada, ou seja, ou o homem exposto ficava infértil ou ele não era afetado", afirmou Cynthia Daniels, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey. Por isso, segundo ela, o assunto foi ignorado por cientistas durante anos, naquilo que Daniels chama de "machismo reprodutivo".

Num estudo publicado on-line na revista médica "The Prostate", o bioquímico americano Matthew Anway, da Universidade de Idaho, mostra que mudanças ambientais problemáticas para o aparelho reprodutor masculino do rato podem ser transmitidas até a bisnetos.Anway expôs ratas prenhas a doses altas (mas não tóxicas) de vinclozolin, um fungicida comum, durante sete dias, na fase da gestação em que o sexo do feto é determinado. Os machos nascidos dessa gestação tiveram alterações de expressão em mais de 200 genes, embora não tivessem sofrido nenhuma mutação genética.Isso aumentou a proporção de problemas de próstata e tumores em quatro gerações de animais descendentes da linhagem afetada. "Não só defeitos reprodutivos, mas também modificações de comportamento, defeitos renais e outros problemas foram observados."Como não houve mutações no DNA, Anway acredita que o fungicida tenha alterado o padrão de metilação dos genes. Metilação é o nome dado à adição de um radical de metila (CH3) a certos trechos do DNA depois da divisão celular. Esse radical funciona como um ponto final no "texto" genético, impedindo a célula de continuar "lendo" e transcrevendo aquela seqüência. Isso silencia ou atenua a expressão do gene -o que os cientistas chamam de mudança epigenética.

O trabalho de Anway teve um sabor de vingança para Gladys Friedler, da Escola de Medicina da Universidade de Boston.Desde 1968, Friedler (que não revela a idade, dizendo apenas que tem "23 anos e envelhecimento precoce") se depara com evidências de que roedores adultos machos expostos a substâncias como morfina sofrem alterações reprodutivas e podem passá-las a seus filhos."Tratava machos com morfina e os cruzava com fêmeas que não haviam sido expostas. Quando vi que os animais na segunda geração tinham problemas, fiquei chocada."A cientista não conseguiu recursos para continuar. "Não via efeito genético algum", diz. "Naquela época, ninguém sabia o que era epigenética."

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Cana concentra trabalho degradante


THIAGO REISDA AGÊNCIA FOLHA JOÃO CARLOS MAGALHÃES DA AGÊNCIA FOLHA, EM IGARAPAVA
Fonte: Folha de São Paulo

No ano passado, mais da metade da libertação de pessoas em condições semelhantes à escravidão ocorreu em usinasUsineiros dizem que casos são pouco representativos; ministério também realiza resgate de trabalhadores na pecuária e em carvoarias .

Danilo Verpa/Folha Imagem
Trabalhadores rurais aguardam na madrugada transporte para o canavial no interior de SP


No ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou o álcool combustível uma de suas principais bandeiras, alçando os usineiros a "heróis mundiais", mais da metade das libertações de trabalhadores em condições degradantes ou análogas à escravidão no Brasil ocorreu em usinas de cana-de-açúcar.Em 2007, os grupos móveis do Ministério do Trabalho resgataram em propriedades do setor sucroalcooleiro 3.117 pessoas em situação degradante -53% do total (5.877). O restante foi resgatado em atividades como pecuária e carvoaria.O número chama a atenção especialmente se comparado a 2006 -ano em que nenhum trabalhador foi libertado em usinas de cana, segundo levantamento feito pelo ministério a pedido da Folha.

Das 110 operações de resgate realizadas em todo o ano passado, apenas 8 tiveram usinas de cana como foco.Uma das operações, feitas na Pagrisa, em Ulianópolis (PA), estabeleceu um novo recorde de trabalhadores libertados em uma mesma fazenda: 1.064.Para o engenheiro de produção Paulo Adissi, da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), a situação dos canaviais brasileiros é em parte reflexo de uma "pressão muito violenta" sobre o trabalhador, que "aceita condições de grande aviltamento à saúde e à dignidade porque vive na miséria".Autor de estudos sobre o trabalho exaustivo no setor, Adissi diz que não faltam terras nem equipamentos modernos no Brasil. "É a tecnologia social que é muito arcaica. A elevação da produtividade se dá por pressão, o que explica as mortes no campo em São Paulo."Segundo ele, "se forem oferecidos aos trabalhadores salários dignos, é bem possível que essa chamada vantagem competitiva brasileira do álcool se reduza muito".

No caso da Pagrisa, segundo os auditores fiscais, foram encontradas irregularidades como proibição de descanso das 4h30 até depois das 18h, a não ser para almoço, banheiros sem nenhuma higiene ou conservação, água quente e com gosto de ferrugem e alimentos de baixa qualidade.A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) diz que ocorreram "fatos isolados" e que isso não pode macular a imagem do setor sucroalcooleiro, que tem problemas, mas trabalha para saná-los.Fronteira agrícolaParte das operações ocorreu em áreas onde há crescimento da fronteira agrícola.Em Mato Grosso do Sul e em Goiás, foram quatro blitze e 1.622 libertações. Em Igarapava (SP), 42 pessoas foram resgatadas de uma das unidades do grupo Cosan, que se intitula "um dos maiores produtores de açúcar e álcool do mundo".

Também houve autuações em Minas Gerais e no Ceará. Somente em indenizações arbitradas pelos fiscais aos libertados do setor de cana, foram pagos R$ 4,7 milhões em 2007.Segundo o Ministério do Trabalho, a demanda por um grande número de trabalhadores para as colheitas após o setor canavieiro ganhar destaque na economia fez com que aumentasse o número de denúncias de exploração no pico da safra.Em razão do número expressivo de libertados, o ministério encaminhou uma notificação preventiva às usinas de cana com especificações sobre as condições ideais de trabalho e a remuneração por produção.

Na opinião de Adissi, o próprio mercado, ao impor barreiras e exigir certificações de qualidade ambiental e social, pode controlar essa exploração.Em março de 2007, ao falar sobre o incentivo dado em seu governo à produção de álcool e cana, o presidente Lula disse que os usineiros estavam deixando de ser "bandidos" para virar "heróis mundiais".

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Adesão do Brasil às convenções da OIT provoca polêmica

CLAUDIA ROLLI e FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL - Fonte Folha de São Paulo

A adesão do Brasil às convenções 158 e 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que impede a demissão imotivada e regula o direito de greve dos funcionários públicos, respectivamente, já causa polêmica entre advogados trabalhistas e especialistas no mercado de trabalho.Para parte deles, a convenção 158 protege o trabalhador e traz avanços sociais ao combater a discriminação no trabalho. Outros acreditam que ela poderá levar à instabilidade nas regras trabalhistas e até ao fim da multa de 40% do FGTS paga aos demitidos sem justa causa.Como as empresas não têm de justificar as demissões, a discriminação ainda é uma realidade no mercado de trabalho. "Se desejar, uma empresa pode demitir um empregado negro. Com a convenção 158, terá de explicar por que demitiu o negro", afirma Luis Carlos Moro, advogado trabalhista.

Para Clemente Ganz Lucio, diretor do Dieese, a convenção 158 vai dar aos trabalhadores direito à cidadania "plena" no trabalho e não altera direitos já existentes. "O empregador dá e tira o emprego na hora que bem entender. A decisão é unilateral. Daqui para a frente, o trabalhador terá o direito de saber o real motivo de sua demissão, se concorda ou não com ela e poderá discuti-la." O empresário não poderá fazer dispensas de acordo com interesses específicos ou usar critérios discriminatórios, segundo Lucio."Em países mais avançados, como a França (signatária da convenção 158), por exemplo, as empresas têm de explicar em audiências públicas por que querem demitir. A comunidade participa e estuda alternativas, como a redução salarial", diz.

"O Brasil tem, sim, de aderir à convenção 158 da OIT. O trabalhador que faz um bom serviço não pode ter medo de ser demitido. A proibição da dispensa imotivada atende a essa necessidade. Em caso de demissão em massa, por exemplo, terá de haver negociação com os sindicatos", afirma João José Sady, advogado trabalhista.O advogado Ives Gandra da Silva Martins diz que, se for ratificada a convenção 158, o país estará anulando a legislação trabalhista que permite a dispensa injustificada. "Isso pode trazer mais dificuldades para o emprego. Quanto mais problemas crio na legislação, mais lanço as empresas para a substituição do trabalhador pelo robô. Receio que a convenção desestimule o emprego em vez de dar mais garantias aos empregados, já que no Brasil há excesso de encargos trabalhistas."Sonia Mascaro Nascimento, advogada que preside a Comissão de Estudos em Direito do Trabalho da OAB-SP, acredita que o país passará por "momentos de instabilidade" nas relações de trabalho. "Ao aprovar mudanças, é necessário regulamentá-las, detalhar na lei essas novas regras. O governo precisa pensar nas conseqüências da adesão." Uma das dificuldades que as empresas enfrentarão, diz, é definir o que é uma dispensa arbitrária ou imotivada. "As empresas terão de buscar respaldo em assessorias. Isso implica custo administrativo para se organizar.

"A Fecomercio SP é contra a convenção 158 por ferir o princípio da livre iniciativa. "Proibir a demissão imotivada é uma ingerência na demanda interna das empresas. O empregador já paga indenização ao demitir, paga FGTS e a multa de 40%. A indenização e o seguro-desemprego protegem o trabalhador enquanto busca novo emprego", diz Fernando Marçal, assessor jurídico da federação.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Trabalhador terceirizado pode não conseguir se aposentar, alerta Pochmann

Por Redação [Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008 às 10:06hs]

As condições de trabalho da maioria dos terceirizados brasileiros podem comprometer o direito de aposentadoria desse tipo de trabalhador. Segundo avaliação do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, grande parte dos terceirizados não terá condições de cumprir as exigências necessárias para conseguir o benefício.

Pochmann afirmou em palestra ministrada ontem, 12, em São Paulo, que as atuais leis que regem o regime previdenciário brasileiro determinam que um trabalhador do sexo masculino tenha contribuído por, no mínimo, 35 anos para poder se aposentar.

Devido à alta rotatividade, os trabalhadores terceirizados permanecem empregados, em média, de cinco a seis meses por ano, segundo os estudos do economista. Por isso, terão de trabalhar mais de 70 anos para conseguir se aposentar. "Isso significa que um homem que começou a trabalhar com 15 anos poderá se aposentar com 85 anos, além da última expectativa de vida divulgada", afirmou.

Estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em dezembro do ano passado, aponta que os brasileiros nascidos em 2006 viverão, em média, 72,3 anos.

De acordo com uma análise realizada com trabalhadores paulistas em 2005, 83,5% dos terceirizados trocam de emprego a cada 12 meses. Entre os não-terceirizados, o índice de rotatividade é de 49,1%.

Os terceirizados ganham em média 2,3 salários mínimos por mês. Já os trabalhadores não-terceirizados ganham 4,9 salários mínimos.

Política nacional sobre a terceirização do trabalho

O pesquisador e economista Marcio Pochmann, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), defendeu a elaboração de uma política nacional sobre a terceirização do trabalho.
"A terceirização é um imperativo. Não tem volta", afirmou o pesquisador. "Está faltando uma política nacional sobre o assunto. Precisamos decidir qual é o tipo de terceirização que o Brasil quer para seu futuro."

Segundo o pesquisador, o país precisa capacitar suas empresas para que possam atrair para o mercado nacional algumas das cerca de 6,7 milhões de vagas terceirizadas criadas todo ano no mundo. Também precisa capacitar os trabalhadores para que os empregos trazidos para o país tenham maior remuneração salarial.

Pochmann defendeu ainda que seja estabelecida uma regulamentação específica para esse tipo de emprego. "O Brasil regula a terceirização como se estivesse olhando os fatos pelo retrovisor de um carro", considerou. "Temos que regulamentar o assunto olhando para os próximos anos."

Ele citou como exemplo a elaboração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), publicada em 1943. "A CLT regula o trabalho assalariado, porém foi concluída quando dois a cada dez trabalhadores eram assalariados", afirmou. "A legislação serviu como base para o estabelecimento das relações trabalhistas dos anos posteriores."

(Com informações da Agência Brasil)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Cientistas testam vacina inalável contra o HIV

da Folha Online
12/02/2008 - 02h59


Um grupo internacional de cientistas alcançou novos progressos no desenvolvimento de uma vacina preventiva contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV) ao criar um medicamento inalável.

O trabalho, publicado hoje pela revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", revela que o novo teste usa antígenos modificados de HIV, uma substância que dá lugar à formação de anticorpos.

Segundo os cientistas, testes realizados em macacos deram resultados positivos. O grupo afirma que conseguiu demonstrar em macacos que a vacina é "segura".

Segundo o CSIC (Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha), os antígenos são usados para ativar no organismo uma resposta ao vírus.

Em um teste com macacos, os cientistas conseguiram uma forte resposta celular para ativar os linfócitos CD4+ e CD8+, essenciais na defesa do organismo.

Os resultados do segundo teste, do qual participaram 40 pessoas saudáveis, revelaram que 90% dos vacinados tiveram uma resposta imune de células CD4+ e CD8+ frente aos antígenos do HIV, uma reação que se manteve pelo menos por 72 semanas.

A administração da vacina por via respiratória facilitaria seu uso em programas em países em vias de desenvolvimento e representaria uma economia do material sanitário necessário.

Além disso, o sistema respiratório é o que apresenta a segunda resposta mais rápida a imunizações, só perdendo para o sistema digestório.

Áreas para safras transgênicas no mundo devem dobrar até 2015, diz estudo

Folha Online
13/02/2008

O cultivo de alimentos transgênicos no mundo atingiu cerca de 114 milhões de hectares (crescimento de 12% em relação a 2006) e deve dobrar até 2015, segundo estudo feito pela organização não-governamental ISAAA (Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas, na sigla em inglês) e antecipado pelo jornal britânico "Financial Times" ("FT")

A expectativa da ISAAA é de que cerca de 100 milhões de agricultores irão cultivar 200 milhões de hectares com alimentos transgênicos em 45 países até 2015.

"Em um momento em que os preços das commodities estão disparando e os da energia estão nas alturas é preciso ter uma tecnologia que amplie o lado da oferta e traga para baixo os custos de produção, e isso é o que temos com essa tecnologia", disse o presidente e fundador da organização, Clive James, segundo o "FT".

"Cerca de 70% dos pobres do mundo estão ligados à agricultura e cerca de 50% dessas pessoas praticam agricultura de subsistência (...) Aumentar a renda de pequenos agricultores contribui para aliviar a pobreza entre as pessoas mais pobres."

De acordo com o estudo, mais de 12 milhões de agricultores cultivaram alimentos transgênicos no ano passado. O mercado global para sementes transgênicas tem crescido cerca de 12% ao ano, diz o "FT" --que acrescenta que o uso dessas sementes aumentam a produtividade por hectare principalmente por oferecerem maior proteção contra ataques de insetos e doenças.

Estados Unidos e Argentina são os países que dedicam mais espaço para o cultivo de transgênicos, diz o estudo (com 57,7 milhões e 19 milhões de hectares respectivamente). Atualmente 23 países plantam alimentos transgênicos e outros 29 permitem a importação de alimentos ou rações para animais. Segundo o estudo, países como Vietnã, Egito e Burkina Fasso podem adotar o plantio de transgênicos nos próximos dois anos.

Brasil

No Brasil, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) ratificou a decisão de liberar o plantio e comercialização de duas variedades de milho transgênico : a Guardian (desenvolvida pela empresa norte-americana Monsanto e resistente a insetos) e a Libertlink (da alemã Bayer e resistente ao herbicida glufosinato de amônio, utilizado na pulverização para combater ervas daninhas).

"Esses dois milhos que foram aprovados tiveram estudos conduzidos por praticamente um ano, e finalmente temos a aprovação final do Conselho Nacional de Biossegurança", disse o ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende.

O ministro admitiu, entretanto, que "há sementes que estão sendo utilizadas sem a devida autorização" e disse que agora cabe ao Ministério da Agricultura regular a questão --inclusive decidir se autoriza a venda do milho das lavouras plantadas com sementes geneticamente modificadas antes mesmo da autorização.

Antes do milho, o Brasil já havia liberado a soja transgênica, em 1997, e o algodão, em 2000.